Quero Te Falar de Ontem, Chega Logo

Leia ouvindo:

São coisas que não dá pra fugir e por isso é melhor encarar.
As decepções que vivi até que me fizeram ter ideia de até onde as pessoas podem chegar. É claro que os limites sempre podem ser superados, mas a experiência nos dá a noção do nosso próprio limite.

Outro dia em que declarei os meus melhores sentimentos, tive em troca uma boa dose de “não sou o bastante pra você”. Teve a vez também em que só fiz um convite e ao ser forçadamente recusado notei que eu estava vendo coisa onde não tinha. Experiências.

Há também as ocasiões onde não conseguimos retribuir. E isso é tão injusto. Pessoas especiais nos definem como ainda mais especiais e o máximo que conseguimos fazer é agradecer, nada de retribuição, nada de reciprocidade, só gratidão. Nessas ocasiões, todas as outras aquelas em que a lágrima dói ao escorrer começam a fazer sentido pra gente.

Como dói gostar de alguém sozinho.

E pode colocar aí na lista a dor de gostar de alguém que nem conhecemos.
Sendo didático, significa a dor de querer ter alguém para gostar. Uma dor que só sabe como é aquele que está vivendo, pois quem já viveu algo parecido, foi só parecido. A gente se identifica no dia a dia com histórias que parecem com a gente, mas elas nunca são iguais.

Aquele que sente dor vive colecionando pontos de vista que abracem o coração.

Gostaria de ter uma explicação convincente para entender os Médicos de Ocasião. São aquelas pessoas que sabem tudo o que sentimos, o que devemos fazer, falar ou não. É tanta vontade de ajudar que acaba atrapalhando.
Quando abrimos o nosso coração recheado de lamentação por uma fase não favorável, nem sempre a gente quer definições acadêmicas, opiniões experientes ou algo que o valha, tem horas que só queremos ouvidos novos emprestados, e isso acontece quando a parede fica cansada de nos ouvir. Pois ela é sempre a quem primeiro recorremos.

Assim como centenas de coisas inexplicáveis dessa vida, sentir falta de algo que não existe acaba fazendo todo o sentido. É sobre a falta que a falta faz.
No fim das contas é melhor passar horas no telefone tentando resolver uma briga do que não ter briga para resolver. Sabemos do quanto isso faz sentido.
É uma fase já tão delicada e as situações ao redor parecem contribuir para dificultar tudo ainda mais. Reconheça-se sozinho e verá um aumento no número de casais pela cidade,  verá a estreia dos melhores filmes, verá que as noites serão cada vez mais frias, verá que os fins de semana passarão ainda mais devagar. Basta reconhecer que está sem ninguém.

De nada vale uma promoção com acompanhante se não há um acompanhante para presentear. E não seja tolo você que discorda, pois sabe exatamente o que isso significa. Há ocasiões para todas as pessoas que cercam as nossas vidas: amigos, colegas, família e ocasiões que queremos viver com apenas uma pessoa.

Nossa vida é feita de todos os sentimentos, ninguém vive sorrindo ou só chorando. São dias, fases. Faz parte sentir raiva, faz parte amar demais, assim como faz parte se sentir sozinho demais e o perigo está em isso ser o atalho para uma solidão infindável. Existem pessoas que não conseguem sair de casa, pessoas que só tem amigos virtuais. Outras que não conseguem fazer novas amizades, que não conseguem fazer nada além da rotina de trabalho de segunda à sexta e da espera pelo começo da semana aos fins de semana. Louco, né? São perfis, são fases, somos nós seres humanos.

Nesse sentido a melhor saída é só respeitar, não precisa se sentir na obrigação de ajudar em nada, de falar a palavra certa. O respeito é um nobre sentimento que precisamos todos os dias e em todos os momentos da nossa vida.

O amor, por essência, é imprescindível para os nossos dias, basicamente por ele ser manifestado em diversas situações. Já o amor designado a outro alguém, é crucial para a manutenção dos nossos sorrisos. A gente vê mais felicidade na vida quando chegamos em casa e podemos telefonar para alguém contando sobre o que vivemos. A rotina é mais divertida, as dores de cabeça são mais passageiras, os filmes de terror não aterrorizam tanto assim, as filas de espera são toleráveis bem como a espera pelo ônibus. Quando temos alguém, a vida tem outro sabor. Quando amamos alguém, a vida ganha um novo sentido.

Amor à vida e a si próprio acima de tudo e ter a quem amar a favor da vida.
Essa é a meta.

Ainda resta alguma paciência. Te espero.

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