Estou No Meu Direito De Sentir Nojo De Você

Eu nunca falei que vivíamos as mil maravilhas, nunca disse que eu tinha perfeição muito menos esperei algo parecido de você.
Tenho como princípio crer que confiança, respeito e cumplicidade, são algumas bases para que qualquer relação se torne eterna mesmo que chegue ao fim.

Relações não são feitas de perfeição, mas de equilíbrio.

Eu nunca te pedi nada que fosse impossível de ser feito.
Você sempre faz o fim do mundo quando eu pergunto com quem vai nas baladas que tanto gosta. Outras pessoas no meu lugar nem aceitariam que fosse. Eu sempre respeitei seus gostos, sempre respeitei sua vida antes de conhecer a minha, antes de termos a nossa, sempre te dei espaço pra fazer as coisas que tanto gosta. Não significa que eu apoio, mas eu respeito. Ter um relacionamento é ceder algumas vezes. No caso das baladas, pergunto por querer saber quem são suas companhias pra num caso de urgência de precisar falar com você, sei lá, qualquer coisa, eu saber quem está com você e assim poder me comunicar, enfim. E mesmo que seja ciúmes como você diz, não há razão pra tanto stress por uma pergunta simples como essa.

A gente só percebe que os pontos de vista são diferentes quando o futuro não é visto da mesma forma.

E aí que você abriu mão de tudo.
Eu não quero entrar em detalhes pra não reviver a dor, mas eu lembro de cada cena que eu vi, do jeito que você ria com a minha ausência, ou melhor, do jeito que você estava feliz sem eu estar por perto.
Não sabe do que eu estou falando, né? Então ok, eu vou te contar tudo de uma vez!
Sabe porque eu dei exemplo de você reclamando quando eu pergunto sobre com quem vai nas baladas? Porque foi justamente num dia desses, um dia qualquer, que a pulga ficou atrás da minha orelha e resolvi conferir pessoalmente. Eu não gosto muito de balada, você sabe disso, já você ama, por isso nunca te reprimi, enquanto você saía eu também fazia as minhas coisas. Mas teve uma vez, ou melhor, foi ontem, necessariamente, que acordei estranho. Daí que resolvi ir até a mesma balada que você. Pode achar a maior infantilidade do mundo, que seja, sei que foi, mas eu precisava quebrar a minha cara por bem ou por mal. O fato foi que eu cheguei até a tal balada, entrei, fui sozinho, fiquei de canto até te ver sem deixar que você me visse. Aí eu vi um monte de cara chegado em você e suas amigas – algumas delas que não me inspiram uma gota de confiança – mas até aí tudo bem, você é linda, normal os homens se aproximarem.
Fiquei umas duas horas assim, de canto, na minha, e já estava me dando conta que era melhor ir embora, que essa desconfiança ridícula que nasceu em mim era a maior bobagem do mundo e que eu estava fazendo papel de otário indo atrás de você.
Foi no segundo seguinte, quando eu ia dar uma última olhada, você sumiu. Não te vi mais com suas amigas, comecei a te procurar e nada de te achar. Até que perto do bar, num canto meio sem luz, te vi beijando outro. Você estava com o vestido que eu te dei, aquele que ainda estou pagando. Larguei o copo no chão e fui embora. Sentei em frente a sua casa, do outro lado da rua, só pra ver que horas você chegaria. Você chegou as 6hs. Fui pra minha casa. Tentei dormir, mas não consegui e vim aqui te buscar como a gente havia combinado. Entendeu o porquê das minhas olheiras? Não quero ouvir nada. Eu não sabia como chegar nesse assunto mas ainda bem que chegamos, eu ia morrer de angústia.

Por quê?
Essa é a pergunta que me acerta o peito como uma faca! Nunca te fiz mal algum, nunca te desrespeitei e repito, não estou dizendo que sou perfeito, tenho milhões de defeitos, mas eu nunca te dei motivo para não ser respeitado e olha o que você me fez. Justamente na situação que eu mais pensei te deixar livre e não presa a mim, justamente na situação que você mais se irrita quando tocamos no assunto – aquilo que falei de saber com quem sai. Você faz ideia de como eu estou te sentindo? Olha, ninguém me contou nada, eu te vi, foi ontem, ou melhor na madrugada de hoje, já era hoje.
Não sei qual foi a força que me fez assumir o papel de ridículo e ir até aquela balada, mas foi como eu falei, acordei com essa sensação e se eu não fizesse isso eu não ia conseguir agir normalmente.

Por favor, não fala nada, não vomite palavras.

O vestido que eu te dei.
O vestido que ainda nem terminei de pagar.
Ah se isso fosse tudo…
Ia esperar a hora de você se tocar, mas como não teremos outra conversa, eu falo agora: sabia que hoje faz um ano que a gente se conheceu? Não que eu te pedi em namoro, mas que a gente se conheceu.
Lembro como se fosse ontem. Foi numa reuniãozinha de amigos em comum. Fazia frio, você estava de cachecol e falava de modo que parecia que o vento levava as tuas palavras. Tão sutil, você segurava a xícara do chá com as duas mãos e eu achei tão bonitinho. Foi ali que entrou na minha vida.

E ontem te vi beijando outro homem.

É um contraste interessante, né? Que sortudo aquele homem! Eu nem tive chance de sair com você com o vestido que eu dei. E olha que a gente já até havia combinado o dia, seria daqui duas semanas, naquela balada que a gente gosta de ir – essa eu gosto – e a gente combinou que iríamos só nós dois, lembra? Ou melhor, não responda…

Preciso parar de chorar, você não vale nem o meu choro.
Bom, eu não quero sua pena, não quero nenhum sentimento seu, mas por favor, coloque na sua cabeça o que eu vou te dizer: Respeito é tudo nessa vida. Você não é obrigada a fazer o que não quer, mas nem por isso precisa fazer as pessoas viverem situações que não são merecidas. Você não doma o destino ele que te dá o laço. O mundo não é seu, os sentimentos não são seus, a única que coisa que você tem é a si mesmo e de brinde, o teu coração. Esse teu coração aí é o que te mantém viva. É ele que te deixar ir na balada fazer as coisas que gosta – tipo ontem! – é ele também que te orienta a responder “eu também te amo” quando eu sou o primeiro a dizer.
Não quero que nada de ruim aconteça com você, eu ainda sinto amor, mas eu preciso de distância, de tempo pra mim, preciso me recompor.

Já você, sei lá, faça o que quiser. É assim que você gosta de viver: como se o mundo fosse só seu.

Mas feliz ou infelizmente, ele não é.
Tchau.

(texto inspirado em uma sugestão de tema de um leitor na fanpage do blog: facebook.com/umtravesseiroparadois ) 

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Uma resposta em “Estou No Meu Direito De Sentir Nojo De Você

  1. Acho tb que o respeito é a base de tudo e não é pq vc tem alguém, que vai deixar de fazer suas coisas,temos q aprender a ceder um pouco.Mas infelizmente estamos sujeitos a passar por essa traição de confiança e desrespeito.

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