Não Quero Acreditar Que Fiz Por Merecer

Eu nunca fiz as coisas de um jeito que eu posso chamar de “certo”. Fiz do meu jeito.
Quando parecia que eu deveria fazer uma coisa, eu ia lá e fazia exatamente: outra.
Mas também não me culpo por isso, afinal, a gente não pratica o erro, a gente erra enquanto corre atrás do acerto.

A parte ruim do descontrole da vida é quando a gente magoa alguém sem querer.

E eu fiz tanto isso.
Não me cabe contar quantas vezes soube que fui motivo de chateação. O pior é que eu nunca fiz nada por mal, nem deixei de fazer por bem, eu só ia fazendo do jeito que eu achava certo e foi em cada uma dessas escolhas que eu atingi algumas pessoas que eu não gostaria.

Somos nós pelo mundo e não o mundo por nós.

Eu até tinha consciência de que eu não consigo ter o controle das coisas do jeito que eu pensava ter, eu só não sabia que o meu jeito meio ao contrário de ser poderia afetar tantas pessoas do jeito que afetou. Não se trata do inferno estar cheio de boas intenções, se trata das intenções serem apenas boas mas acabarem se tornando um inferno para outras pessoas.

E tem vezes que a gente erra tanto que acaba se conformando com o fato de ser errante.

Também não quero dizer que não podemos errar, mas sim que todos os nossos erros resultam em chances de acertos. E disso a gente não pode se esquecer.
Mas chegou uma época que passei a aceitar que esse meu jeito era imutável e que só ia me restar aceitar as consequências das coisas que eu fizesse e das que eu não fizesse também.

A melhor parte do erro é saber que ele também tem seu lado bom.
E é muito bom quando a gente erra o pensamento de que nada vai mudar e de que a sentença é sofrer.

Aconteceu que fui deixando o mundo girar.
Ainda errando aqui e ali, mas aceitei o fato de eu não conseguir controlar a minha vida, embora eu tivesse consciência de cada coisa que eu fazia, aceitei que elas podem repercutir de formas diferentes em diferentes pessoas.
E quando eu pensava que tudo estava certo, felizmente eu me enganei.

Não há vida que não caiba uma mão para ser dada.

E aí apareceu alguém para me mostrar uma forma diferente de ver os dias.
E por muito tempo foi bom assim.
Engraçado que é sempre igual, né? Aparece quando a gente menos espera e acontece do jeito que a gente também menos espera.
Vi nesse alguém uma oportunidade de aprender e, mais que isso, de me rever e tentar enxergar aqueles meus erros na tentativa de evitar com que acontecessem de novo. E até que fui conseguindo.

Se entregar é viver e só se entrega quem gosta de viver.

Eu sinceramente não me arrependo.
A gente construiu muita coisa legal juntos. E as segundas-feiras deixaram de ser só segundas-feiras. Lembro que apesar de eu ter esse conflito contra mim mesma e acabar chateando as pessoas que gosto de um jeito que eu não gosto, vi nesse alguém novos motivos para mudar a forma de ver e viver a vida.

Cada lágrima escorrida há de ser uma lição aprendida.

E na prática foi isso mesmo.
As coisas começaram a sair do meu controle e comecei a me questionar sobre o que estava acontecendo. Comecei a me perguntar porque o meu esforço parecia tão em vão e porque todas as coisas que eu fazia em busca de sinceros sorrisos só traziam novos motivos para velhas brigas.

Reciprocidade é o atalho para a felicidade.

Porque até que a gente pode ser feliz e cantar por aí como a nossa história é maravilhosa. Mas não adianta fingir se no fim a mensagem de saudade não vai ser respondida ou se o tempo com você não tem espaço na agenda de outro alguém. E foi assim que aconteceu comigo.
Me vi vivendo por dois, me superando a cada dia pelo bem de nós dois e não senti que isso fazia diferença no fim, não senti que a importância que eu pensava ter conquistado, enfim. Não aconteceu.

A gente precisa saber que estamos fazendo certo para fazermos melhor ainda.
Do mesmo modo, a gente precisa saber que erramos para podermos não errar mais.

E eu queria saber se o motivo de alguns dos sorrisos eram as coisas que eu fazia.
Eu queria ouvir que a minha companhia fazia sentido e que a minha forma de ver a vida acrescentava em alguma coisa.
Eu nunca quis juras de amor nem promessas de “pra sempre”. Eu não pensava no futuro longe, eu pensava na futura meia hora.

Bem, se eu parar pra pensar talvez eu mereça todas essas coisas. Mas eu não acho justo raciocinar por esse lado. Dentro da minha imperfeição que eu tenho procurado respostas para fazer com que essa vida não seja em vão. Em cada motivo que eu já tive pra me arrepender foi onde eu busquei força pra reviver e fazer tudo diferente.

Dá pra acreditar que as coisas que a gente faz são interligadas, só não entra muito na cabeça ter que aceitar que a vida se vinga dos erros que a gente cometeu. Por isso, eu prefiro pensar que a felicidade que construí ali durou enquanto a primavera existiu. E eu não vou parar por aqui, tenho um verão todo pela frente pra ir atrás de novas e melhoras companhias.

Não me cabe julgar esse alguém, nem se trata de aceitar, eu prefiro mudar a forma de ver e pegar pra mim o que mais me valeu no fim: a experiência.

Texto inspirado no resumo da história de uma leitora:
“Sempre fiz tudo meio ao contrário. Já magoei tantas pessoas ao meu redor sem ao menos ter conhecimento disso. Até que encontrei uma pessoa que por um tempo foi o meu tudo (e ao mesmo tempo o meu nada). Mas eu fiz o (im)possível pra mudar e ser o melhor pra ela. Só não recebi muita coisa em troca.”

Gostou? Aqui tem mais: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois =)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s