Eu Quero O Teu “Oi” Pra Sempre

É.
Eu acredito em algumas coisas pra sempre. Acredito que posso fazer a minha parte pra tornar algumas coisas eternas, nem que esse eterno more aqui dentro do meu coração, só pra mim.

A gente se preocupa demais com algumas coisas que ocupam o último lugar na fila de importâncias. No fim, nenhuma roupa de marca ou carro descolado vai ir com a gente pro nosso caixão. No fim, é importante termos a nós mesmos da mesma maneira que tivemos quando nascemos. A idade vai chegar, algumas alegrias de quando criança vão partir, mas o engraçado é que a gente vai voltar a ser criança quando mais velhos ficarmos.

E que cena eu vi hoje, QUE CENA. Sou eu, Márcio, escrevendo aqui um relato que vi a poucas horas.
Estava num ponto de ônibus corriqueiro pra mim, sentei e esperava o meu chegar. Observei que tinha um casal de idosos. O vovô parecia mais debilitado que a vovó. Ele requeria mais cuidados e mal conseguia observar as coisas. A vovó – com tanto amor – segurava sua mão de modo que se fossem em palavras seria algo do tipo: “Calma, estou aqui e não vou te deixar!”. Quando vi essa cena comecei a pensar em tudo que a minha vida é. Em como eu reclamo de cada merda, como eu me queixo de cada coisa, e me vendo assim no lugar deles, eu me senti o pior dos lixos.

Eles não se importavam com mais nada além de um pelo outro. Certamente o vovô não se importava se a roupa que a sua esposa usava era nova, não se importava se ela estava cheirosa, se estava com o cabelo escovado ou algo do tipo. Ele só queria a mão dela ali por perto, e não podia ser outra, tinha que ser a dela. E com certeza a vovó também não se importava em nada dele, na calça esportiva com a barra maior que o normal, na camiseta polo preta desgastada com listras cinzas. Possivelmente é ela que o ajuda a se vestir. Todos os dias.

Parei meu mundo, pausei o iPod – quem me conhece mais de perto sabe a importância que a música tem na minha vida, especialmente enquanto companheira – e comecei a pensar nas pessoas que se afundam em dívidas pra ter as roupas mais legais, só pra chamarem mais atenção, irem nas baladas mais caras, ter os aparelhos tecnológicos mais decolados e por aí vai. Mesmo que não se afundem em dívidas, mas que levam o visual e o status acima de tudo. Pensei também nas pessoas que traem. Pessoas que tem coragem de brincar com o sentimento alheio como se não valesse de nada. Pensei também em quem não se esforça pelo amor, em quem abre mão pelo simples fato de abrir a mão, sabe?

Ver aquele casal vovozinho ali me fez ter mais certeza de como quero conduzir minha vida, com esposa e filhos que terei um dia, me fez confirmar a ideia de que não estou errado nesse mundo, de que meus princípios particulares – desenvolvidos com a vida que tenho – são coerentes para vida que quero levar e tenho levado.

Um casal de idosos me fez pensar em tanta coisa, me fez pensar que a minha vida vale muito mais que qualquer dor ou qualquer aparência, especialmente se eu tiver a quem contar comigo. E sempre temos!

Ainda olhando aquela cena, reparei em como a vovó fazia carinho no vovô. Duas mãos tão cansadas pelo tempo, tão ricas em histórias e visivelmente frágeis, esperando um ônibus num domingo qualquer de Outono. Ela deixava claro que estava lá, que ele não precisava se preocupar com nada. Eles não trocaram uma palavra sequer.

O ônibus chegou e fui me posicionar pra entrar. Atrás de mim senti um solavanco e notei que era o vovô – aquele mesmo tão debilitado, eu não sabia que pegariam o mesmo que eu. Abri espaço para que pudesse passar em minha frente. Ele estava com pressa. Quando passou por mim, estava de mão dada com a sua tão amada e dedicada esposa – de possivelmente décadas de companhia – dei um afago na vovó como se eu dissesse: “Por favor, continue!”.
Eles ficaram na parte da frente e eu passei a catraca.

E quando eu falo que quero ter o teu “oi” pra sempre, estou dizendo para cada pessoa que eu gosto, para cada pessoa que gosta de mim, para quem vou gostar, para quem vai gostar de mim. Vocês todos!
Eu só quero fazer a minha parte pra ter o teu e o “oi” de todos. Pra sempre.

~~~~
E hoje ainda é 1° de Abril.
Fiz uma brincadeira na fanpage do blog no Facebook falando que eu acabaria com o blog, falando de surpresas da vida. ME PERDOEM! Hoje tive certeza de que não posso parar de escrever e mais ainda que a vida é sim cheia de surpresas. E justo eu tinha que viver isso. Justo hoje. 
O plano era escrever mais tarde sobre como uma mentira dói na gente, sobre como é importante a gente dar valor enquanto temos as coisas, porque depois que elas vão embora – no exemplo o fim do blog -, nenhum valor mais cabe ou impressiona. Essa era a minha ideia!
Mas a vida surpreende.
E hoje resolvi sair de casa por 1 hora e vivi a cena que descrevi acima. Aí a lição evoluiu e estou aqui agora, compartilhando com vocês a cena que eu vi, vivi e o quanto aquilo me tocou, de repente cumprindo a minha missão no mundo através de uma das artes que mais amo, que é a de escrever.

Vou continuar escrevendo sobre as coisas que eu vejo e imagino. A estrada é muito longa e eu não percorri quase nada. Enquanto eu tiver uma resposta positiva de vocês que leem aqui, enquanto eu conseguir tocar o coração de vocês, eu vou escrever. E quer saber? Mesmo que me deixem sozinho, eu vou continuar escrevendo, porque a principal intenção aqui não é agradar vocês, mas sim, a mim mesmo. Já disse e repito que o Um Travesseiro Para Dois é o meu terapeuta pessoal. ps: Não me deixem, rs!
Vou brindar todas as coisas dessa vida, vou tentar, com a maior humildade do mundo, usar todas as simples palavras que uso aqui pra estimular a todos vocês – nós – a verem a vida e todas as coisas dela de uma forma especial, não convencional e menos óbvia.

Tudo é especial se quisermos que seja.
Inclusive um casal de vovozinhos num banco de ônibus.
Obrigado pelo que vivi hoje, Vida. 

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9 respostas em “Eu Quero O Teu “Oi” Pra Sempre

  1. Márcio, seu danadinho.
    vamos lá, vou abrir meu coração, se prepara!

    Confesso que quando li a noticia na fanpage de “Um Travesseiro Para Dois” tomei um susto e tive dentro de mim duas reações, muito conflitantes, uma de felicidade enorme, pois você estava indo atrás de um sonho seu e, com uma oportunidade como essas quem diria não – nem tinha me ligado na data e na ironia de tudo, que bobinha eu. E a outra, um sentimento de tristeza muito profundo, por que eu ia ficar sem seus textos que acho tão maravilhosos, puro egoísmo eu sei, mas eu tive.
    E, então não quis pensar, quis te escrever na hora, mas, não tive coragem, fechei o face e segui o domingo.

    No final do dia, quando vi seu post, fiquei mega feliz, aliás acho sacanagem dizer mega feliz, pois é impossível quantificar alguns sentimentos né? Quando vi que era uma brincadeira e ainda teria seus textos a egoísta aqui reapareceu e se sentiu no direito de agradecer, afinal, seria muito fácil passar por esse 1º de abril sem nenhuma piadinha.

    Agora, vem a parte mais importante desse texto, que se tornou o meu comentário: seu texto ficou simplesmente SENSACIONAL, mas desa vez, com um tom tão inocente de criança que descobre doce, eu saboreei de uma forma totalmente inédita suas palavras, ficou muito legal de verdade! Eu só posso te parabenizar por traduzir tão bem, pequenos gestos, pequenos detalhes, cenas singelas.

    Um beijo, da super fã, Carol.

  2. Atualizei o twitter pra ver se tinha alguma novidade, e me deparei com aquela notícia terrível que o blog ia acabar, entrei em choque. Na hora nem pensei que poderia ser uma piadinha de 1º de Abril… Você assustou a gente, Márcio, que bobo você, rs. Bom, agora vou comentar sobre o texto. Novamente me surpreendeu, cada vez escreve algo mais maravilhoso, que toca bem lá no fundo mesmo. E é tanta lindeza que as minhas palavras não conseguem nem descrever tal admiração que eu tenho pelos seus textos, e por tudo que sai daí de dentro de você. Parabéns. ♥

  3. Fiquei em choque quando li que o blog ia acabar, mas quando você disse que era brincadeira, quis te espancar Márcio! u.u hahaha
    Mas enfim! NOSSA, que cena hein? São essas “pequenas” coisas que fazem a gente ver a vida de verdade!
    E sim, você terá o meu “Oi” PARA SEMPRE Má.
    Beijo da “Menina do Paraná”.

    ps: gostei desse “apelido”, haha. :)

  4. Não conhecia ainda este espaço tão lindo mas agora que conheci não vou esquecer e todos os dias passarei por aqui..Nossa adorei…Li Alguns mas os que eu li já me marcaram e de alguma forma me identifiquei. Parabéns.

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