Pago Pra Ver Acontecer Uma Segunda Vez

Sei que eu não sou uma pessoa perfeita.
Sou lá cheia das minhas manias e do meu jeito de encarar a vida, mas nem que fosse possível me tornar uma pessoa perfeita, eu não ia querer.
Gosto mesmo é do desafio de aplicar aqui a lição que aprendi lá atrás, por mais que eu não tenha distribuído sorrisos durante as lições. Mas isso é outra história.

Já fiquei em dúvida se eu sei bem como fazer alguém feliz, sabe?
É meio maluco, eu sei, mas é normal a gente rever algumas coisas quando elas não tem dado muito certo.

Eu gostaria de lembrar de você menos do que eu lembro.

Gostaria de ter aquele desapego com o que eu sinto. Queria mesmo é colocar na prática aquele negócio de “a fila anda”, de “o que passou, passou”, mas antes de eu querer qualquer coisa eu preciso respeitar o jeito que eu sou.

Eu lutei pra não me ver longe de você.
Lutei pra manter comigo o seu apelido na agenda do celular e pra ter a companhia da sua risada durante os seriados na TV, mas eu fiz o que pude, fiz tudo o que estava ao meu alcance até aceitar que vivia contra a minha própria vida, e não a favor dela. Era eu contra o jeito que os dias passavam.

O problema é que de todos os motivos que colecionei pra me fazer acreditar que te ver partir seria o melhor pra nós dois, todos eles, um por um, caem por terra diante da minha preocupação em saber porque não vejo mais notícias de um sorriso no seu rosto.
Eu deveria me afastar e focar minhas energias exclusivamente para a minha própria felicidade, mas se eu não entendo, não vou exigir que alguém entenda – muito menos você – como eu ainda me preocupo com quem não compartilha mais dos meus dias.

O corpo tenta enganar mas o coração sentencia que só a verdade corre pelas veias.

Fico imaginando o que raios acontece na sua vida que não vive da felicidade que tanto esperava. Pois é, ao invés de me preocupar com a minha, vivo a indignação de não entender a sua.

Se chama amor, não tem tradução ou formas de explicar.

Vez ou outra trago sem querer uma lembrança abusada da última vez que a gente se viu. Lembro que as coisas já estavam bem entre a gente, e então, levei comigo a sua imagem sorrindo depois do meu último adeus até aqui. É o tipo de momento que gosto de reviver sem ninguém, só pra me aquecer.

Será que a saudade que sinto também faz morada no seu peito antes de dormir?

Já me perguntei coisas como essas um milhão de vezes.
Nessa busca em entender porque você mudou tanto, acabo encontrando tempo pra voltar a lembrar da gente. E não, eu não gostaria que isso acontecesse.
Sei que passou um bom tempo desde que o nosso abraço deixou de ser acompanhado de um beijo de “que bom te ver de novo!”, mas é natural, eu fico pensando se você encontrou um pouco de mim em todas as bocas que já deve ter beijado, fico pensando se quem te viu sorrir depois de mim conseguiu perceber como você ri de um jeito diferente, de um jeito só seu que eu até poderia detalhar, mas eu prefiro só me lembrar pra não me machucar mais.

O problema é se tornar refém do que não existe mais.

E sei bem disso.
Como eu disse, tenho certeza que depois de mim você saiu pra conhecer o mundo e ganhar novos abraços, mas posso falar? Não sei exatamente por quê, mas alguma coisa me diz que dos abraços que te dei você nunca terá outro igual, e não me leve a mal, acontece que eu dedicava o meu melhor em cada coisa que eu fazia por você, do envio da mensagem no celular ao nosso beijo antes de dormir, tudo porque pra mim você não merecia nada menos que o melhor de mim.

Não passo uma semana sem que nasça uma nova pergunta sobre você.
Não de pessoas ao redor, mas de mim mesma, aqui dentro de mim, sabe?
Lembro de você falar que meu cheiro ficava na sua roupa e que você gostava disso e aí aparecia minha cara tímida mas profundamente feliz ao te ver comentar sobre um pedacinho de mim fazendo parte de um pedacinho de você

Transformo toda a dor da lembrança na certeza de que da minha parte era amor.

E talvez por isso eu ainda me pergunto tanto sobre você.
Vai ver é porque por mais que eu tentasse encontrar respostas pra tudo na minha vida – e quem não? – tudo que eu preciso fazer é entender que existem duas coisas nessa vida: as que eu sinto e as que acontecem. Sendo assim, tudo que eu sinto é algo só meu, e não se trata de egoísmo, se trata de algo inexplicável que pra quem vê de fora pode se tornar em motivo pra julgamento, mas que pra mim, é só o que eu posso dizer sobre o que sei de mais sincero a respeito do amor.

Prometo parar de pensar se você sente algo parecido com a saudade que eu sinto.
Mas fico triste ao saber que aquele sorriso que eu tanto gosto tem visitado seu rosto menos vezes do que acho justo, e fico mais triste ainda em pensar como isso é horrível, pois mal sabem todas as bocas que te beijaram que outro sorriso igual ao seu, jamais encontrarão nessa vida.
Eu sei.

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Fiz uma pesquisa na página do blog no Facebook (facebook.com/umtravesseiroparadois) pedindo a colaboração dos leitores sobre qual tema que eles gostariam de ler. Pedi para que resumissem o tema e escolhessem uma trilha sonora. O tema escolhido foi este abaixo:
“Então, me diz, de uma vez por todas, quem apagou o seu sorriso? Desde quando você me deixou nunca mais te vi sorrir… Me lembro do seu ultimo sorriso pra mim, só, depois não sei o que houve, não sei por onde andou, não sei quantas bocas beijou, não sei se sente falta do meu abraço, do meu cheiro…”
e a trilha sonora está no texto, ambos da querida leitora Gabriela Piovezan, que disse estar tensa com a minha resposta do texto “Olha Marcio, to numa tensão, desde ontem esperando seu texto, achando que pudesse ser pra mim…” (desculpem a demora!), então, achei justo tentar homenageá-la pela dedicação e carinho que ela tem pelo Um Travesseiro Para Dois.


Agradeço a participação de todos, em breve a gente combina isso de novo!
Curta: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

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2 respostas em “Pago Pra Ver Acontecer Uma Segunda Vez

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