Açúcar ou Adoçante?

Essa mania que eu tenho de achar graça na forma que tira o cabelo do rosto.
Desde o nosso primeiro “oi” comecei a achar graça em coisas que sempre considerei bobas. Revi meu conceito sobre consideração das coisas, especialmente das coisas bobas.
A gente senta numa cafeteria qualquer, fazemos nosso pedido e enquanto esperamos, você se aproxima de mim. Nos encostamos no balcão, você com seu cotovelo sobre a mesa coloca a mão em meu cabelo e começa a fazer círculos com os fios. Comento de um assunto qualquer, do frio que está fazendo hoje, e então somos interrompidos pelo garçom e a chegada do nosso pedido.
Dois cafés.
Você segura a asa da xícara com extremo cuidado para não queimar os dedos. Enquanto tomo o meu café, de rabo de olho observo tua dificuldade em fazer o teu esfriar. Se irrita com tanta fumaça. E eu rio.

E eu rio.

Comemora o fato das mãos agora já não estarem mais frias demonstrando a nova temperatura ao acariciar meu rosto. E eu sempre fecho os olhos quando passa a mão sobre meu rosto. Não tenho resposta para isso, acho que é uma das coisas bobas que aprendi a gostar também.
Pedimos a conta, pagamos e partimos.
Te deixo sair primeiro pela porta e quando saio você me surpreende com um abraço não-convencional. “Feliz hora do café!”  – é o que me diz.
Sem ententeder muito bem, ou melhor, sem entender nada, eu concordo e retribuo sua sincera felicitação. Você é estranha, mas gosto disso. Será que sou tão estranho quanto?
Saímos pela calçada, teu braço envolvendo minhas costas, e o meu sobre seus ombros. Partimos selados.
Chutamos folhas secas do Outono, brincamos com cachorros e eventualmente até apostamos corridas. Pregamos peças nas pessoas nas ruas ao apontarmos as coberturas dos edifícios como se realmente estivesse acontecendo algo. Todos olham. Nós rimos, rimos feito bobos. E a coisa boba se faz presente denovo entre nós.
Obrigado. Talvez seja algo nesse sentido que eu deva te falar por me fazer sentir tão especial, por sei lá, delimitar as coisas e a forma que eu falo (nunca achei que seria necessário, mas hoje sei que é). Obrigado por ser você.
Qualquer dia te conto sobre o que penso de você, de repente seria uma boa oportunidade pra isso acontecer quando voltarmos a cafeteria, e eu mais uma vez, poder ver como fica seu rosto quando se irrita com a fumaça do café.
Coisa boba que eu gosto tanto.

 

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3 respostas em “Açúcar ou Adoçante?

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