A Corda Amor, Acorda!

Mesmo aqui distante, tão distante agora da sua presença, que ódio da ausência, me aproximo de você com o atalho do pensamento bom.
Aqui do meu quarto onde o mundo é só meu, uso minha memória e desenho sentado dias em que eu ainda vou lutar pra viver.

Eu cuido tanto de você mas você nunca vai saber.

Das minhas crises todas, algumas tão banais, naturais, de quem sonha até demais com dias mais do que especiais, pego lições para aplicar no momento que os abraços forem estendidos até os braços não mais aguentarem. Em outras palavras, pego a minha própria dor pra servir de remédio pros dias que faltarem amor.

E eu não estou aqui esperando aplausos.

Meu caso agora é que eu não tenho por perto da visão, o que não significa estar longe do meu coração, muito pelo contrário. É na distância que a saudade arde e queima no peito aquela vontade remota de jogar o que se viveu por água abaixo.

Quando eu estava decidido em soltar a corda, fui assaltado pela lembrança da primeira vez que o meu despertador foi o seu “Amor, Acorda!”

Não é porque o mundo todo diz, que eu vou conseguir esquecer. Ninguém me perguntou se era isso que eu queria, entende? Ninguém nunca se importou com o o que eu sentia quando confessava um amor maior que eu mesmo. E os “eu te entendo” já foram mais eficazes, hoje uma dose de silêncio já me traz preenchimento.

Todavia, é importante saber que tudo me vale de experiência. Embora ainda aqui cuidando de você, na esperança vã de ver o gelo do teu peito derreter, eu continuo acreditando que estou sim fazendo sempre o meu melhor, ora por qualquer pessoa, ora por mim.

Resolvi me dedicar mais e melhor. Não por recompensa, mas por prazer.

Talvez a saudade que eu disse arder, seja um misto do amor com o prazer, a saudade do prazer. Prazer do beijo molhado, demorado, enroscado, entrelaçado, linguado, algumas vezes até engraçado. Prazer de sentir a temperatura do seu (nosso?) corpo.

Eu posso te ajudar, sempre pude e não é agora que vai ser diferente.
Mas eu não consigo fazer o carro andar sem que você dê ignição. E o mecanismo que imagino aqui pra consertar essa nossa confusão, ou não, é o de sinceridade com o nosso próprio coração.

Aqui é meu quarto, na verdade um mundo tão seu quanto meu.

Meu telefone nunca mais tocou a nossa valsa. Havia configurado um toque particular pra quando fosse você a me ligar. Talvez eu eternize aquelas notas que me fazia comemorar. Não sei, ainda tenho muito tempo pra pensar.

É você que não tem.
E eu disse que posso te ajudar, mas não disse que posso te esperar.

Tão distante, mesmo assim, sequer imagine palavras em minha boca.
Se for pra gente viver de ilusão, que seja igual no dia que combinamos construir uma escada infinita, capaz de acalçar o céu, trazendo nuvens de algodão e também restos de uma chuva de papel.

É um mundo tão meu. Seu.
Se lembra?

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