Não Precisa Acontecer Tudo Pra Ser Especial

(conteúdo levemente indicado para maiores de 18 anos)

Não é de hoje que percebo como ela tem andado cansada. E inevitavelmente eu fico me perguntando se tenho alguma influência nisso, apesar de sempre que a questiono, ela diz não ter nada a ver comigo. Mas é estranho, é uma sensação de invalidez, porque eu quero ajudar mas não sei bem o que e como fazer.

O lado bom é que a gente conversa muito, temos diálogo pra qualquer situação. Lembro que ela vem reclamando muito da rotina que tem levado. Esse negócio de estudar e trabalhar mata qualquer ser humano. Às vezes eu compro o chocolate preferido dela pra ver se ganho algum riso, outras vezes compro alguma blusinha pra dar de presente, certo de que ela vai gostar, mas parece que não é o bastante. Só que tem aquela história, eu amo, sendo assim, não vejo limites pra me esforçar em deixá-la bem e eu vou dar um jeito nisso.

Hmm, acho que até sei como fazer. Mas tenho que correr pra fazer tudo hoje! É loucura mas espero que dê certo!

Ela sai do trabalho as 18hs.

17hs. Fim do meu expediente. Preciso correr! Metrô, baldiações, uma leve caminha e jajá eu chego no trabalho dela. Não avisei que chegaria, que o hoje seria diferente.

17h49. Bom, cheguei. Agora preciso ficar atento pra quando ela sair. Minha sorte é que ela tem um jeito muito particular de sair dos lugares: olha para os dois lados da calçada, hahaha, tão linda, só ela tem essas manias.

18h01. Lá vem. Uma volta no pescoço com o echarp e lá vem ela.

“Oi amor, surpresa!” Falei mostrando as flores que havia comprado minutos antes. E alguns chocolates, claro.
“Faz assim, não fala nada? Eu quero fazer uma coisa diferente! Só me acena se você topa!”
Sem entender nada enquanto segurava as flores, mas com um leve sorriso de surpresa é bem verdade, balançou a cabeça afirmativamente me autorizando começar a realizar meus planos.

Mal sabia ela.

“Então, a gente vai por aqui.” Indiquei a direção e partimos de mãos dadas. Entramos no metrô, calados, só com uma troca de sorrisos e ela me fazendo caretas que mais pareciam dizer: “Você é louco? Pra onde estamos indo?” mas mesmo assim entrando na brincadeira sem estragar o silêncio.
Viagem curta, chegamos no destino, descemos da estação. Segunda rua a direita, seguimos caminhando. No caminho, havia uma linda árvore que eu não faço a menor ideia do nome mas tinha umas flores amarelas muito bonitas, peguei e acrescentei no buquê presenteado.

“Ó, continua assim, tá muito legal, mas agora eu vou te pedir pra parar e fechar os olhos, vou te guiando devagarinho descrevendo os obstáculos pela frente, mas não vale olhar, permaneça assim, combinado?” Comuniquei.
Ela ameaçou uma gargalhada, passou a mão sobre o cabelo de modo que o levasse para trás fazendo-o voltar involuntariamente. Verificou as horas no celular, mas acenou novamente que sim com a cabeça.

“Tá, agora cuidado, me dá sua mão e vamos andando devagarinho. Isso, um passo de cada vez, cuidado com os buracos, tem um AQUI! HAHA, desculpe, continue, tá linda!” Ela apertava minha mão não sei se por raiva do que eu estava fazendo ou por medo de quase cair na calçada. Mas ok.

“Isso, agora vire aqui à esquerda. Tem um degrau, cuidado. Agora espera aqui um pouquinho, sem olhar heim?!” Deixei ela paradinha enquanto ia verificar uns detalhes, confiando que ela não abriria os olhos e estragasse tudo,sei que ela adora essas coisas, depositei confiança.

“Pronto, agora, vamos continuar. É uma escada. Pega o ritmo e vamos, estou te segurando. Isso, agora é uma porta, pode entrar, devagar. Ae!”

Pronto, ufa, não me bate, agora pode abrir os olhos.

Ela ficou muda. Ou melhor, continuou muda. E eu quase morrendo de ansiedade pra saber o que ela teria pra falar, mas ela não falava nada. Observava cada canto com a mão na boca como se não acreditasse no que estava vendo.

“Você só pode estar brincando, né?! Você tem problema?” Me perguntou com as mãos na cintura.
“Ah, então, não estou brincando, espero que tenha gostado, agora deixa só eu fazer uma coisa.” Respondi.

Apaguei a luz.
Agora éramos dois no escuro. Peguei as flores da mão dela e coloquei em cima de uma mesa.
“Você só pode ser louco, não acredito nisso.”
“Pshhhh!” Silenciei a continuação de falar algo por parte dela.

Me aproximei lentamente, encostamos nossas testas, coloquei as mãos dela em minha cintura, e com a minha mão direita comecei a acariciar seu rosto fazendo leves círculos, depois indo até a nuca, entrelaçando meus dedos pelo cabelo.

Nos beijamos.
Ela apertou o abraço e me puxou pra perto. Corpos selados. Aumentamos a pressão do beijo, mudávamos a posição das bocas com certa velocidade. Corações acelerados. A abracei, andamos arrastando os pés, abraçados, até determinada região. Deitamos juntos na cama.

“Só um segundo…” Sussurrei.

Acendi a luz indireta e eu só tive tempo de ver 2 segundos de reação dela ao que via até que me puxou pra cima já tirando a minha camiseta enquanto eu abria os botões da blusinha dela. Ambos oficialmente sem a parte de cima da roupa. Virou-se pra cima de mim e eu só conseguia reparar leves traços de sua silhueta, mas a seguir foi uma das cenas mais espetaculares que já vi vida: Desamarrou o cabelo balando a cabeça de modo que eles caísse levemente sobre os ombros, desprendeu o sutiã e levou minha mão até um de seus seios. Pouca luz, aquele corpo, cabelos, movimento, toque. Tudo era ingrediente.
Deitou sobre mim e começou a beijar meu pescoço enquanto me indicava para tirar a calça. E eu obedeci. Feito isso foi a minha vez de tirar a calça dela. Com certa ajuda, consegui. Corpos. Ali já transbordávamos excitação. Ela sempre foi de ter a iniciativa em tudo. Do pescoço foi descendo pelo corpo beijando tudo onde havia pele. Quando chegou na cueca fez um pequeno charme e me olhou como se não tivesse certeza do que faria, mas fez. Tirou o que me faltava de roupa. Virilha, beijos, carinho, uma mão arranhando do meu pescoço até a minha perna. O calor aumentava desenfreadamente. Com a outra mão tocou meu pênis. Confesso que eu me contorcia. Movimento, muito movimento, força. E boca. Apertei o lençol da cama com uma força que nem eu acreditava ter, tamanho prazer. Ela me levou pra outro mundo, eu não conseguia mais raciocinar, fomos pra uma dimensão onde só havia nós dois. Parou, me olhou e sorriu. Me levantei e fui de encontro a boca dela. Nos beijamos lenta e intensamente. Indiquei para trocarmos de lugar e a levei até a cabeceira da cama. Coloquei um travesseiro em suas costas para confortar e voltei a beijá-la. Por todo o rosto, pescoço, todo o pescoço, lentamente, leves mordidas.  Enquanto isso levava minha mão esquerda até a sua região mais íntima. Leve pressão. Beijo, mais pressão. Ela me abraçou com o braço esquerdo puxando meu cabelo na região da nuca. Gemidos, alguns gemidos.

“Eu disse que hoje seria diferente…” Falei no pé do ouvido com o mínimo de voz possível.
Discretamente com uma das mãos liguei o aparelho de som que começou a tocar uma das músicas que compõe a nossa trilha sonora.

Notei que ela fez cara de surpresa, que parecia acreditar menos, mas ao mesmo tempo revelava um olhar de amor que eu nunca vi antes na minha vida.

Eu sorri.

Desci minha boca para os seios. Lentamente. Lindos, cheirosos, perfeitos pra mim. Com a língua eu fazia círculos ao redor do mamilo e ela se retorcia como nunca antes. Leves mordidas. Gosto de mordidas, ela ama. Fui descendo para a barriga. Ergui e coloquei as pernas dela em cima dos meus ombros, uma em cada, a busca era pelo conforto. Me aproximei beijando a coxa até sua vagina. Ela pressionava minha cabeça para baixo e os gritos se intensificaram. Voltou a me arranhar. Puxava meu cabelo com uma força sem igual. O gemido havia se transformado em grito que ela tentava sufocar mordendo um travesseiro. Comecei a apertar suas cochas intensificando a pressão na região onde eu estava. Revezava o movimento das mãos com toques nos seios e ela puxava meu dedo indicador para a boca. O calor aumentou, muito mesmo. Com o calor veio o suór e só apimentou tudo. Senti que suas pernas transpiravam sobre os meus ombros também já encharcados. Intensifiquei o movimento. Círculos com a língua, pressão, preenchia o máximo da região, ela começou a berrar, escândalo. Força nas pernas, tirou as mãos da minha cabeça e percebi pelo movimento do corpo que ela pressionava os seios um ao outro. Ela queria. Eu também queria. E tinha que ser diferente, tinha que ser daquele jeito. Ofegante. Começou a acelerar a respiração, calor, muito calor, grito, pressão, pernas, força, língua…

“AHH AHH AHHH AAAAAH, ahh, ah, ah.. a..”

Exaustão. Me inclinei para o lado. Ela tirou as pernas dos meus ombros e se encolheu. Seu corpo tremia. Me levantei para me aproximar dela. A abracei por trás, nus, de conchinha. Lentamente ela se acalmava e a respiração voltava a ter pausas.
Passei a mão em seu cabelo para aliviar o rosto e deixá-lo livre.

“Você me faz sentir uma felicidade inédita toda vez que toco seu corpo… Te amo.”

Foi o que eu consegui falar.
Ela se virou pra mim, ergueu a cabeça, colocou as mãos em meu rosto:

“Olha aqui, olha bem pra mim. Olha nos meus olhos. Deixa eu falar uma coisa: De maneira alguma eu quero você longe da minha vida, longe do meu coração, longe dos meus olhos, do meu corpo, da minha pele. Tudo que eu tenho de amor, é seu. Eu amo você, ouviu? Não esquece disso nunca na sua vida!”

Dessa vez eu que acenei com a cabeça concordando com tudo e nos abraçamos novamente. Nus.

“Bom, essa é a hora que você vai me explicar como que armou isso tudo, estou esperando, seu doido”

Ambos deitados de barriga pra cima, comecei a explicar:

“Ai deus, tá, então tá. Olha, você estava muito estressada nesses últimos dias, tudo de incomodava, e te ver mal, me deixa mal. Pensei em mil coisas pra tentar te ajudar até que tive essa ideia. Peguei o máximo de fotos que temos juntos de vários momentos diferentes, imprimi em tamanho A4 todas elas e vim até esse motel. Lembra que passamos aqui em frente uma vez e você falou que parecia gostosinho? Então, eu lembro. Lembra que eu demorei pra te ligar ontem a noite? É que eu estava aqui combinando com a gerência de fazer isso pra você. Paguei a diária e vim decorar, deixei tudo pronto ontem. Coloquei as fotos de modo que as lâmpadas, que são aquelas de mudar a direção, iluminassem exatamente cada uma delas. Olha ali, tem a nossa primeira foto, tem aquela do dia do rodízio de pizza com queijo caindo na sua blusinha e você nem reparando, hahaha, e tem a nossa última de domingo passado. É isso.
Eu amo MUITO você, você nunca vai fazer ideia. Quero te agradecer por ser como é comigo, quero me desculpar por tudo que já errei, eu não sou perfeito, mas tento ser quem te completa e vou continuar tentando. Temos muita coisa boa pra viver e hoje é só uma das coisas “diferentes” que podemos fazer por nós, pelo nosso amor, pelo que estamos construindo. É isso, bom eu falo demais, haha. E ahhh, claro, tem a música, trouxe um pen drive com todas as músicas que já definimos como ‘nossa’, sabe?”

“Tá, deixa eu te fazer umas perguntas: A diária tá paga, né? No Pen Drive tem todas as músicas mesmo?”

“Tá paga e tem sim, tocaram todas agora pouco, hehe, mas você, não sei bem porquê sabe, nem reparou direito em todas, haha”

Sem falar mais uma palavra, ela virou para o lado, apagou as luzes e colocou a primeira música para tocar e virou-se para mim novamente.

E eu achando que sabia surpreender.

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