Qual É A Moral Do Filme?

Depois de semanas de conversas, consegui dar um passo além e fazer o inesperado: Chamá-la pra sair. Fui clássico e sugeri um cinema. E o mais inesperado aconteceu: ela aceitou! Aí tive que me virar e correr pra comprar uma roupa nova legal, aquele momento inédito mereceria uma roupa inédita. Tinha que comprar a roupa, ir pra casa e depois encontrá-la!
Combinamos as 17hs no Shopping, perto da livraria. Pensei em tudo direitinho e explico. O horário é uma média, antes disso seria cedo demais e forçaria com que nosso passeio acabasse rápido, depois das 18hs já seria meio tarde e ela poderia alegar fazer algo simples pra não chegar tarde em casa. E porque não no cinema? Ah, só pra gente dar uma volta antes, ver umas vitrines e poder jogar conversa fora. Coisa de 15 minutos.

Ás vezes, uma hora, é tudo o que precisamos.

Nos encontramos pontualmente.
Algumas vitrines, minha carteira vazia demais pra poder surpreendê-la comprando algum presente – ah, se eu tivesse dinheiro -, até porque eu tinha gastado meu dinheiro com a minha camiseta nova.
Escada rolante.
Ali é quando as mãos se encostam deliciosa e acidentalmente. Eu não tenho culpa, ela também não, nem nossas mãos. Acontece. E eu gosto.

Fomos pra fila, compramos os ingressos e partimos pro andar das salas. A sessão estava prestes a começar. Entramos. Sem pipocas. E eu sem dinheiro. Só pra relembrar, rs.
É chegada então uma das horas mais preocupantes: “ONDE VAMOS SENTAR?” Ela deixou a decisão em minhas mãos e escolhi umas poltronas na lateral, separadas da parte central da sala.

“Aqui parece legal, não sei se você gosta, o que acha?” perguntei.
“Ah, por mim tudo bem, só deixa eu ficar na parede, haha!” explicou.
“Claro, haha, sem problemas!”

Eu nunca sentei na parte lateral. Sempre achei um péssimo lugar no cinema.
Eu amo mais que tudo sentar na parte da parede quando existe essa possibilidade, desde os tempos de escola.

Conversa vai e vem, ficamos comentando sobre as pessoas entrando na sala. Eu pensava em alguns assuntos mais relevantes, algo que desse pra eu encaixar uma palavrinha a mais, mas eu sou péssimo com roteiros, além de naquela estar com uns 38° de calor tamanho o meu nervosismo.

“Preciso fazer algo antes de começar o filme!” era o que eu repetia em silêncio.
“No próximo trailer, assim que começar!”

Acabaram os trailers. O filme começou. Meus planos foram por água abaixo, ela estava super concentrada no filme, comentou quando eu fiz o convite que não gosta de ser interrompida no cinema. “E agora seu retardado, vai fazer o quê?” Eu me punia em pensamento.
Passada uma hora de exibição de filme, acontece uma cena mais sensível em que o marido aparece na porta de casa, debaixo de chuva, com um buquê de rosas, toca a campainha e a esposa atende a porta correndo. Ela abre e ele fala: “Eu sou um otário, me desculpa?” e ela responde: “É o o otário que eu amo! Claro!” e então eles se beijam. Bonita cena!

Neste momento ela pegou na minha mão.

Aí eu voltei a ficar com raiva pois estava preocupado em ela perceber o quanto eu transpirava de nervosismo, droga! Mas deixei o clima fluir.
Numa atitude mais ousada por minha parte, puxei ela mais pra perto como se eu falasse “vem aqui, é mais confortável” ela aceitou e mais, se acomodou em mim. A partir daquele momento a minha preocupação era a velocidade que meu coração batia de nervosismo e como ela ia sentir isso. Eu sou meio doido, isso sim.

Tem filmes que a gente não precisa ver.

Resolvi seguir o que eu comecei a sentir, era muito forte, e então, delicadamente, virei o rosto dela em direção ao meu e a beijei.

E a beijei.

Foi um beijo curto, não muito, mas ainda curto. Como eu disse, estava nervoso, até me bateu um arrependimento, que foi embora na mesma velocidade que chegou.
Nos acomodamos na medida do possível. Por um momento eu quis ficar na parede – já mencionei como eu amo encostar nas paredes? – mas desisti da ideia depois de vê-la toda quentinha e confortável.

No auge da minha ousadia, tentei outro beijo até que…

Chutei a poltrona da frente sem querer fazendo a pessoa sentada se assustar derrubando toda a pipoca e refrigerante na pessoa de baixo, que reclamou muito, que começaram a discutir. E eu fiquei sem ter o que dizer. O filme passando, “calem a boca!” era a palavra de ordem. E eu ali desesperado, por vergonha de provocar isso na frente dela e por vergonha de provocar isso numa sala de cinema.

Aí ela me beijou.
Denovo.

“Posso te falar uma coisa? Você fica tão sexy tímido e preocupado… Relaxa que eles já estão parando a briga, olha lá…”

Não vi fim da briga.
Não vi o fim do filme.
Não me importei com isso.

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2 respostas em “Qual É A Moral Do Filme?

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