Te Espero na Roda Gigante

Ê tempo, tempo que passa devagar quando a gente quer que ele corra, que passa depressa quando queremos que demore. Tempo que é inconstante e acima de tudo incontrolável. Tempo severo, que tem horas que tortura, tem outras que alivia. E acima do tempo, estamos nós, eu, você, todos nós, correndo atrás ou na frente do tempo.

É que temos muita ansiedade também, né? A gente não gosta de esperar. Esse negócio de esperar não está com nada! O tempo que a gente perde esperando poderíamos estar aproveitando fazendo, né? É. E não é. Quem pode ter certeza, né? Coloque uma dose de café e temos aí assunto pra uma noite inteira.

Uma noite inteira.
Tem horas que o que bate não é nem saudade, é uma dor de angústia de querer viver uma noite inteira. Ter uma noite felizmente não dormida, celebrando alguns seriados na TV ou algumas revelações na madruga. Uma noite inteira para brindar um ao outro. Todo mundo quer. Eu, você, nós.

E nós, como ficamos nessa história?
Alguns dizem que nós temos que esperar, dizem que temos que fazer por onde, dizem que devemos relaxar, só que tudo é dito pra quem não precisa ouvir. A gente até entende, mas o problema não são ouvidos, é aquele músculo involuntário, também conhecido como coração, que nos mantém vivo. Quero ver alguém convencê-lo desse monte de teoria.

Ter que convencer alguém.
Que coisa mais complicada de se fazer. As pessoas se sufocam nos próprios sentimentos, na própria vontade de fazer com que as coisas aconteçam. As pessoas, repito, eu, você, nós. A gente se enrosca nas palavras de amor, nas palavras de despedida, nas palavras de talvez. Somos um liquidificador de sentimentos. Somos um furacão onde queremos tudo ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo, não queremos nada, onde amanhã amamos e depois de amanhã detestamos. A gente quer convencer alguém que o que sentimos é real e único, queremos deixar claro sobre o quanto gostamos, queremos deixar claro sobre o quanto não estamos gostando mais. Queremos ouvir uma declaração de alguém que talvez ouvirá uma despedida nossa. Abraçamos as possibilidades. “Não tem problema se terminar amanhã, mas fica comigo hoje!”, nos entregamos à submissão da incerteza. Certamente somos uma incerteza. “Continue comigo nesta dança, se caso for, repito a música”, passeamos com a esperança de que algo aconteça, no entanto, com a certeza de que faremos que o amanhã seja especial.

E o amanhã.
Que saudade do amanhã que já tivemos um dia, que ansiedade pelo amanhã que queremos ter, que raiva do amanhã que não chega, que dor pelo amanhã que já chegou.

E chegou o dia de revelar as fotografias.
Criamos álbuns para materializar sentimentos. “Olha que sorriso lindo era o seu naquele dia!” suspira aquele que ama à quem deseja dividir os próximos dias. E a beleza está aí, não na revelação das fotos, mas nos resultados e nos comentários a seguir. A beleza está aí, em toda célula que podemos oferecer.

Isso tudo somos nós, eu, você e nós. Somos uma ferida não cicatrizada, uma ferida ainda não acontecida.
E a verdade suprema é que a gente quer ter alguém pra dizer coisas ao pé do ouvido. Alguém pra suar as mãos dadas num calor ao meio-dia, alguém pra achar graça na travesseia da faixa de pedestres, alguém pra se arriscar na cozinha, pra dizer que ganhamos peso, alguém pra nos ajudar no provador de roupas. Nós queremos alguém, nós, eu, você, nós.

No fim, no fim de tudo mesmo, no fim de todas as fases, nós só queremos alguém.
Nós, eu, você, nós.
Ê tempo.

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