Onde Vamos Sentar?

Hoje eu tenho um encontro!
Ansioso, acordei bem cedo, mais do que deveria, tudo pra poder escolher a roupa ideal. Por sorte, tenho uma camiseta que comprei e nunca usei por não encontrar o “momento ideal”, sabe? Chegou esse momento!
Um almoço rápido e já posso sair. Mas antes, uma conferida no meu saldo em minha conta bancária via internet. É, a coisa não está tão boa assim, mas com um esforço aqui e outro ali vou poder gastar alguma coisa hoje. Mereço!
Eu tenho um perfume super caro. Só uso aos fins de semana quando as ocasiões são mais especiais. Ok, a intenção real é economizá-lo. Hoje é fim de semana. Logo?
Combinamos às 17h em frente a bilheteria do cinema. Cheguei às 16:40. Tem muitas pessoas aqui, vários casais, família inteiras, adolescentes desbravando os corredores. Acho uma boa ir na livraria me atualizar quanto as revistas do mês.
“Heeey, me desculpa, estou chegandoo, não briga cmg!” Leio tua mensagem de texto e me tranquilizo.
Volto pro local de encontro e às 17:20 você chega. Linda. Extremamente deslumbrante! Eu nem sei como está minha cara, se meu cabelo está horrível, eu não sei de nada, que vergonha, mas você está linda. Te confesso.
Entramos na fila do cinema. Já tínhamos escolhido o filme.
“Nota Fiscal Paulista?” – “Não, obrigado!” Bilhetes comprados.
Você sugere comermos algo antes do filme, diz que não é muito fã de pipoca na poltrona. Eu, óbviamente, aceito. E lá se vai me seu salário tentando te impressionar com restaurantes legais.
Subimos pra sala. Entramos, e chega o momento que dará a letra dos outros que virão a seguir: Onde sentaremos? Deixo a escolha em suas mãos e você opta por um cantinho da sala.
O filme começa, o filme termina. E nós continuamos da mesma forma que começamos. Amigos. Vamos embora. Você parece contente, não para de falar como o filme é bom, como era inesperado! Fiquei feliz com tua reação.
Saímos do shopping e me prontifiquei em levá-la ao ponto de ônibus.
A partir desse momento meu peito começa a formigar, eu não consigo pensar em nada decente pra te falar, não consigo falar do filme, não consigo falar sobre como eu gostei de hoje, não consigo! E como eu odeio isso!
Fiquei de costas para os ônibus na avenida, não quero imaginar você indo embora, não quero imaginar esse dia acabando.
“É, lá vem meu ônibus…” Você me corta o peito com essa frase.
Penso que essa é a hora, chega, preciso parar de tanta vergonha, vou falar alguma coisa, sei lá, vou fazer alguma coisa, mas vou ter alguma atitude.
Me beija, me abraça e diz “Obrigada por hoje, fica bem!”
Você parte.
E me parte.
Sem a mínima culpa da situação toda. Não existem culpados.
Eu não consigo nem te olhar entrando no ônibus pra dar um último tchau. Saio caminhando sem olhar pra trás. Sem olhar pra trás. Ora, óbvio que você não tem culpa de “não querer nada comigo”, até porque, você nem sabia que eu queria algo… Como eu fui covarde COMIGO MESMO! Queria voltar, queria pegar o próximo ônibus e ir atrás de vocês. Nessas horas a coragem vem.
Mas tudo bem, sem problemas, foi a primeira vez que saímos juntos, essas coisas acontecem.
Não sei se haverá uma segunda vez com você, nem tenho ideia de onde te chamar pra ir, mas eu tenho certeza de uma coisa: eu nunca mais vou deixar de ouvir e atender aos gritos do meu coração lunático e sincero.

“Espero que esteja bem, adorei hoje, de verdade, e ah, você estava tão bonitinho :)… bjo”

Mensagem de texto recebida.
Eu li essa frase durante as 5 horas seguintes.

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