Este é um dos piores

(ATENÇÃO: é importante ler ouvindo a música!)

“Foi sem querer!”
E é este o maior escudo que usamos quando a casa cai.
É difícil ter que admitir que o erro foi nosso, mas o louco é que seria tão mais bonito admitir que de perfeito nada temos.
Outra dia parei pra pensar em coisas que já disse, que fiz e nas que deixei de fazer e falar.
Pensei e senti vergonha do que havia me tornado.
Eu que sempre cantei a qualidade em uma pessoa ser certa sobre as coisas que pensa, fiz dessa também minha qualidade algo que me tornasse refém e me fizesse um lixo.

Todas as vezes que pensei estar certo,
eu mais tive perto de estar errado.

Mas ora, claro que em muitas delas eu acertei, mas a gente não precisa bater no peito por um orgulho de ser, em tese, detentor da razão.

Há razões que bons argumentos podem dissipar.

Nós pensamos estar certos até que a primeira pessoa vire nossos olhos e nos faça enxergar as mesmas coisas de outra maneira.
Esse processo de aceitar a perda é doloroso mas eficaz, igual remédio na cicatriz quando criança. Entretanto, é um processo que se não for devidamente tratado, pode causar terríveis e profundas cicatrizes não na pele, mas na vida.

E quanta bosta eu já falei pensando estar falando sonhos.

Eu não sou ninguém perto de como eu gostaria que alguém fosse pra mim.
Isso é sobre se reavaliar e sobre reconsiderar todas as coisas que pensamos estar certos.
Mas também não sou uma pessoa do mal e possuo algumas boas qualidades, eu só não posso me abraçar em cada uma delas e fazer com que sejam o resumo do que sou, pois eu sou erro e acerto.

Eu sou erro e acerto, mas nem sempre acerto o erro certo.

Terrivelmente pior do que não conseguir se refazer é não aceitar que algo precisa ser refeito.
E hoje eu passo mais horas do que já passei em toda a minha vida olhando pra quem eu sou procurando quem eu gostaria de ser. Neste exercício, me arde os olhos ao ver que quando era pra eu esperar foi quando eu mais acelerei; quando era pra acelerar foi quando eu mais parei; quando era pra continuar foi quando eu do alto me joguei.

O poder de cura da fala,
também é o poder de vírus do coração.

Como recheio da minha imperfeição, ouvi coisas que me fizeram ruir por dentro e que cortaram meu peito feito navalha. Eu nunca pedi pra ser julgado, nunca pedi que me valorizassem em nada, eu nunca pedi pra ser tolerado. E aí nasceu um erro: eu nunca deixei que me ajudassem.

E então pergunto pra mim mesmo:
Como é que eu gostaria de ver onde errei sem que houvesse estrago na minha cabeça?

Já que a verdade é que não consigo controlar as coisas que pra mim são ditas, me cabe saber diferenciar o efeito de cada uma delas dentro de mim e pegar sempre o melhor, sempre o melhor de cada efeito e me tornar alguém melhor por mim mesmo.

Você sabe o que é sentir vergonha de si mesmo?
É não conseguir nem respirar de tanta raiva, é querer rasgar a roupa do corpo, é querer se jogar na frente do primeiro carro na rua. Sentir vergonha de si mesmo é sentir uma facada do pescoço à cintura. É se sentir o resto do que existe de ruim nesse mundo de uma vez só.
E aí, há quem sinta vergonha de si e alega “foi sem querer”.
A roda não gira sem querer, só se algo ou alguém empurrar.
Já errei milhões de vezes, muitas delas sem ser por alguém específico, mas por algo que me empurrou e que me induziu ao erro.

Quando temos idade de ir pra escola é a dita fase que começa o bordão “já não tenho mais idade”.

Desde o primeiro dia na escola aprendemos uma coisa nova por dia e cada uma dessas coisas vão formando aos poucos o que seremos quando adultos. No exemplo dos amigos que não tem comida pra levar para o recreio, das crianças que beijam cedo demais, das crianças que brigam por bolas de papel, em cada um desses exemplos nós aprendemos lições que levaremos para o resto dos nossos dias nesse planeta.

Por isso eu me sinto um lixo.
Por lembrar que muitas coisas que aprendi quando criança ainda não consigo colocar em prática. É claro que algumas delas sim, não serei cruel comigo mesmo, mas a repetição dos mesmos erros que cometia na escola me fervem o sangue agora que tenho contas à pagar.

Só que as coisas mudaram, ou melhor, eu estou fazendo as coisas mudarem.
Há muito tempo aprendi que não posso contar cegamente com ninguém por uma questão de segurança, mas reconheço que sou frequentemente driblado, pois quem determina essa confiança é o meu coração, por isso ela varia de pessoa pra pessoa.

Bem, tive que tomar toda a água salgada que chorei pra colocar na cabeça que reclamar por tudo que já errei não ia melhorar em nada. Então hoje eu quero mais é que se exploda os modelos de como ter uma vida feliz, um jeito feliz, uma pessoa feliz. O que eu preciso mesmo é encontrar o meu jeito de ter uma vida feliz, um jeito meu de ser feliz. Não vou, no entanto, viver minha vida me matando todo dia, tenho o cérebro no lugar. Mas é chegada a hora de ser feliz de um jeito que eu sempre tentei.

Eu sou uma das pessoas que mais erra, mas agora quero ser uma das que mais tenta acertar.

Nessa de lembrar das coisas que fiz ou falei mas deixei de fazer ou falar, lembrei do mundo onde estava vivendo. Era um mundo em que não existia amor. Um mundo que me cobrava todo dia em ser uma pessoa adequada no trabalho, na família e com o meu coração. Este era um mundo de cobrança, não de aprendizado. Infelizmente, não pude fazer nada pra mudar o que já passou, mas ao parar pra pensar, enxerguei que posso ser a pessoa adequada que eu quiser, desde que ela seja adequada com o amor que eu gostaria que sentissem por mim.

Desculpas não vão trazer as coisas que perdi nem vão se transformar em palavras que curem o que já machuquei, mas já é um começo pra me aceitar, pra entender que não tem problema se eu errar, que eu só não posso me cegar e pensar em ter a vida perfeita.

Eu só prefiro fazer da vida que tenho algo que me faça feliz, respeitando, respeitando e muito as minhas limitações e os meus defeitos, mas sobretudo, arregaçando as mangas não mais pra reclamar – ou na pior das hipóteses revidar – mas pra fazer diferente, pra provar que eu posso surpreender. Não saber a hora de se rever, de parar e recomeçar: este é um dos piores; um dos piores defeitos do ser humano que tenta ser humano.

Hoje eu quero mudar.

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