Lutinha de Cócegas

Não é que eu não sei viver sem ter você, é que eu sou melhor com você comigo.
É óbvio que a tua ausência não compromete em nada a minha vida, meus sonhos, nem minhas vontades ou sequer o passar dos meus dias, mas acontece que eu prefiro ter você pra poder me ouvir todas as vezes que eu quiser dividir alguma coisa, nem que essa coisa seja a minha raiva pela demora do ônibus. E não pode ser qualquer pessoa, tem coisas que eu preciso falar exclusivamente pra você.

Não te coloco no topo da pirâmide de prioridades da minha vida. Uma coisa é eu te considerar especial e pra sempre, outra é insubstituível. Eu gosto muito mais de mim do que de qualquer outra pessoa. Mas é uma merda, nada tem a mesma graça com a tua ausência. Eu não consigo ver a mínima graça na dúvida em qual filme assistir no cinema, não tenho ansiedade pelos Guias de Passeios aos fins de semana que pego toda sexta-feira nos jornais, não acho nada engraçado escolher onde vou jantar.
Seja sozinho, ou com qualquer outra pessoa que não seja você, nada tem o mesmo efeito.

E acredite, eu nunca, eu nunca vou te obrigar a entender e valorizar tudo isso. Eu penso, falo e faço as coisas única e exclusivamente pelo que eu sinto. Deixou de ser por mim pra ser pelo meu coração. E a razão? Ah, essa daí depois que eu te conheci, ainda não tive a oportunidade de conhecer e nem tenho vontade, na verdade. Também nunca vou te obrigar a ver as coisas da forma que eu vejo. Pra mim o seu sonoro e convincente “Tudo e você?” quando te ligo, tem uma importância surreal. Já pra você o “Te amo também” quando a gente desliga é imprescindível. Na real, tudo tem igual importância, só vemos de formas diferentes.

Volta logo.
Faz tanto tempo que está fora.
Você estava precisando tanto de umas férias, do trabalho, dos estudos, da vida, de mim, mas acho que já teve tempo o suficiente né? Volta pra eu contar as coisas que vivi durante esse tempo, volta pra me dar opinião sobre uma centena de dúvidas que criei e que não tive a quem recorrer, volta pra me dar bronca quando eu falar demais com a atendente da lanchonete, volta pra me dizer “não” quando eu quiser comprar aquele tênis de R$ 700. E claro, volta pra me contar como foi essa viagem, quero saber de detalhes, se fez muito frio mesmo, o que aprendeu a falar, se fez amigos e se me trouxe presentes também, haha.

Você me faz um bem infinito. Ter tua presença, tua palavra, beijo ou abraço, teu “conta comigo”, teu “você não está tão certo assim” me faz querer ser melhor, me faz pensar e rever tudo diferente. De certo muita coisa muda com a distância, mas posso te garantir, volte preparada, eu já lamento, mas dessa vez você vai ser nocauteada na nossa próxima luta de cócegas. Tenho treinado. Não é igual, é só um exemplo de coisas que não tem a mesma graça sem a tua presença e sem o teu ar, inútil, de “eu sou a melhor”.
Preciso de provar que diferente dos momentos em que estou “exalando amor” por você, nem sempre você é a melhor e mais perfeita em tudo, apesar de ser indispensável pra mim. Sou confuso, né?

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