Sobre Novas Formas de Ver as Velhas Coisas

De quanto tempo o tempo precisa para mostrar que vale a pena esperar?
Se ao ver as fotos do que já vivi não me trazem sorrisos inéditos, porque eu tento voltar?
É que a gente sempre tenta encontrar uma resposta pra tudo. A gente não admite o fato e tentamos encontrar algo que o justifique. Em vão, mas tentamos.
Eu nunca menti nas vezes que retribuí “te amo também” ou quando fui quem falou primeiro. Nunca menti quando não aguentei e deixei o choro correr.
Mas parando pra pensar, consigo ver quantas vezes eu menti pra minha própria vida. Tipo naquelas em que fiquei com medo da carência e fiz convites irreais, ou aquelas outras que não aceitei não ter alguém pra dar risada comigo vendo seriado da TV.

Eu não passo de alguém tentando aprender a viver.
E dentro de cada erro eu espero um acerto para melhorar.

Sabe aquelas vezes que você deu a mensagem como lida? Pois é, quem estava por trás era eu e não uma máquina. Eu que faltei me matar de raiva pelo jeito que você me tratava e sequer me respondia. Sabe aquelas outras vezes em que eu te mandei mensagem perguntando “Vamos fazer alguma coisa hoje?”, pois é, era eu quem estava esperando você responder que sim ou que não, mas pelo menos que respondesse. E não uma máquina.
Não que eu faça as coisas esperando algo em troca, mas é natural que esperemos reciprocidade das coisas boas que fazemos, e mais que natural, é justo.

Quanto mais coisas boas alguém faz pela gente, mais ainda a gente deve retribuir e tornar isso sim um ciclo vicioso. A gente pode ser viciado em praticar o bem.
Quando eu posto uma música com uma frase bonita é porque eu sei que vai servir pra te dar uma mão se você se sentir caindo.

Eu só dou like na sua foto porque não posso te dar um abraço.

Eu nunca me forcei estar nos mesmos lugares que você. Eu apenas estive.
E de todas as coisas que passam pela minha cabeça quando a gente se vê, você não sabe da metade. E à essa altura, nem precisa saber.

Fico triste em ver que não existe mais o que prometemos ser indestrutível. Mas me conforta saber que a fonte não esgotou por falta de esforço, que a tempestade não acabou por falta de desejo ou que o perfume não durou por falta de amor, pois

Eu sempre tentei ser pra você quem eu gostaria que alguém fosse pra mim um dia.

A gente vive a vida de um jeito meio egoísta, eu sei.
Compramos roupas e coisas descoladas para desfilar pelas ruas.
Aí a gente vê pessoas saindo do shopping com sacolas recheadas de felicidade, mas elas não tem pra onde ir com aquelas roupas. A gente também vê casais saindo felizes de restaurantes e mal sabemos se existe uma família prejudicada nessa felicidade. Eu quero dizer que o prazer que nos alimenta e nos enche de orgulho está nas coisas que o dinheiro não compra.

As melhores coisas da vida não tem preço, tem valor.

Por isso eu pensei que ia gostar da carta que te escrevi.
Achei que ia achar gentil da minha parte tentar descrever detalhes de como a gente vivia e do jeito que você dá risada.

Todas as vezes que acerto em pensar por dois são as mesmas que eu também posso errar.

Mas eu não me machuco por ser tão dedicado a algo que eu não posso ver, gosto da magia que é se empenhar por um sentimento. Tipo, a gente gosta de algo que não vemos, né? Não dá pra gente tocar no amor da pessoa. A gente confia que a pessoa sinta algo que possa nos ajudar a ser melhor.

Eu sinto que sou alguém transbordando sentimento pra completar o que falta em outro alguém.

Assim como há alguém que consiga pegar pra si todo esse meu sentimento que transborda, me ajudando a respirar e a medir as coisas que acontecem comigo, por melhores que sejam.
Meu edredom é grande demais pra mim. Minhas risadas são muitas pra mim, minha vontade de ajudar vai além de ajudar a mim mesmo.

Todo mundo precisa de alguém par assoprar a fumaça da xícara.

Eu não consigo saber se estou sendo agradável o bastante.
Não consigo saber se o que eu falo é o que a pessoa quer ouvir, não consigo saber se o que ela espera são mais palavras ou só uma atitude mais acintosa, não consigo saber se as risadas que a pessoa dá são pra mim ou são de mim. Eu só consigo ser assim, exatamente do jeito que eu sou. E eu sei que isso é o que vale a pena, mas é o meu coração que esquece disso às vezes.

É difícil se manter real e sentimental em um mundo que parece valorizar apenas o que é funcional. Tipo, aparentemente, não é necessário escrever uma carta pra dizer o quanto gosta, uma SMS já funciona. Não é necessário criar uma música com melodias para trilhar a história, dedicar um verso já funciona.
Não é necessário abrir a porta do carro, ter um carro já funciona.

As pessoas estão terrivelmente acostumadas a serem acostumadas.
Em um mundo onde valor está no que funciona e não no que se tenta, faz sentido não esperar que a mensagem seja mesmo respondida ou que o convite seja mesmo aceito.

Isso começou a ser sobre você e acabou sendo sobre a minha vida.
Que claro, automaticamente tem a ver com sua, depois do que vivemos.
Mesmo falando um pouco mais sobre isso, ainda consigo me perguntar: quanto tempo o tempo precisa para mostrar que vale a pena esperar?

Já que eu não consigo responder e não há quem consiga, vou começar esperando o amanhã chegar com suas novas oportunidades e novas formas de ver as velhas coisas.

Gostou?
CURTA:
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2 respostas em “Sobre Novas Formas de Ver as Velhas Coisas

  1. Esse texto me caiu como uma luva, ultimamente tenho pensado muito na minha vida e em como tenho conduzido meus relacionamentos, consequentemente, depois de analisar como as coisas são parei de fazer convites imbecis e esperar coisas melhores, e sabe o que foi melhor? Me sinto imensamente feliz em fazer as escolhas certas na hora certa. O que eu deixei pra trás simplesmente ficou no passado, naquele lugar que eu guardo e que eu não tenho pretensão nenhuma de mexer, pode ser que ressurja em alguns momentos em forma de lembranças, mas fica apenas nisso, lembranças de um tempo bom que passou e deu lugar pro melhor…

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