Eu e Meus Cartões Postais.

Eu só tenhos dois olhos. Eles foram insuficientes hoje pra te procurar em meio a tanta gente.
Eu estava te esperando chegar com a certeza nula que chegaria.
Com o coração na retina, observei cada pessoa. Mas você não vinha. Os minutos foram passando e fui me convecendo contra a minha vontade e aos poucos de que talvez você nem ia chegar de verdade, sabe, no fundo eu até sabia. Achei estranho toda essa demora, você sempre foi pontual pra chegar na lanchonete. Tem como rotina tomar sua vitamina de frutas e cumprimentar o Seu Osvaldo como sempre fez. Quando tinha tempo, ligava o notebook e aproveita pra ler umas notícias ou “curtir” alguns assuntos.
Lá esperando, desliguei a música.
Já fazia tanto frio aquela hora. Todas as pessoas que passavam por mim estavam devidamente agasalhadas, e eu não me importava, eu queria teu quase inviável “oi” pra me aquecer. 
Eu não sentia fome, não sentia sede, não sentia nada além do frio que me dilareceva como uma navalha em meu peito.
Queria tanto que finalmente chegasse, queria tanto que visse como eu estava ansioso por isso! Já tantos meses que não nos encontramos! 
Notei a lua lá no alto. Tentei em vão observar seus desenhos, pensei ingenuamnete em como seria legal chegar mais perto dela. Que tolice. É que uma voz baixinha do além me dizia que em algum momento você também olharia para aquela lua toda grande. Você adora.
Mas nem isso deu certo. E as horas foram passando. As pessoas foram indo pra casa, a neblina começou a cair.
Me recolhi tentando me autoaquecer, transformei meu corpo numa espécia de bola de tão pequeno. E começou a chover. Eu já estava sentindo dor pelo corpo todo. E você não vinha. Mas ora, nem tinha culpa nisso, afinal, não havíamos combinado nada, eu só acreditei na minha intuição, só acreditei no pouco de ligação que pensei ainda existir entre nós.
Chorei de dor.
Escondido. Com vergonha da minha burrice, de como eu me sentia otário de esperar algo que nunca ia chegar, de esperar o que simplesmente não existe, e mesmo que chegasse, qual seria a chance de ser positivo? Será que você ainda se lembrava de mim? Meu otimismo estava cansado de falhar. Mas eu não sei bem porque, algo me prendia, algo me forçava a ficar ali, eu queria viver aquilo, eu tinha que passar por aquilo, eu tinha que te ver mesmo que você não me visse e mesmo que eu não tivesse certeza que isso ia acontecer. Eu tinha que tentar. Eu queria te ver denovo. Queria ver como seria teu sorriso sem dividí-lo comigo.
Exausto, resolvi ir embora debaixo de chuva mesmo. Meu corpo enxarcado não me ajudou a secar aquele meu rio de lágrimas. E eu nem me importei.
Virei a esquina e segui até o ponto que passaria meu ônibus, lembrei que lá pelo menos era coberto. Parti, mas não pra sempre, estava decido a voltar amanhã, e depois de amanhã, e depois e depois de amanhã, até uma hora que minha intuição acertasse. Até que eu te visse que seja por 15 segundos. Eu queria te falar tanta coisa, tanta coisa que passei nos últimos meses, você ia adorar as experiências que tive, os países que visitei, as pessoas e culturas que conheci, queria dividir com você o pouco que fazia sentido na minha vida depois da tua ausência natural, mas se não desse pra falar com você, eu poderia apenas te ver. E eu vou. Qualquer dia desses eu vou, mas eu não desisto. Só preciso tomar os antibióticos necessários pra que uma possível gripe advinda da chuva que tomei não me dominasse. Eu tinha que estar saudável e relativamente bonito pra te encontrar.
E estarei.

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