Dois Pontos, Parágrafo e Travessão

Leia ouvindo:

A gente se falou pela internet uma duas ou três coisas e não falamos mais nada. É claro, a minha intenção era estender o assunto, plantar alguma coisa interessante, sei lá, algo que você gostasse de falar, mas sabe o que eu consegui? NA-DA.
É, basicamente não consegui pensar em algum assunto relevante e pra falar bem a verdade já que o momento é esse, não senti que você tinha gostado de falar comigo. Pode ser coisa da minha cabeça eu sei, e ela é cheia dessas, mas foi a impressão que eu tive.

O fato é que ficamos meses sem conversar. Cada um foi seguir a própria vida, fazendo suas coisas e nenhuma nova palavra nós trocamos. Eu não curtia seus posts e nem você os meus, parecíamos invisíveis. Mantivemos o contato virtual por um motivo: não sei. Mas mantivemos. Acho que fomos naquela da conveniência de “não faz bem, nem mal, então ok”. Vai saber. Chuva de interrogações.

Aí essa vida caprichosa fez as coisas mudarem aos pouquinhos e sem querer  a gente se encontrou. Você lembra?
Era show de uma banda que só descobri no dia que você também gostava, afinal, como já falei, a gente tinha trocado umas 4 ou 7 palavras nessa vida.

O legal é quando é inesperado.

Estávamos entre amigos em comum e ali vivemos uns momentos engraçados, recheados com sinceras risadas e muita desenvoltura na pista da balada  e os dois ali cantando os refrões da, então, banda da noite. Você vestia jeans e jaqueta. E aquele dia foi assim. Me despedi e voltamos pra estaca na qual havíamos parado: a zero.

Olha, não sou muito bom com calendários, você é? Se não me engano, poucos dias depois em uma ocasião especial a gente se viu outra vez. Um pouco diferente, trocamos menos palavras e as circunstâncias impediram que refrões fossem cantados. Daí quem foi embora mais cedo foi você. “Um beijo” e tchauzinho.

Logo no dia seguinte, alguma força do além me fez te convidar para ir num lugar muito legal que eu ia com amigos. Você disse que provavelmente não daria e eu, incansável, te seduzi convenci e você apareceu lá depois de horas, de vestido azul. Naquela ocasião sim, ficamos boas horas falando sobre as interrogações da vida, sobre o modo que os nossos corações já bateram nessa vida e mais coisas assim que a minha memória manda beijos.

É curioso pensar que fazem uns 120 dias dessa sequência de acontecimentos e que antes disso, vou repetir, não havíamos ido muito além no que configura-se um diálogo, muito embora, (posso repetir as coisas sem parar?), eu tinha intenção de prolongar o assunto desde meados da primeira vez, mas por motivos de: não consegui. Eu simplesmente, não consegui.

Tá, perdi e cronologia dos acontecimentos mas lembro que finalmente começamos a nos falar mais vezes, tanto que, intrigado, voltei a nossa conversa no bate-papo para a primeira vez que havíamos conversado (aquela que já mencionei 4564874 vezes) e faziam, basicamente, 12 meses desde que nos falamos. Te revelei isso e uma porção de “Hahaha” nós trocamos ao relembrarmos.

E assim os dias foram passando. Conversas despretensiosas aqui e ali, meia dúzia de palavras bonitinhas para colocar flor em tudo e marcamos um novo show. Em tempo: é visível nosso gosto por shows.
Continuando. Lembro que num gesto de ousadia e atitude masculina maiúscula no qual me orgulho até hoje, me antecipei e comprei nossas entradas dias antes do show e só te avisei quando já havia comprado. Me dei por convencido quando você dissertou “Hahaha” como se aprovasse minha atitude.

Já mencionei que desde o seu vestido azul aumentamos consideravelmente os nossos diálogos e a consistência dos mesmos? Quero enfatizar, foi um aumento muito significante, a ponto de entrar para a minha rotina de momentos do dia.
Conversávamos – e até hoje é assim – num delicioso e liso jogo de entrelinhas, no qual já confessei me fazer bem por entre outros motivos, aguçar minha agilidade em raciocínios rápidos. Filosofei agora para agregar valor às nossas conversas.

Fomos ao show e tudo foi muito especial. Exceto eu que fui 30% de mim mesmo e a justificativa que tenho para isso é: fiquei tímido. Esse argumento é válido depois dos 20?
Bem, dentre todos os refrões que cantamos ali, os únicos que eu sabia e ma-le-má, eram os da língua que não é minha de origem. Já você, sabia até o nome das músicas das revelações da noite. Impressionou. Encontrei conhecidas mas com sucesso consegui despistá-las rapidamente. Até que eu consigo fazer alguma coisa, e mais, fazer alguma coisa rapidamente.

Sua realização pelo show foi de 47% por problemas na organização que te impediram de cantar os refrões de quem mais queria. Fizemos piadas com a situação, exercitando a tal “é rir pra não chorar” e esperamos o espetáculo acabar.
Fim da música, partimos para fora e te convidei para uma esticadinha visita a um lugar que eu nunca havia ido e que julguei ser pertinente para a ocasião. A intenção era comermos algo diferente e consolidarmos nossas conversas, no entanto seu sono foi mais convincente que eu e fomos embora. Entre uma dose ou outra de risadas aqui e ali chegamos na sua casa. No maior estilo Esse Cara Sou Eu, abri a porta do carro e me certifiquei de que chegava em casa igualmente estonteante, e diferente do azul, dessa vez com um vestido preto (rendado?) como opção fatal de look da noite.
Beijos de gratidão, instruções de volta pra casa e parti rumo a minha.

Na volta, tenso pelas solitárias avenidas, comecei a relembrar cada segundo da ocasião e ali já me gritava o arrependimento pelos meus 30% de desempenho, muito aquém do que posso oferecer. Águas passadas.

Mais semanas e dias foram passando, um “feliz natal” pouco após a meia-noite de você eu ganhei e um “feliz ano novo” nas primeiras horas do primeiro dia do ano eu te dei.

As coisas são mais ou menos assim na vida: tem gente que faz de qualquer jeito, tem gente que faz de um jeito especial.
E vai lá, vai lá saber, tem alguma água pra correr nessa cachoeira, até por quê, a quantidade de filhos já foi definida.

Por enquanto foi assim.

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