Parei no Tempo ou o Tempo me Parou?

Não sou muito diferente de todas as outras pessoas deste mundo.
Vivo a minha rotina, tenho preguiça de acordar cedo, morro de sono depois do almoço, comemoro a chegada da sexta-feira e no domingo eu morro de preguiça até de viver.

Fisicamente também não fico nem acima e nem abaixo, faço parte da média. Não possuo beleza unânime de ganhar olhares pelas ruas – e das vezes que recebo acho que estou com a roupa suja, sei lá, não sei lidar com elogios e/ou flertes – não tenho tanto dinheiro para ir nos lugares mais descolados da cidade, não conheço muito de tecnologia e não vi os filmes mais cult que se tem notícia.

Eu sou normal e o que há de mais especial em mim é quem eu sou. E isso é tudo o que eu posso oferecer. Mas em um mundo normal isso não deveria ser o bastante?

Tem dias que acordo sem vontade de levantar e se fosse pela vontade de continuar na cama eu entenderia, mas é pela preguiça de encarar mais um dia. Tenho preguiça das pessoas, preguiça da mediocridade, do pensamento pequeno, da atitude desleal. Tem dias em que daria tudo pra ficar em casa a ter que encarar gente mal humorada com a vida, que desconta a raiva me esmagando no metrô como um monte de lixo, enquanto estou no melhor refrão nos meus fones.

Eu não sou diferente de ninguém, tenho minhas manias, um milhão defeitos e uma dúzia de qualidades. Tenho também muito, mas muito amor pra dar a quem fizer meu coração acelerar, ou, vendo diferente, a quem convencer meu coração que ele pode acelerar de novo. É que eu tenho muita dor também, embora eu saiba que isso é péssimo de se guardar. Acontece que as experiências que me fizeram dar o “bom dia” hoje de manhã me machucaram demais e eu acabei me blindando de qualquer nova frequência de sentimento na minha vida. Desculpa esfarrapada, eu sei.

Mas eu quero mudar isso. Estou com saudade de sentir saudade, me faz uma tremenda falta a competição sobre quem vai desligar primeiro o telefone toda a noite.

Esses dias me peguei pensando sobre o que exatamente eu quero. Afinal, se me considero normal, não posso exigir alguém fora do normal, sei lá, alguém incrível, acima da média, tendo em vista que no máximo eu estou na média. Só que como eu disse ali em cima, é tanta dor que tive que viver que não sei quais valores são importantes hoje em dia.
Continuo igual desde a última vez que gostei de verdade de alguém. Lembro que eu admirava o bom humor, a inteligência, a forma de articular um pensamento, o tempo que durava nossos beijos e abraços e o riso vinha quando as mãos inevitavelmente transpiravam. Então, esses dias fiquei sabendo que atualmente o importante é saber se a pessoa é conhecida, se possui um emprego que recheia a carteira, se tem uma beleza de invejar os amigos, enfim, essas coisas, coisas que se tornaram requisitos cruciais para nascer uma história. É esse o mundo em que estamos vivendo? Me peguei, portanto, pensando se estou vivendo na fase errada, tanto é que comecei a frequentar lugares e fazer coisas que eu nunca fiz na vida só pra perceber se é assim que tem que ser. Comprei roupas que eu nunca mais usei, bebi coisas que nunca mais beberei e não lembro de coisas que eu gostaria de lembrar.

Era uma tentativa desesperada de me tornar o que eu não sou e nunca vou ser.
Ou uma tentativa de matar em mim tudo aquilo que eu mais admiro: ser normal.

Mas pelo menos uma das melhores coisas da vida são as lições que temos todos os dias. E essa fase lunática que vivi me mostrou tudo aquilo que eu não quero pra mim. Já ouvi que sou “brega”, que “do jeito que eu me visto” nunca vou encontrar alguém, que das músicas, filmes e livros que eu gosto ninguém gosta. Ouvi tanta coisa que só me provou aquele ditado que de boas intenções…

Não sou muito diferente de todas as outras pessoas deste mundo.
Ou o mundo mudou muito e eu não soube acompanhar.

Troco todo o dinheiro gasto com jantar num lugar bacana + cinema, por uma tarde procurando figuras nos desenhos das nuvens.
E isso deveria bastar, não?

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8 respostas em “Parei no Tempo ou o Tempo me Parou?

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