Eu Assumo Que Me Falta Um Parafuso

Quando eu te disse “não quero mais”, no fundo, eu quis dizer “me espera”.
Eu sei que não foi fácil pra você, mas eu não poderia me obrigar a viver algo que o meu coração não estava mais 100% envolvido. E eu sou real, só faço o que o meu coração manda, poderia seguir regras e alguma justiça e continuar a nossa história pra ser justo com a gente, mas não seria eu ali.

Então eu quis parar.

Você me conhece muito bem, sabe da minha instabilidade emocional, sabe que quanto mais eu digo que eu não quero te ver, é quando eu realmente quero.
E eu tenho consciência que esse meu jeito não me faz muito bem, que existem até pessoas que se afastam de mim por não conseguirem me entender. Mas ora, se nem eu me entendo como posso exigir isso das pessoas, não é mesmo?

O problema é que você me entende.
Por mais que eu diga que não e por mais ódio que isso me causa, você realmente me entende. Por exemplo, nos dias que eu não queria fazer nada, você parecia prever meu estado de espírito insuportável e me trazia meu chocolate preferido.
É dessas coisas que eu vou sentir falta.

Quando eu disse que o amor acabou, no fundo, eu quis dizer que ele dormiu.
E tudo precisa dormir alguma hora.

O tempo é totalmente incontrolável, e através dele, a vida e os sentimentos também se tornam. Eu queria te dizer algo como “Quando novembro chegar a gente volta, ok?” mas eu não tenho esse poder, inclusive por dois motivos; primeiro porque eu estou vivendo uma fase específica na minha vida, onde, infelizmente, pensar nesse assunto não está entre as minhas prioridades, e segundo porque você está vivendo outra fase da vida também, e com certeza tem outros assuntos pra se preocupar.

Vamos brincar com o tempo. Deixe ele tomar as rédeas das nossas vidas. Afinal, não temos outra opção, né?

No entanto, eu não sou idiota o suficiente pra dizer que você não me faz falta. Até porque tudo que construímos, inclusive o próprio fim, foi com muito amor e isso, quando é real, não se perde.

E eu ainda te amo. Por mais absurdo que isso possa parecer.

Eu nunca vou te confessar saudade por que eu sou covarde comigo. Mas só eu sei o qunato me controlo pra não te ligar, pra não te mandar uma mensagem, pra não ir na sua casa. Quando o sentimento aperta, vou ao shopping sentir teu cheiro na loja de perfumes. Sempre que toca uma música que lembra você, eu coloco no repeat.

Eu só não posso deixar que você saiba de tudo isso porque não quero parecer que estou alimentando algum tipo de esperança entre nós, eu não quero ter a ousadia de controlar o tempo. Com todo o meu ódio de clichês, tenho que concordar que “o que tiver que ser, vai ser”, por mais vago e subjetivo que isso possa ser.

Então eu quis parar.

Eu só não quero imaginar outra pessoa no meu lugar descobrindo que você gosta de ouvir música antes de dormir, o quanto acha graça daquele programa de comédia das quintas-feiras, o quanto te irrita o exagero de cebola na comida. Eu não quero alguém no meu lugar, mas eu não torço contra, quero a sua felicidade, é que eu realmente só não posso imaginar isso. E se a única maneira que encontrei pra evitar que eu sofra com isso foi me afastar de você, me desculpa, eu sou covarde demais até pra admitir que eu te amo.

Então eu quis parar.

 

 

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