Se eu pudesse, mataria cada um de vocês

Leia ouvindo:

Não precisa ser ninguém especial, eu não estou pensando e nem gostando de ninguém agora, mas que seja alguém que me faça sentir diferente.
Como é que eu vou ter coragem de me entregar de novo se a minha cabeça é cheia de lembranças que eu gostaria de esquecer? Estou me afogando na minha própria vida.
Eu sei que não dá pra saber como a vida vai ser, mas eu juro que gostaria de saber como vai ser a próxima pessoa a aparecer na minha vida, eu juro que gostaria de saber se eu vou chorar mais vezes do que vou sorrir, e é claro que eu gostaria de saber dessas coisas a tempo de eu encontrar alguma maneira de sofrer menos do que já sofri nessa vida.

Cada célula do meu corpo é a soma de todo o amor que eu sou.

Este mesmo eu que apesar de ser grande parte feito de amor, tem parte também cheio de saudade. Eu sou a saudade das vezes que ri de perder o ar e sou saudade das conversas a noite entre um filme e outro e também das noites em que outras coisas foram mais interessantes que os filmes.

Só que eu tenho medo do que me espera nessa vida.
É difícil quando a gente tem certeza do que quer, quando a gente sabe tudo o que está plantando mas não sabemos o que vamos colher. Não é contraditório, é claro que pra mim faz sentido pensar que se é o bem que estou propagando hoje é este mesmo bem que vai me abraçar amanhã, mas esta esperança não senta ao meu lado nas voltas pra casa, nem me acompanha nas risadas da TV. A esperança não me dá a mão nas noites de frio e nem aproveita comigo os dias de calor.
Eu não estou falando de pessimismo, é que eu gosto de me virar do avesso pra enxergar por dentro. Tem gente que confunde o exercício de se analisar com a tendência em querer morrer. Eu não quero morrer! Antes fosse eu querer uma solução assim, eu só queria ter certeza de que não vão mais brincar com o que eu sinto! Eu só queria saber se na próxima vez que eu for entregar o meu corpo, eu vou sentir algo mais do que dois corpos juntos; eu quero mesmo é sentir os dois corações como um só.

Este mesmo medo todo que estou falando se traduz nas vezes em que hesitei quando tentaram me beijar ou até mesmo nas vezes em que relutei em aceitar convites gentis para fazer alguma coisa.
Me dá preguiça me ver dentro dessa conversinha toda de sair com alguém, pois pra mim tudo não passa de uma encenação recheada de segundas intenções. E não que eu seja contra segundas intenções nas primeiras saídas, mas eu não gosto quando consigo ver no olhar essas pretensões. Mesmo assim, estou sempre disposto a me surpreender e é sempre delicioso ver quando a gente erra para o bem.

Eu não quero ser melhor que ninguém, não quero ser quem faça esquecer, nem quero alguém para me evitar de lembar. Não quero ser uma pessoa nova numa velha coleção de beijos ou noites de sexo. E eu sei que isso pode romantizar demais a vida real que o mundo apresenta, mas nem que seja eu a última pessoa a se encantar pelo amor real dessa mesma vida real, eu vou continuar sendo essa pessoa.
Eu quero me sentir diferente pra uma só pessoa nesse mundo. Eu quero me sentir uma pessoa real.

Eu quero ser tratado como alguém que faz a diferença e não como alguém diferente.
E há diferenças nas diferenças, explico: ser alguém que faça a diferença é ser alguém que inspire e que sirva de motivação para viver dias melhores, agora, alguém diferente, é só alguém não parecido com outro alguém, e sabendo que nenhuma pessoa é igual a outra, nós já nascemos diferentes umas das outras.

Eu não acho a vida injusta, mas eu ia gostar se ela fosse mais prática.
Essas coisas aqui em nada tem a ver com a minha parte em fazer a vida acontecer, isso é outra história e estou certo de que faço. Essas coisas tem a ver sobre a minha desconfiança nas pessoas e sobre o meu medo de me sentir como um brinquedo novo ao invés de um novo motivo para brincar. E que raiva me dá lembrar do tanto de merda que já ouvi e do jeito que já me fizeram de idiota! Minha raiva aumentar ao saber que eu sempre tive um sentimento sincero. Não entra na minha cabeça a ideia de ter que aceitar que tem gente que só aparece na vida da gente com a intenção não de completar, mas de tumultuar nossos dias. E se eu pudesse eu mataria cada um de vocês que arrancam a paz do coração de quem sabe usar o coração. Ou não, pois a vida é um troco.

Eu já pensei um milhão de vezes que o problema sou eu por de repente cobrar demais do destino, mas percebi que na verdade eu não quero nada em especial, tipo, eu não sonho com nenhum cenário específico já desenhado na minha cabeça, eu só quero o que eu mereço e, pelo menos, o que me tranquiliza é a certeza de que cada coisa que eu faço nessa vida faço por um bem maior; faço por amor.

E então a incerteza em saber se eu vou conseguir ter alguém que valorize pelo menos os meus esforços é o que me alaga de angústia dia após dia. Rasguei os manuais, joguei fora os roteiros e deixei tudo nas mãos da vida, mas isso não anula o fato de eu me preocupar em viver de novo as coisas ruins que já vivi um dia. É medo, é um legítimo medo.

Mas sabe, tem algo de engraçado em me ver aterrorizado com as pessoas.
Eu não consigo mudar quem eu sou! Por mais dor que eu já possa ter sentido, eu nunca consegui ser diferente em cada nova experiência, eu nunca consegui mudar as coisas que mais gosto em mim e isso é motivo pra eu me orgulhar. Isso significa que nenhuma dor que já vivi foi capaz de sequer ameaçar o amor que eu guardo dentro de mim. Eu zelo por esse amor como a joia mais rara desse mundo, afinal, se tenho tanto medo de me machucar significa que eu tenho muito medo de que quebrem algo valioso em mim, e isso nada mais é que o amor que cultivo desde que nasci. Ao me ver agora falando sobre os meus medos, consigo ver o quão inabalável é o amor que tenho! E isso é motivo para eu comemorar, pois se não fosse a certeza de que o que eu sinto é algo absolutamente especial e de valor sem igual, talvez eu não teria resistido até aqui pra contar história, talvez eu tivesse desistido quando a primeira lágrima escorreu lá atrás.

Isso significa que tem dias que aquela mesma esperança de dias melhores que nem sempre me acompanha na volta pra casa, é a mão que me segura quando estou prestes a ruir, é a mão que me acalma a alma quando nada mais parece me dar calma, é a mão que me ajuda a digitar minhas palavras preferidas por maior que possam ser as feridas.

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