Começou Comigo Querendo

Leia ouvindo:

Já ouvi e não foi só uma vez o discurso batido de “Você gosta demais”, “Você se apega demais”. Como se fosse algo que a gente pudesse pegar o controle remoto e simplesmente desligar dizendo: “chega, esse é o limite.”

Quem muito pensa no limite, se afasta do inesperado.

Pois se for pra viver pensando em até que ponto eu posso ir, é melhor parar por aqui e procurar uma caverna pra esperar a vida passar. Esse negócio de querer controlar o que se sente não está com nada. Há uma diretriz impulsionada por experiências que já tivemos, que  nos fazem ver melhor até onde podemos insistir e quantas vezes podemos tentar de novo, mas não há uma regra. É só uma ressalva.

A aula da vida começa pela lágrima.

É quando as coisas não vão como o esperado que a gente aprende mais. Quando tudo está dando muito certo, acredite e não se encante demais, algo está desequilibrado. É claro que não quero dizer que o ideal é a desordem e a falta de paz, mas sim que é importante pensar que faz parte as coisas não darem tão certo às vezes. Tem dias que a gente pega muito trânsito, tem outros que só pegamos trânsito.
A precaução não evita sofrimento, mas alerta a gente.

Por isso eu sou assim: se for pra viver algo que seja algo para eu lembrar depois. Experiências que não rendem histórias não são lições. São só experiências como o garfo diferente de ontem que você pegou hoje.
Depois que comecei a pensar nesse sentido foi que eu comecei a valorizar as coisas que me acontecem e as pessoas que aparecem na minha vida. Continuo o mesmo dos 15, que fantasia uma perfeição surreal de como as coisas poderiam ser, – e pensar assim até me faz bem para manter o pensamento de como às vezes as coisas acontecem só por mágica, – a diferença é que agora eu uso os meus olhos de um jeito mais inteligente. Aprendi a fazer com que todos os meus sentidos ajudem o meu coração a se decidir. Nisso, incluo a intuição, a incerteza, a dúvida, a cautela, entre outros que fazem parte da gente.

Somos uma cachoeira de acontecimentos, onde tudo acontece num piscar de olhos e quando nos damos conta já são águas passadas. Vale aprender a surfar pra poder lidar com isso.

Então eu me pergunto como se comportam as pessoas que me perguntam como eu sou. Imagino que elas se envolvam com as pessoas seguindo alguma espécie de mandamento, não sei, algo no sentido de: “Melhor eu parar, acho que estou gostando demais!” MAS ORA, se essa é a verdade, por quê parar? Se uma vez não deu certo, não significa que não dará nunca mais. Preciso de meia hora conversando com gente assim pra perceber que elas só sentem uma coisa: medo. Medo de ser feliz, medo de arriscar, medo de gostar de alguém como se isso fosse uma punição, medo de sofrer, medo de aprender, e tudo isso misturado, resulta no medo de viver.
Ninguém sai de casa sabendo como vai ser o dia, que apesar de ser o mesmo para todas as pessoas, é vivido de uma forma diferente por cada pessoa nesse mundo.

Feliz foi o dia que permiti que gostassem de mim. Nunca fui de me policiar, mas as mesmas lágrimas que hoje me emocionam já foram refúgio para as dores que vivi. Só que faz parte. São os dias que nos fazem melhores, não os “eu te amo” que nos falam.
Me permiti e a minha vida mudou.
Me afastei das pessoas que mais preferiam me apontar o dedo do que estender a mão, me afastei também de gente que na lista de prioridades me colocava sempre na última posição. Em outras palavras, me aproximei da minha própria vida.

E de presente, a vida me trouxe você.

Ainda não tenho certeza se realmente mereço as coisas que você me faz, por isso, aos poucos também estou mudando o pensamento de “Deve ser mentira, deve ter algum interesse, que seja passar o tempo” para “Até que enfim, agora é minha vez de ser feliz”. Você me fez acreditar mais em mim mesmo. O seu jeito me inspirou a melhorar coisas que eu não conseguia mudar, mas pudera, nunca tinha enxergado espaço para melhora, só que estava tudo errado.  Essas coisas entram no assunto de você me ajudar sem falar uma palavra, como eu já te falei antes.

Não dá pra prever como vai ser amanhã, mas já me faz bem ser feliz hoje, pois é esse hoje que estou vivendo e o amanhã é só mais uma das incertezas que recheiam essa vida.

E incertezas não necessariamente são ruins.

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Uma resposta em “Começou Comigo Querendo

  1. “É quando as coisas não vão como o esperado que a gente aprende mais. Quando tudo está dando muito certo, acredite e não se encante demais, algo está desequilibrado.” Concordo,é sempre bom ficar alerta para tudo ao nosso redor mas nunca esquecendo de viver né rs.

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