Eu segurava a lixeira para você esvaziar a bandeja

Hoje choveu.
Lembrei das vezes que a gente ficava olhando a chuva bater na janela com preguiça de acordar. Lembrei das vezes em que dividimos um guarda-chuva na fila do ônibus. Lembrei de como você se irritava quando um carro passava em uma poça te molhando inteira. Lembrei de como era a nossa conchinha em noites em que a chuva era a nossa companhia.
Lembrei sorrindo, lembrei com o coração aquecido. Me fez bem ver como a gente conseguia fazer das pequenas coisas as melhores coisas. Não preciso me esforçar muito pra lembrar como a gente brigava pelo controle remoto da TV ou quando alguém ficava sem uma parte do edredom. Era engraçado! E às vezes em que a gente torcia pra não encontrar nenhum conhecido na rua só pra gente ficar se curtindo um pouco mais.

Lembrei das horas que a gente passou no telefone conversando sobre como foi o nosso dia, muitas vezes falando sobre a mesma coisa mil vezes, mas de mil formas diferentes. Lembrei que a gente só parava de falar quando um confessava que não aguentava mais a orelha queimar. Lembrei que mesmo assim a gente demorava pra desligar. Você me desejava “boa noite e bons sonhos” como se houvesse algum outro motivo pra sonhar que não fosse você. Não que eu não precisasse de outros sonhos, mas lembrei que me bastava ir dormir sabendo que no dia seguinte a gente ia se falar, era um lance de antecipar o sonho e sonhar por dois. Lembrei quantas coisas planejei pra nós dois sem você saber.

Lembrei dos casais que vimos felizes por aí. Lembrei que brincávamos de adivinhar o que será que eles estavam conversando e em que momento da vida eles estavam; se naquela fase do começo cheia de mimimi ou se com o pé no noivado, se respeitando, se planejando apontando as vitrines, mas sem deixar de se curtir.

Lembrei das vezes que comemos fora.
Lembrei que todas as vezes eu te segurava lixeira pra esvaziar a bandeja. Lembrei que eu dava um jeito de me virar com as pipocas no cinema. Lembrei que a gente ia ao banheiro e eu sempre saía antes de você e ficava te esperando lá fora com outras pessoas que também esperavam outras pessoas. Lembrei que de novo ali eu ficava viajando sobre o que será que essas pessoas viviam, pra onde iriam depois dali, de onde vinham e o que conversavam. Eu não queria ser igual a eles, eu só gostava de me colocar no lugar deles.

Lembrei que por mais que a gente reclamasse da demora do ônibus no fim de semana, bem que a gente gostava da demora dele até chegar em casa. Lembrei que a gente se grudava e já ficava planejando os outros fins de semana até o momento em que nos despedíamos. Lembrei das minhas voltas pra casa saindo da sua altas horas da noite. Eu ia embora mas deixava o meu coração com você pra te proteger.

Lembrei das nossas conversas com os nossos pais. Lembrei de como consegui conquistar a confiança da sua família fazendo com que as minhas chegadas passassem de desconfiadas à comemoradas no toque meu na sua campanhia. Você não sabe, mas dali até você abrir o portão, eu sempre me arrumava um pouco demais para que me visse no melhor dos meus momentos daquele dia. O meu melhor era tudo o que você merecia.

Lembrei dos shows que fomos, do calor que passamos e dos refrões que cantamos. Por sorte, nosso gosto era meio parecido, apesar de uma coisa ou outra não ter absolutamente nada a ver; apesar de às vezes você querer sair pra dançar enquanto eu preferia ficar em casa com um DVD. Mas eu nunca me importei e raríssimas foram às vezes que me esforcei pra tentar te fazer mudar de ideia. Até porque eu nunca consegui.

Lembrei de como você voltava feliz depois de rever alguns amigos. Lembrei que em algumas das primeiras vezes que isso aconteceu foi quando vi que em mim tinha nascido um motivo de felicidade só por te ver feliz. Foi ali que comecei a levar ainda mais a sério o que eu sentia por você.

É quando ficamos felizes pelo outro que descobrimos que a felicidade tem um sabor gostoso.

Hoje choveu.
Lembrei de algumas coisas de nós dois ao ver a chuva bater na janela do ônibus, dessa vez sem você. Mas não lembrei na tristeza, lembrei na certeza de vivi coisas pra me orgulhar, pra consertar e pra nunca esquecer. Me tranquiliza saber que por mais que não tenha dado certo como eu gostaria, deu certo como a gente merecia. E eu sempre dei o meu melhor.

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