Só Continuo Aqui Por Gostar do Amanhã

Eu já vivi algumas coisas nessa vida.
De todas, muitas eu gostaria de esquecer.
Teve vezes que eu me deixei levar por pensamentos como “Se não agora, nunca!” e acabei me arrependendo depois. Teve outras também em que eu me vi refém de pensamentos do tipo “Calma, espera a hora certa!”. Nessas situações, só pra citar dois exemplos, me vi do jeito que eu me tornaria quem sou hoje: uma perfeita gangorra.

A gente demora pra perceber o que a gente quer de verdade porque todo dia queremos uma coisa diferente.

E isso até que faz parte.
A gente não gosta muito da consciência das coisas. Por isso divertida mesmo é a noite, principalmente se for dentro de uma balada qualquer, com pouca luz e a pouca existente em movimento alucinante, fazendo a gente perder o medo e encontrar a coragem. Só que chega uma hora que a gente começa a ver beleza no sol ardendo as duas da tarde de um sábado de verão, a gente aprende a pensar que gostamos do que nos faz bem e que isso, de fato, não tem hora para acontecer. Então as luzes da madrugada voltam a ser apenas luzes e a gente passa a sair mais vezes durante o dia.

Eu nunca me entendi direito.
Já beijei bocas sem ter um pingo de vontade, já correspondi saudade sem sentir nada nem perto do mesmo, e pior, já respondi “eu também” em alguns dos “eu te amo” pra mim ditos, para evitar semblante de frustração. Não me orgulho em nada disso, mas gosto de voltar a falar sobre pra me lembrar de tudo que eu não posso mais fazer. E aliás, imagina que bom seria se isso fosse rotina nas pessoas?

Imagina que bom seria se as pessoas usassem mais o coração do que a boca pra falar?
Alguns efeitos colaterais existiriam, é bem verdade, mas seria honestamente mais confortável e profundamente mais bonito.

Sabe, eu não posso cobrar muito do meu destino.
Até que eu tenha certeza que sou uma pessoa pronta para fazer outra feliz, eu não posso me cobrar, mas essas coisas a gente só descobre com o tempo e com a tentativa, pelo menos isso aprendi. Por isso faz muito tempo que não recuso mais convites ou ignoro qualquer pequena manifestação de carinho de alguém por mim, e com isso, comecei a gostar mais de viver.

Quando a gente aprende a ver as coisas com o coração a gente vive mais feliz.
E aí o amor e o perdão começam a fazer mais sentido nos nossos dias.

Por isso que, embora me arrependesse depois por outros motivos, eu nunca me importei se a pessoa proprietária da boca que eu beijasse teria visual para caminhar de mãos dadas no shopping a tarde. Procuro fazer companhia para essas normais e solitárias formas de ver com novas formas de aproveitar.

Sempre tem como a gente valorizar um pouco mais quem faz menos pela gente, afinal, o valor não está na quantidade mas na qualidade.

Engraçado que se me perguntarem como eu me vejo daqui a alguns anos, já tenho a reposta na ponta da língua: me vejo alguém feliz fazendo alguém mais feliz ainda.
Apesar de todos os erros que cometi até hoje, no fundo eu sou apenas mais uma pessoa ferrada em busca de um abraço que o relógio não possa controlar, sou apenas mais uma pessoa que chora quando o casal se dá bem no filme, sou apenas mais uma pessoa que tenta fazer alguma coisa, por menor que seja, pra ver o sorriso de quem eu gosto. Então, é justo que eu queira ser feliz e mais justo ainda seria se eu encontrasse alguém que eu pudesse dedicar todo o meu esforço em fazer feliz. Alguém de verdade, não alguém por conveniência, alguém para chorar e rir na frente, pra eu aprender e pra ensinar o pouco que eu sei.

Tem vezes que a vida bate a nossa porta e a gente ignora.

E eventualmente eu penso nisso. Sabe, já perdi tanto tempo me entregando para quem não fazia a diferença em saber se meus dias tiveram sorrisos, dentro de uma certeza cega que só me aliviava momentos depois de eu fechar os olhos olhando pro céu da minha cama. Tive chances de resolver isso, mas preferi continuar na aventura prazerosa da dor.

A vida começa a mudar quando a gente começa a querer que mude.

E faz tempo que venho querendo isso.
Sendo assim, faz sentido eu lutar pra ter alegria nos meus dias.

Mas como eu não posso só “querer” pra sempre,
pouco a pouco eu vou fazendo o hoje se tornar isso que chamam de pra sempre.

CURTA: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

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