Inclusive Pelo Jeito Que Você Pede a Pizza

Tem horas que eu gostaria de ver como eu sou por dentro. Sei lá, gostaria de ver como o meu organismo funciona, especialmente como funciona meu coração. Imagina que legal entender quando ele acelera, quando ele diminuiu a velocidade, quando ele aperta, quando dói, quando fica feliz, enfim, seria no mínimo interessante. Mas, como eu não posso fazer isso, eu prefiro obedecer tudo que ele pede para eu fazer. E é por isso que eu te ligo às vezes bem na hora do seu almoço só pra saber se você está comendo devagar como combinamos, ou melhor, pra saber se pelo menos você está comendo algo de verdade. Porque agora você colocou na cabeça que precisa de um regime e está nessa moda de comer pouco. Quero só ver quanto tempo isso vai durar.

É inevitável, quando a gente começa uma história, tudo o que queremos é viver os novos capítulos com esse alguém que passou de uma pessoa estranha pra uma pessoa especial na nossa vida, né? Eu quero fazer tudo com você! Mas como eu não posso, eu penso que faço tudo. Olha, se dependesse de mim eu passaria o dia trocando SMS’s com você só pra dividir todas as coisas que eu vejo e fico com vontade de te contar. Todas as coisas, das mais bobas tipo a vez que veio uma cliente no meu trabalho com um vestido exatamente igual àquele que você tanto quer, lembro que tentei tirar uma foto, mas não deu, até as coisas mais sérias, sei lá, não consigo pensar agora em nada sério, rs. Eu só lembro que esqueci de te contar dessa moça.

É engraçado, eu sei que não sou tão normal haha – é que eu acho bem doido às vezes – só que tem horas que eu tenho certeza que eu sou doido. É que eu me pego rindo sozinho quando releio suas mensagens e as pessoas ao redor não entendem nada e fazem cara de “Mas do que diabos ele está rindo?”, aí eu fico com vergonha e abaixo a visão pra parecer mais sério. Tem as vezes também que eu fico reparando em casais esmagados nos apertados bancos dos ônibus. É que eu lembro de como a gente fica. Eu fico meio que comparando como eles são e como a gente é, aí sabe quando você olha tanto pra um lugar que a visão dilata? Então, é péssimo, haha, porque eu não me dou conta que estou olhando assim até perceber que eles ficaram sem graça, mas o fato é que eu não estou ali, estou vendo a gente naquela situação.

O pensamento é uma ferramenta pra encurtar a saudade.

Tem as vezes também que estou na rua, indo pra um lugar qualquer, ouvindo música no modo aleatório e de repente toca alguma que você gosta muito. É claro que me vem à cabeça o jeito que você fica quando ouve essa música. Toda vez você inventa de querer dançar, e pior, inventa de me puxar pra dançar sem se lembrar que como dançarino eu sou um ótimo ouvinte de música.

Quando a gente vive uma história, a gente respira momentos.
Vou te falar que no tempo que a gente fica longe eu também penso em como vai ser se terminar um dia. Não é sempre, mas eu penso. De certa maneira é meio idiota, mas eu já fiquei muito triste por pensar na possibilidade da gente terminar um dia e eu não ter mais por perto a sua visão antes de dormir e nem poder mais presenciar a sua demora pra se arrumar. Aí me bate um desespero tão grande que eu me forço a pensar em outra coisa, no trabalho, no trânsito, enfim, procuro alguma maneira de pensar em algo melhor que a sua ausência.
Talvez eu justifique esses pensamentos pelas coisas que eu vivi antes de você. É, pensando bem, aí faz algum sentido. Porque eu já passei por uma coisas bem horríveis e não gosto de pensar em passar por tudo de novo. Mania involuntária de mexer no passado.

Tem horas que eu gostaria de ver como eu sou por dentro. Queria ver o que existe de tão especial em mim pra você ter dito “sim” quando eu te perguntei se gostaria de começar uma história. Lembra? É que eu não me acho bonito, então, devo ter algo bem especial dentro do meu corpo. As pessoas chama de “beleza interior”, né? Dever ser isso mesmo! Ou não, vai saber. Teve uma vez que a minha mãe disse que eu sou bonitinho e você concordou. Soltaria fogos de artifício naquele dia!
Brincadeiras à parte, acho que eu não queria ver como eu sou por dentro não, pois se eu soubesse como o meu coração é e como ele funciona, eu ia acabar prevendo como iam ser minhas reações diante de você. Tipo, você é maravilhosamente linda ajeitando a alça do sutiã e eu sempre acho muito bonitinho, então, se eu soubesse como sou por dentro, eu não sentiria o que eu sinto ao te ver em momentos como esse. E de previsível, a gente não precisa de nada nessa vida.

Gosto das minhas reações inéditas diante da cada atitude sua repetida.

O jeito que escova os dentes, que segura o celular, que amarra o cadarço, que pega a carteira, que anda de bicicleta, tudo é muito comum e repetitivo, só que toda vez eu vejo de um jeito diferente. Eu sempre vejo de um modo novo, de um ponto de vista inesperado. Gosto de perceber em cada ângulo em você, mesmo você furiosa e querendo sempre tirar foto do mesmo ângulo porque você diz que é “o seu melhor”. Boba. Eu nem ligo. Eu gosto mesmo é de você de qualquer jeito, seja de pijama descabelada, maquiada ou xingando a atendente da operadora de celular. Apesar que aquela ousadia naquele corte de cabelo não caiu muito bem, mãs, haha, brincadeira!

Pensando bem, melhor que saber como eu sou por dentro, é saber que eu tenho você aqui dentro.

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