Você Tem Todo o Direito de Discordar

A verdade é que a gente nunca vai parar.
A gente nunca vai parar de procurar respostas pra um monte de coisa na nossa vida. Do trânsito caótico ao motivo pelo qual alguém disse que não queria mais viver uma história com a gente. A gente nunca vai parar.
E sabendo disso, dá até para entender todo mundo que desconfia de que as coisas podem dar certo um dia.

É que cansa se empolgar.
É ruim quando parece que o frio na barriga se congelou.

Sabe todas as vezes que a gente acha que vai ser a última vez?
Tipo isso. Todas aquelas vezes que a gente pensou ter certeza que seria a última vez que daríamos uma nova chance, que a gente pensou que ia confessar amor, que a gente pensou que ia sofrer, que a gente ia tentar. Todas aquelas vezes.

Cada nova última vez é sempre uma nova primeira vez.

Isso significa que todas as vezes em que as coisas não dão certo podem representar novas chances de algo dar certo. Sem contar que dá pra gente pensar: Afinal, o que é dar certo? Será que “dar certo” é alguém dizer que a ama a gente, comprar presentes, colocar uma aliança no dedo e mudar o status de relacionamento na internet? Vai saber.

Há quem prefira aparentar viver algo bom do que viver de fato algo melhor ainda.

“Dar certo” pode ser uma questão de cinco minutos ao lado de alguém que te faz parar pra pensar. Isso mesmo! Como não dá pra gente definir o que é gostar de alguém, dá pra gente pensar em algumas possibilidades. Talvez gostar de alguém seja o momento que você para pra pensar no que a pessoa disse ou o momento em que o que a pessoa disse faz a gente parar e pensar. Só você sabe quando você gosta.

Não se trata de uma pessoa bonita, se trata de uma pessoa que faz a gente se sentir uma pessoa bonita.

Gostar de alguém é urgente demais. A gente gosta hoje e sem saber por quê, amanhã não gostamos mais. E assim somos nós.
Tem boca que a gente beija e depois olha pra trás pensando: “Por quê fiz isso?”. Tem boca que a gente beija e depois olha pra trás pensando: “Por quê não fiz isso?”. Tem boca que a gente beija e nem olha pra trás. A gente é assim mesmo. Todo mundo é assim mesmo. E aqui também não se trata de deixar as pessoas numa média-comum, fazendo de todas iguais ou muito parecidas, aqui se trata de aceitar que ao mesmo tempo que você não é a pior pessoa, você não é a melhor. E que todos os erros que você crucificou, você pode cometer amanhã. Aqui se trata de aceitar que quanto mais insubstituível alguém especial pode parecer em nossa vida, mais rapidamente deixado de lado esse alguém vai ser. Porque a gente não tem como prever quando a gente gosta, a gente só gosta.

É triste quando a gente perde tempo.
Sabe, quando fazemos aquele joguinho idiota de charme em “se fazer de difícil” como se no fim valesse alguma pena? Isso é perca de tempo. Isso é vida se perdendo.

O tempo que a gente perde brincando de gostar, a gente ganha se permitindo gostar.
E o louco é que esse mesmo tempo nunca volta.

Tem gente que gosta de provocar ciúmes pra se sentir valorizado. Tem gente que não suporta nem uma brincadeira de ciúmes. Tem gente que é tão desligado que nem sabe o que é ciúmes. Tem gente que antes do “Oi, que saudade!” diz “Quem era aquela pessoa?”. Tem gente que antes do beijo de saudade olha pra boca desconfiando ter sido beijada momentos antes. E quando tempo se perde nisso tudo? Quando tempo que não vai voltar nunca mais?
Tem também gente que beija aqui mas deixa o pensamento em outra boca.

A gente se engana. A gente faz tudo errado pensando em fazer o certo.

No fim, a única certeza é que: não temos certeza de um monte de coisa. Porque amanhã a gente vai mudar e vai gostar de ruivas e não mais de loiras – ou de morenos e não mais de loiros. Amanhã a gente vai gostar das pessoas saradas de academia e não mais das magrelas de óculos de grau. Amanhã a gente não vai gostar de ninguém e mal vamos nos suportar. Ou vice-versa.

E aí a gente vai pra internet reclamar da temperatura.
Ou a gente vai pra um bar apagar a memória na bebida que vai embora pelo ralo dia seguinte abrindo a porta para os antigos problemas voltarem.

Nós somos assim, não tem jeito.

O que nos une é exatamente aquilo que nos afasta: o coração e a mesma vontade de ser feliz.

É ele que, apesar de ser o mesmo, muda a forma que atua de pessoa para pessoa.
O seu corpo pode querer fazer uma coisa, mas o seu coração nem sempre vai querer fazer também.

O amor embriaga a nós, jamais ao coração.

Quantas vezes você não dormiu com alguém e acordou pensando em outro alguém?
Ou quantas vezes você não conseguiu responder “Eu te amo também” porque lembrou de quem pensa ainda amar de verdade? Quantas vezes você escreveu a mensagem toda e não mandou?
Esta é a saudade. É tipo um botão que o coração aperta como se falasse: “OPA, ESTOU AQUI!” E há quem tenta enganar, há quem tenta esconder, mas pior que tudo é quem tenta não sentir. E infelizes são aqueles que renegam a saudade.

A gente só sente saudade do que da nossa vida fez parte de verdade.
Porque tem coisas que fazem parte da nossa vida só por fazer.

E nem sempre significa que a gente gostaria de viver de novo, nesse caso, é quando aparece a lembrança.
O tempo transforma qualquer saudade em lembrança. E a vida vai seguir, as contas vão chegar, a vida vai sempre continuar.

Só que desanima recomeçar, né?
Como falamos ali em cima, cansa se empolgar.
É um saco se ver envolvido de novo, se ver fazendo planos e comprando mimos, se ver com vontade de nunca mais sair de perto. É um saco mas é disso que a gente gosta.

Pode gostar do que não se tem, mas é melhor valorizar o que se tem.
Em outras palavras, é possível se encantar por outra pessoa que você não esperava nada, mas é importante valorizar quem sabe que você odeia falar no celular, que sua cor preferida é a azul e que você come devagar.

A vida é uma história em que todos os dias são capítulos novos e com o nosso jeito vamos escrevendo os detalhes. Nós somos a capa. O que falamos são as palavras e a forma que conduzimos é o roteiro. Tem capítulos que acabam bem, outros não. Tem dias que faz sol, outros não.

A graça dessa instabilidade que é viver é a surpresa que a gente pode ter a cada novo dia.
A saudade pode voltar a ser amor, e o amor pode ser pra sempre amor também sendo saudade.

Não que tudo isso seja verdade na sua vida, você tem todo o direito de discordar.
Mas o fato é que cansa se empolgar, mas é quando a gente cansa que vemos como vale a pena. E a verdade é que a gente nunca vai parar.

CURTA: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois =)

Anúncios

3 respostas em “Você Tem Todo o Direito de Discordar

  1. Má,Parabéns pelo texto 300!! Sou suspeita pra falar do seu blog rs,pq já li e sei q lerei ainda mtas coisas que me animam e me mostram o lado positivo das coisas além de ser uma ótima terapia dentro dessa vida tão dinâmica q temos.bjo

  2. Nossa cara como você me surpreende em cada texto!
    São pensamentos e experiências que achamos que só nós passamos, e pra mim é confortante saber que não estou sozinha nessa, que todos passaram ou vão passar por histórias iguais ou parecidas com as que você escreve…

    Uma palavra define todas suas palavras: VERDADE!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s