Uma Vida Empurrada Com a Barriga

O que a gente precisa a gente não sabe direito.
Mas o que a gente quer, ah isso pode ter certeza que a gente sabe.
Grande parte das coisas que a gente quer são as mais difíceis de se ter.
É importante se manter excitado pelo novo para ter vontade de conquistar coisas grandes. Só não pode confundir essa vontade com uma ambição viciada e maldosa.
Não que seja difícil ter uma conchinha preguiçosa em um fim de semana de frio, difícil é ter a conchinha que a gente quer. Não que seja difícil beijar uma boca no próximo sábado, difícil é beijar a boca que a gente quer.

A gente muda de ideia todo dia e ao mesmo tempo que assusta nos anima.
É legal se manter flexível, aberto às possibilidades. Gente que vive de extremos nem sempre aprende lições, só as devora. Mas também não é para levantar a bandeira da turma de cima do muro, personalidade é poder. Só vala pensar que quanto mais achamos estar certos, mais chances temos de estar errados.

Ter alguém pra apelidar de amor faz bem.
Mas ter esse amor pra chamar de si próprio faz mais ainda.
Não que exista alguma receita de como fazer pra lidar com a nossa vontade de querer alguém para nos tirar o ar – pois não dá – mas há como a gente mudar o foco.

A gente não precisa lembrar que é importante gostarmos de nós mesmos simplesmente porque isso é algo que nunca deve ser esquecido.

E quando a gente acorda com o saco cheio dessa vida, da rotina de trabalho e muitas vezes com estudo, com o saco cheio do transporte público, de pagar contas, do trânsito, do sono, da preguiça, do mundo? Quem nunca? Não há problema nenhum em sentir essas coisas, sem demagogia agora sobre “valorizar as pequenas coisas”, pois ninguém vive sorrindo todos os dias, e se vive, não gosta de mostrar que as coisas não andam bem.

Felicidade requer legitimidade.

A gente tem que buscar essa danada da felicidade real e não só aparentar ter uma vida feliz.
Não dá viver na média, sendo uma pessoa mediana, tendo uma vida mais ou menos e diminutiva. Sabe gente que fala “Ah, tá tudo bem, vamos empurrando com a barriga”? Ou gente que fala: “Comprei um carrinho, é humilde e tal, mas é meu!”. Essas pessoas vivem a tal vida mediana. E aqui não estamos falando de dinheiro, de fama ou status, estamos falando de valorização.

Dá pra entender que sonhar cansa demais.
Mas se não fosse assim, não seria sonho, seria uma espera.
E sonhos não possuem data pra acontecer, sonhos se realizam no momento que querem. O que dá pra fazer é buscar atalhos para não deixar o tempo crucificar nessa ansiedade para as coisas acontecerem.

Se a vontade é subir no altar de véu e grinalda, aceite mais convites para sair.
Se a vontade é ter alguém especial pra conversar e dar um beijo no semáforo vermelho, faça mais convites para sair.

É confortável esperar, por isso a gente espera. Mas é desinteligente, por sua vez, exigir.

“Tenho medo de terminar porque não quero uma clima ruim!”
Quanto mais tempo se passa vivendo com medo, menos se aproveita vivendo com amor.

“Tenho medo de falar que gosto e não ser recíproco”.
A gente tem medo de que chova e mesmo assim estendemos a roupa no varal. Se chover, estende de novo depois. Se não for recíproco, será depois.

“Fala desse jeito e tal, acha que é fácil esquecer?”
Primeiro que ninguém acha nada, e os que acham, apenas acham, não sabem. Segundo que se for pra viver indo atrás das coisas fáceis de se fazer, é melhor nem viver. O brilho no olho mora na realização do sonho.

Tem uma boca lá fora esperando pela nossa.
Tem presentes nas lojas esperando pelos nossos sorrisos de alegria.
Tem filmes para estrearem esperando a nossa companhia.
Tem dias para se tornarem datas.
Tem noites para se tornarem crianças.
Tem beijos para se tornarem preliminares.
Tem abraços para se tornarem morada.
Tem palavras para se tornarem apelidos.

O que a gente precisa a gente não sabe direito.
Mas o que a gente quer, ah isso pode ter certeza que a gente sabe.
Mas a gente precisa ter consciência pra saber se o que a gente quer é o que a gente merece.

Mas uma conchinha nunca vai fazer mal pra ninguém.

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2 respostas em “Uma Vida Empurrada Com a Barriga

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