Qualquer Dia Volto a Ser Quem Eu Gostava

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=hA7o59lqOs4

Estou meio irreconhecível ultimamente.
Os motivos pelos quais meu coração faltava sair pela boca em outra época, hoje passam pela minha cabeça como uma brisa de primavera. Ainda estou pensando se isso é bom ou ruim, o fato é que tudo tem andado estranho demais.

Não tenho certeza se hoje faço parte das pessoas que desacreditam das coisas boas, devo admitir, no entanto, que a sucessão de coisas que não deram certo me fizeram perder um pouco a paciência com as pessoas, com o mundo e muitas vezes até comigo mesmo. Eu não queria estar assim, não queria ter mudado assim, mas eu já segurei tanta lágrima dentro de mim que aparentemente tudo se congelou e petrificou meu coração. Tem horas que eu não sei mais quem eu sou.

Se eu pudesse fazer apenas 1 pedido nessa vida, certamente eu pediria pra ter minha reciprocidade gratuita de volta. Muito embora eu tenha sofrido demais por ela, gosto mais de quem eu era do que de quem eu sou. As coisas tem me cansado demais, as pessoas, os discursos cheios de argumentos como se fizesse algum sentido além da teoria, as conversas, mesmas conversas desinteressantes, uma forçação de barra tão estúpida que aos poucos tem me distanciado de alguns princípios que eu sempre zelei.

Não vejo mais brilho no olhar, nem sorriso de orelha à orelha, nem surpresas sem objetivo além de serem surpresas. Vejo as coisas tão programadas, tão aceleradas, tão previsíveis… Vejo pessoas tão desesperadas em ter algo que elas nem conseguem dar, vejo prazeres jogados no lixo ao serem substituídos por sensações fugazes e que não trarão nada a não ser uma aguda dor de cabeça no dia seguinte. Ou eu estou exagerando, ou as coisas realmente mudaram como tenho visto.

Falta espaço pra eu ser quem eu sou e falta motivação para as pessoas acreditarem nelas mesmas. Hoje ninguém acredita no diferente, ninguém considera ser feliz, ninguém se esforça, ninguém confessa, ninguém se declara. Apesar de todos quererem.

E a merda é que eu me vejo contaminado por comportamentos como esses. Já fui da época de me esforçar por quem me trazia riso solto, hoje penso duas vezes e só faço algo quando tenho certeza – se é que existe – de que a pessoa está sendo realmente sincera comigo e não está só em busca de uma cama dividida.

Eu queria gostar de quem já gostou de mim.
Em outra época, certamente isso teria acontecido, mas estou numa fase estranha, nova, adulta, crescendo, uma fase em que infelizmente acredito mais nas propagandas na TV do que nas pessoas que me fazem algum tipo de elogio.

Quando começo a pensar nessas coisas que eu gostaria de ser, lembro das coisas que eu já tentei ser, lembro o quanto me esforcei por pessoas que se fizeram de desentendidas e que pior que isso, pessoas que não valorizavam o que eu fazia e ainda zombavam de mim. As pessoas passam por cima do respeito e da nossa cabeça na mesma passada.

E isso dói.
Afinal, quero dividir a música da chuva na noite de um sábado, mas com quem? Quem vale a pena? Em quem posso acreditar? Pra quem posso me permitir deixar que as coisas aconteçam? Com quem posso deitar sem remorso? Em quem posso beijar de olhos fechados? À quem posso telefonar pra perguntar se está tudo bem? Eu não sei.

Hoje sou algo que não gosto de ser, mas o que me tranquiliza é pensar que isso é uma fase, que hora ou outra voltarei a ver encanto e voltarei a me fascinar pelas pequenas coisas como já fui um dia, me tranquiliza pensar que eu tenho certeza que há uma pessoa lá na frente pronta pra querer um abraço meu e pronta pra receber o melhor dos meus.

Para as coisas mudarem, primeiro preciso querer que mudem.
E eu quero.

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