Vem Cá, Prova Essa Carapuça

Leia ouvindo:

Reclama tanto que nada muda, mas pouco faz pra que algo mude.
Vive compartilhando coisas com uma intenção positiva, mas pouco se faz uso dessa intenção. Faz de teimosia e visita lugares que não trazem boas lembranças.
Sabe que não é algo que traz sorriso, mas canta refrões que levam pro passado ao invés de inspirar o presente.

Se queixa tanto de ter a solidão como única companhia nos últimos tempos, mas não procura outra.
Recusa os convites de sair porque não tem muito dinheiro pra gastar, mas também não sugere nada que seja legal e que também possa convidar outras pessoas. Chora ao ouvir histórias de conhecidos falando o quando se deram mal e brada: “As pessoas não valorizam mais nada”, como se valorizasse, pelo menos a própria vida, o que dirá, as pequenas coisas.

Se torna Analista de Histórias das Outras Pessoas e aconselha fulano e ciclano sobre o que fazer, mas não sabe lidar nem com a dúvida sobre qual filme assistir.

Reclama que gostaria de mudar o visual e comprar roupas novas, mas gasta todo o dinheiro com futilidades e coisas completamente dispensáveis.
Não gosta do próprio corpo mas só pensa em mudar a alimentação depois de cada uma.

Se frustra quando no seriado da TV a pessoa erra e não pede desculpas, defendendo a
tese que o orgulho é uma verdadeira merda e só estraga toda e qualquer relação, mas, não se lembra da última vez em que admitiu errar e pediu desculpas.

Quando viaja, fotografa os lugares para compartilhar nas redes sociais mas pouco aproveita de cada minuto lá. Vale ressaltar, no entanto, que isso não é um crime, pois é muito gostoso compartilhar com os amigos os momentos que julga interessante, só não é justo desperdiçar a vida real por uma vida que embora seja também muito presente, é de fato, virtual.

Critica novas músicas, mas não descobre nenhuma boa o bastante.

Torce o nariz vendo demonstrações de carinho pelas ruas, quando o que mais queria era viver algo parecido.
Quando finalmente aceita sair com os amigos num sábado a noite, não facilita para ser sociável, não se esforça pra ser no mínimo agradável e desrespeita até quem demonstra interesse por algo a mais.

Abre mão até das possibilidades que a vida apresenta por conta própria.

Só que no fim, gostaria de voltar pra casa com histórias pra contar, podendo dividir indiretas e posts de ressaca teórica na internet no dia seguinte.
Reduz os planos para viver pagando dívidas sobre aquelas mesmas coisas dispensáveis, não ousa, não sonha, não arrisca, não tem 1 minuto de loucura por fazer algo que contrarie o convencional.
Não anda no parque porque reclama do calor, mas vive em busca de um óculos de sol descolado.

Desaprova as estreias românticas no cinema, mas baixa todas pra assistir em casa e saber do que se trata.

Uma vida – ou uma fase – toda mergulhada numa porção de angústia sobre coisas que gostaria que acontecessem para si, mas não move o menor dos dedos para que aconteçam, não faz o menor esforço para viver.

Pronto.
Gente assim, vez ou outra na vida, somos nós.
Somos escritores da nossa própria vida.
Da própria, vida.
Tome nota.

#CURTA: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

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2 respostas em “Vem Cá, Prova Essa Carapuça

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