Não Vejo a Menor Graça em Ser Assim

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Funciona da seguinte maneira: A gente raramente sabe como agir, e quando sabemos, na verdade nem sempre sentimos o que achamos que sentíamos. Esse negócio de lidar com alguém em nossa vida não é algo que podemos chamar de fácil, o que não significa, claro, que não seja algo que podemos chamar de bom.

Só que a vida parece mais fácil nos filmes.

Eu não sei bem o que aconteceu comigo nos últimos anos, mas o fato é que pouca coisa me brilha os olhos, pouca coisa me encanta e pouca, mas bem pouca coisa mesmo me impressiona, sendo assim, eu fico triste em não conseguir retribuir os sentimentos que pra mim são direcionados, e o pior, isso não é de hoje, já faz muito tempo que eu não me reconheço muito bem e não sei até que ponto isso me faz bem.

Eu simplesmente não consigo sentir o mesmo.
É uma merda porque acabo saindo das histórias como a pessoa insensível e isso não é verdade, só que sei lá, eu não consigo fingir algo que eu não sinto, não consigo dizer que amo se ainda estou apenas gostando, não consigo dizer que sinto falta quando na verdade estou bem vivendo a saudade saudável.

Minha sinceridade é o meu pior defeito.

E só eu sei como eu fico quando chego em casa e me vejo dentro dessa situação. Sem conseguir demonstrar qualquer sentimento, ou melhor, até demonstrando uma certa indiferença que por mais surreal que pareça, jamais é na maldade ou com o objetivo de esconder algum outro sentimento.
Nesse sentido, eu poderia encontrar aqui mil possibilidades que justifiquem como a vida tem sido pra mim, mas eu acho que consigo resumir em uma só coisa: Está tudo estranho, ou talvez eu seja uma pessoa estranha demais. Vai saber.

Poucos sabem, até por eu não demonstrar praticamente nada, mas eu fico feliz com os finais felizes dos filmes e com as histórias de amor que ouço por aí, sendo assim, é claro que eu gostaria de viver algo parecido, sei lá, sentir esse tal de frio na barriga antes de encontrar alguém especial, querer mandar SMS carinhosas e coisas do tipo, mas eu não consigo. Do contrário, eu fico na minha sem ver a necessidade de muito esforço e quando me dou conta estou fazendo uma pessoa sofrer de novo. Já perdi as contas de quantas vezes eu tentei parar tudo e entender como eu sou – ou tenho sido, sei lá – mas eu nunca consegui explicar o que nem eu consigo entender.

Se eu pudesse, eu não seria quem eu sou.

Sem querer me prolongar demais, mas talvez faça sentido a tese de que me tornei uma pessoa próxima ao gelo tamanha a sensibilidade, devido as experiências que coleciono nessa vida. Não são tantas a ponto de completar um álbum, mas nem sempre quantidade significa intensidade, na verdade, quase nunca.

Inevitavelmente, eu penso em algumas coisas que já passei desde a adolescência, alguns problemas que pareciam pequenos para algumas pessoas enquanto pra mim era a maior das gotas d’água. Isso envolve uma questão de subvalorização de mim mesmo, onde me via inferior à maioria dos meus amigos e onde parecia que o mundo girava mais devagar pra mim. Só pra mim.
Talvez por isso, pouco a pouco eu fui me distanciando do senso comum de gostar de alguém, fui me distanciando da tal necessidade de ter alguém pra dividir as coisas do dia a dia. O lado bom é que acabei aprendendo a dar um valor inestimável à mim mesmo, que serei, pra sempre, a minha própria companhia.

Reparei que quando a gente depende de alguém, a gente acaba esquecendo de ser nós mesmos.

Posso nunca ter sido a pessoa ideal nos meus relacionamentos, mas nunca poderei ser questionado por falta de sinceridade. Nunca enganei ninguém, e se eu vivi histórias que acabaram da noite pro dia, foi porque me vi numa situação que não era honesta comigo, quanto menos com a pessoa com quem eu estava.

A perda é igual pra todos, o que muda é a forma que ela se manifesta e seus efeitos.

Histórias, talvez traumas, da infância fazem sentido em uma linha de raciocínio ao tentar explicar o que eu me tornei hoje, bem como eu sei que fui fundamental para que muitas das pessoas que já compartilhei beijos, abraços e noites no edredom aprendessem a considerar todos os tipos de pessoas, inclusive, aquelas que não conseguem demonstrar direito os próprios sentimentos. Tipo eu.

Ainda a respeito das lições da vida, outra muito boa que aprendi é que as coisas mudam, quer queira, quer não. O mundo dá voltas iguais de formas diferentes. Os dias não nascem iguais, o canto dos pássaros nunca é o mesmo e as formas das nuvens também são diferentes umas das outras, isto é, eu sei que eu posso mudar e muito ainda, que amanhã posso ser uma pessoa completamente diferente em milhares de sentidos que hoje me norteiam como consolidados. E quer saber? Se isso realmente acontecer eu vou achar maravilhoso, porque se tem uma coisa que eu gosto nessa vida e demonstro pro mundo o quanto gosto, é de aprender alguma coisa. Primeiro porque eu evoluo com isso, segundo que eu posso compartilhar com mais alguém esses meus aprendizados.

Está vendo, eu sinto muitas coisas e consigo demonstrar, só não consigo forçar tudo isso.

Ele já foi inundado por tanta lágrima que ao invés de secarem, o transformaram em gelo. Mas de qualquer maneira o que eu tenho aqui continua sendo um coração.

Que só espera pra ser despertado na hora que ele quiser.
As coisas já tem mudado, comecei a me permitir mais.

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