Eu sou uma delícia mas não sou pra qualquer pessoa

Você sempre pode escolher ser uma boa pessoa.
Não exatamente por algo ou por alguém além de pra você mesmo.
É preciso ter clareza das ideias e foco nos objetivos pra saber a hora de meter a cara e ir atrás de cada um deles.
Tem horas que a vida mostra que as coisas não vão acontecer como a gente quer. Tem outras que ela até combina com os nossos sonhos e mostra como eles podem ser reais.
Mas talvez seja mais confortável evitar jogar tudo na mão do destino assim, jogar tudo na mão das vontades e fazer uma parceria com a vida.

Eu sei que você sente saudade demais aí. São tantas coisas boas que viveu, são os seus refrões preferidos que deixou alguém pegar pra si também, são seus pratos preferidos que deixou com que soubessem, são seus filmes, são seus parques e os seus planos. Tudo isso é vontade de viver tudo outra vez; tudo isso é o que a gente chama de saudade.

A saída sempre será transformar a saudade em lembrança.

Talvez o melhor a ser feito seja deixar essa saudade toda lá atrás; deixar num lugar especial de lembrar. E então, de alguma maneira, por mais difícil que possa ser, tentar seguir em frente fazendo o melhor pela própria vida.
Se você não faz ideia do que fazer pra ficar bem, comece evitando fazer qualquer coisa que te faça mal. Talvez voltar a ouvir aquela música, assistir aquele filme ou passar naquela loja de perfume, não seja o melhor a ser feito agora pra você, não vai te trazer conforto. E isso não é abdicar da própria vida por outra, isso é procurar alternativas de fazer o coração respirar e parar de chorar.

Eu sei a falta que te faz, que os fins de semana sem ninguém te fazem chorar e que nem o melhor dos filmes consegue te entreter como era fácil quando se tinha a companhia de alguém, mas não adianta lutar contra e jogar a vida no lixo pelo momento que está sendo vivido. Também não significa que seja tudo tão fácil e que talvez você não esteja se esforçando o bastante, pelo contrário. Uma das coisas mais difíceis dessa vida é fazer o certo para nós; a gente costuma fazer o que sentimos. O que não necessariamente significa ser o certo. E isso é, sobretudo, honesto.

Eu sei que você tem amor demais aí dentro pra dedicar alguém, mas talvez não exista alguém ainda capaz de aproveitar tudo isso. E é louco pensar nisso, não? Pensar que talvez “não exista alguém bom o bastante pra mim”. Pois é, mas quem dirá que isso é uma mentira? Não é prepotência se valorizar. É uma questão de se enxergar. Não é qualquer pessoa que merece compartilhar de todas as suas qualidades; não é qualquer pessoa que vai conseguir te ajudar a melhorar os seus defeitos; não é qualquer pessoa que vai achar graça nas coisas que você acha; não é qualquer pessoa que é capaz de combinar o modo de ver a vida com o seu.

Isso tudo se traduz em algo como “não aconteceu ainda porque você merece algo melhor do que está sendo oferecido lá fora”.

Mas enquanto as novidades que aquecem o peito não aparecem, você não pode parar de tentar ser uma boa pessoa.
Não se trata de imposição da sociedade ou dos padrões de viver, longe disso, se trata de sair por aí todo dia plantando as coisas boas que gostaria de colher um dia. Desde o jeito que ajuda seus pais em casa, que cuida da sua casa, passando pelos primeiros passos da manhã, passando pela olhada no espelho repetindo “eu sou uma delícia mas não sou pra qualquer pessoa!”, elevando tua auto-estima ao infinito por você mesmo, até o seu dia no trabalho, até o seu empenho em dar o seu melhor no que se propõe a fazer, e depois, na sua volta pra casa, seja num volante no meio de outros tantos dessa cidade ou no banco do metrô, do trem, do ônibus, ou mesmo EM PÉ nesses mesmos lugares, com teu fone de ouvido, com as músicas que gosta. É em cada momento desses que você pode se dedicar em ser uma boa pessoa e que pode, pelo menos, mentalizar as melhores coisas desse mundo.

É uma questão de preencher o vazio ao invés de se preencher de vazio.

Entenda que todo o monte de coisa boa que tem dentro de você, todo o monte de coisa que quer viver e tudo de melhor que gostaria de compartilhar com alguém, é o que te faz ser exatamente quem você é. É o teu choro real que te mostra que você tem coração ao invés de fingir uma vida feliz com os posts de risadas na internet. É o teu sorriso pelo motivo sem graça que mostra o quando você vê valor nas pequenas coisas. É a foto que tira do mesmo céu de toda dia, ou da lua de toda noite que mostra como você vê beleza nas coisas mais comuns e mais fundamentalmente importantes nessa vida.

Aquela noite recheada de sexo, aquele abraço de arrepiar o corpo todo, o beijo que enrosca, a voz de neném, os presentes surpresa, as mensagens de “chega logo fim de semana”, os planos de viagem, a companhia dos amigos, os novos filmes preferidos, os novos pratos à conhecer, enfim, todas essas são coisas que você tem o direito de viver, desde que viva também todas as outras de maneira real. Ou seja, que a mesma felicidade ao ouvir um “sim” na resposta do pedido de namoro ou de ser uma pessoa escolhida para ouvir um pedido de namoro, seja também vivida em cada palavra que diz nessa vida.

E sobre o que fazer com a saudade e com a visita da solidão?
Você não precisa lutar contra as coisas ruins, mas pode muito bem jogar a favor das coisas boas. Desse modo, automaticamente você se verá mais perto dos dias que quer viver. Isso é sobre aproveitar o tempo; isso é sobre pensar que um dia a menos de saudade é um dia mais de felicidade; isso é sobre pensar que por mais desgraçada que seja a solidão e que sejam os momentos de rir sozinho com os seriados na TV, são momentos só seus nos quais você tem que aprender a lidar, pois, de um jeito ou de outro, você deve se bastar, afinal, você será sempre a sua melhor companhia.

O amor que quer viver não está nos beijos, mas em cada passo que você dá.

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2 respostas em “Eu sou uma delícia mas não sou pra qualquer pessoa

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