Sobre o Prazer Em Dividir a Pipoca

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=vOL-AvxD9w4

Me pego rindo sozinho de quem eu sou.
Além disso, rio do que gosto e de como gosto.
Quando tenho motivos convincentes pra celebrar, canto meus refrões até que eu perca a voz. E tem acontecido isso com frequência, e até que me provem o contrário, isso parece ser bom.
Engraçado que quando acham que estou triste, eu só quero que não achem nada de mim, no entanto já entendi que a minha diferença para uma porção de pessoas é que eu amplifico as coisas que sinto, do riso ao choro. Por outro lado, tem gente que prefere sufocar. E de sufoco na minha vida já basta a rotina.

Já faz um tempo que comecei a praticar uma nova forma de ver as coisas. De fato não foi algo fácil, mas hoje vejo que vale muito a pena.
Sobre as coisas que não me trazem sorrisos, tenho tentado ver de modo que precisavam acontecer para que eu pudesse chegar onde estou. É claro que sem elas possivelmente eu chegaria aqui também, mas eu seria outra pessoa, menos forte. As dificuldades me tornam invencível. Já sobre as coisas onde meu riso é solto, ah todas elas, que particular de sentir… “Coloca um riso na sua cara depois de abrir os olhos todos os dias!” entoam os mais sábios. Pois bem, é com base nessa receita que tenho vivido. Quando percebo que nasce um motivo para o meu coração acelerar, trato de aproveitar todas as batidas. Quando vejo que um sorriso pra mim foi dado, no mesmo momento retribuo com o melhor que eu puder dar.

Há quem diga que esse comportamento é a materialização das pequenas coisas. Essas pessoas estão certas!

Veja, seria muito fácil e totalmente comprável manter um discurso de felicidade gratuita, como quem não se vê chorar. Só que não é essa a questão aqui, até por quê me arrisco a dizer que a lágrima é o recheio da vida.

A verdade é que se a gente parar pra pensar, vamos perceber como temos mais motivos pra felicidade do que pra qualquer outra coisa. E nos clichês da vida nós podemos confiar.

Estou com saudade de me banhar na chuva. Quando criança, minha preocupação era voltar pra casa com roupa molhada e ter que ouvir minha mãe esbravejar, hoje penso no resfriado que posso pegar depois. Idade inconveniente.
Entre os planos para a próxima semana está o de me permitir mais, exatamente como eu fazia por essência quando criança. Continuamos as mesmas pessoas, eventualmente com alguns quilos a mais e uma porção de contas para pagar no começo do mês, mas isso não pode ser algo que nos prejudique e mude quem somos.

Por isso que faz tão bem ter a segurança de um abraço sincero. O momento do abraço é o mesmo momento em que ficávamos embaixo do edredom com medo dos trovões: o único lugar onde nos sentíamos seguros. Percebe que continuamos os mesmos e que só mudamos os cenários?

Na época da escola a gente gostava de pessoas que nem sabiam disso. E depois de adultos continuamos iguais. A diferença é que a vida nos apresenta um negócio chamado “indireta” e a gente faz uso dela a torto e a direito. Que adultos, não é mesmo? Na 5ª série a gente até fazia algo parecido, mas tentando chamar a atenção para que fôssemos percebidos. Continuamos iguais.

Hoje se temos vontade de tomar um chá, vamos até a cozinha e o preparamos; pegamos o carro ou o transporte público e saímos para comprar. Quando criança, era só pedir para os nossos pais.

Desde pequenos nós aprendemos como é bom ter um abraço. Em geral, isso era mais frequente nos dias de aniversário quando éramos o motivo de celebração. Depois de mais velhos, raros são os aniversários em que ainda há bolo. Substituímos nossa casa por um bar legal que agrade à todos, eis o momento em que deixamos de ser o motivo e nos tornarmos criadores de motivos. O lado bom é que os abraços continuam os mesmos, as ocasiões é que mudam. Deixamos de cumprimentar nossos amigos com aperto de mão e beijo no rosto como fazíamos na escola e começamos a distribuir abraços em todos que nos fazem bem. Há amor, de uma forma singela, mas há. Mas as formas singelas não são as melhores?

Outra diferença é que quando somos mais novos, não há problema na vida contanto que tenhamos os amigos por perto, com eles tudo é perfeição. Quando crescemos, tudo fica mais especial quando encontramos nossos amigos e estamos acompanhados de outra mão dada a nossa. São multiplicações e variações de bons sentimentos. Novas formas de pensar, velhas formas de agir. Velho amor de um novo jeito.

Vou dizer que tenho histórias pra compartilhar que garantem uma dúzia de risadas a quem eu contar. E além disso, tenho certeza que com o resto do dia que terei hoje, somarei então mais uma quantidade de histórias e ocasiões.

A vida só é normal para quem quer que seja.
Nem as batidas do nosso coração são lineares, por quê deveríamos ser?

Já comentei sobre a minha nova prática? Procuro ver as coisas de um jeito diferente! Não me contento com um único ponto de vista! Não quero estar certo sempre! Não quero discordar sempre! Quero ser contrariado, quero ser convencido de que a minha forma de pensar não é a única… Quero muita coisa.

Me pego sozinho rindo de quem eu era.
E de quem eu sou.
Continuo o mesmo.
Por essência, continuamos os mesmos.

Há fases em que deixamos de ver com os olhos para vermos com o coração.

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