Semáforo Amigo

A gente gosta de sair andando por aí.
Podemos ver a paisagem, ver mães passeando com seus bebês dentro dos carrinhos, podemos nos encontrar também com algumas árvores bem especiais, e eventualmente, encontramos algum amigo.
Tem dias que a gente prefere o caminho mais longo até a padaria mais próxima só pra podermos ter mais tempo vivendo juntos.
Distraídos, ás vezes esquecemos de detalhes básicos como olhar para o chão por exemplo, e costumo eu ser a vítima dessa nossa falha quando percebo que pisei nas sujeiras dos cachorros. Adoramos cachorros, mas nem tanto o que eles deixam pelas ruas, ou melhor, o que seus donos deixam deles pelas ruas e calçadas. Nessa horas, gosto muito mais das graminhas em beira de calçada. Não existe melhor produto pra limpar a sola do tênis.
Aí a gente para.
Há fases na vida que somos obrigados a parar e repensar o que estamos fazendo. E pra nós, nos nossos passeios, essa fase se chama Semáforo.
Não temos muita sorte com o sinal verde pra gente, algo que aliás, tem seu ponto positivo. Por todas as esquinas que passamos nos deparamos com a vez dos carros passarem. E a gente tem que esperar. Mas eu prefiro pensar que  é um dos nossos momentos mais íntimos.
Ainda no caminhar, coloco  meu braço em volta do seu pescoço e você coloca o seu em volta das minhas costas. Paramos no sinal vermelho para pedestres e nos abraçamos.
Quando não apenas nos abraçamos ou somos incomodados pela buzinas de engraçadinhos dentro dos carros,  inventamos alguma brincadeira. Seja eu te ensinando a tocar guitarra imaginária ou você querendo me ensinar uma dança. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. Nos divertimos e nem ligamos pros carros passando ou pras pessoas que chegam ao nosso lado esperando a vez de atravessar a rua. Confesso que se estivéssemos sendo filmados eu ficaria com um pouco de vergonha de ver como ficamos bobos juntos. Mas eu gosto tanto disso. No sinal vermelho é que damos valor a 1 minuto desse mundo. É um minuto relativamente longo quando não se está fazendo nada só observando o relógio, mas é um minuto depressa quando se está o aproveitando. E a gente faz isso muito bem.
Sinal verde. Os carros param.
Começamos a atravessar a faixa de pedestre e novamente inventamos um brincadeira: contar as faixas e pular com os dois pés em cada uma. Parecemos loucos. Vez ou outra, eu, sempre eu, mais desajeitado impossível, acabo escorregando e caindo. Você ri da cena mas me salva a seguir. Relevo sua risada porque quando você pisa no cadarço do tênis ou tropeça pelas calçadas meu estômago até dói de tanto rir. A gente vai se divertindo e vivendo juntos assim; aproveitando literalmente cada passo que damos, cada intervenção nos nossos momentos, cada ralada de joelho numa queda boba, cada susto de cachorro nos portões das casas. Vivemos tudo. E isso é especial.
Me deixa particularmente realizado o fato de eu ter grandes amigos a quem contar, ao mesmo tempo que penso ser sempre bom fazer novas amizades. Mas de tantos amigos em comum que temos, ás vezes, eu tenho o meu preferido e ele se chama…  Semáforo! Com todo o seu talento de nos presentear com alguns minutos especiais só nossos. Se ele tivesse voz, falaria pra gente: “Dá pra vocês ficarem aí juntos um pouquinho? Sei lá, façam qualquer coisa menos continuar andando”.
Uma imagem de um aparelho com um bonequinho com luz vermelha acesa vale mais do que mil palavras.

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2 respostas em “Semáforo Amigo

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