Eu sou tudo o que eu gostaria que fossem

Leia ouvindo:

Quando eu paro pra pensar no que passei vejo como é bom ver como eu posso errar.
Logo eu que já pensei nunca mais conseguir superar algumas coisas que já vivi, hoje me vejo aqui vivendo mais um dia novo nessa minha vida que recomeça a cada dia.
Doeu pensar que o problema sempre era eu.
É normal eu sempre me perguntar sobre as coisas que faço, sempre me julgar, sempre me cobrar, sempre me vitimar, sempre me matar muitas vezes sem por quê.
Algumas vezes eu pensei em acabar logo com isso tudo, pensei em resolver de uma vez e eliminar as possibilidades de viver qualquer coisa ruim de novo, mas isso tudo dura até que eu sinta meu coração bater de novo. E é assim até hoje.

Vez ou outra lembro de algumas bocas que já beijei.
Lembro e tento imaginar quem hoje pode beijá-las.
Não lembro, no entanto, com alguma dor ou arrependimento, com sequer saudade, lembro como se eu estivesse relendo um livro que já gostei, pois as pessoas que passam pela nossa vida são como livros que a gente gosta e um dia gente pode até esquecer dos detalhes, mas nunca esquece dos livros.
Gosto de relembrar pra me encontrar.
É no passado que vivi que encontro tudo o que me faz presente aqui e pronto pra viver.

Tem vezes que lembro também dos motivos pelos quais já chorei.
Também não me cabe julgar se eram ou não motivos suficientes para tal, mas foram coisas que de algum jeito me faziam mal e tiravam as minhas noites de sono. Por um lado me frustra lembrar que algumas desses vezes eu chorei pelas boas intenções, chorei por estar pensando uma coisa e a pessoa outra, chorei por estar sentindo uma coisa e por mais que a pessoa demonstrasse o mesmo, no fim dizia que era outra. Chorei um bocado.

As folhas do calendário são as folhas do nosso próprio diário.

Isso quer dizer que apesar de eu riscar um por um dos dias que já passaram, eu não os ignoro, tampouco me envergonho, cada um deles fazem parte da coleção que eu sou.

Neste diário que escrevo todos os dias vejo espaço também para os dias que já sorri feito criança. São dias que me voltam o riso só de lembrar assim tão rapidamente. Dias em que tive companhia para conversar sobre os desenhos das nuvens ou sobre as estreias do cinema; dias de deliciosamente gigantes filas no cinema. Não falo agora num tom nostálgico ou algo como “será que eu nunca mais vou viver algo parecido?”. Do contrário, falo num tom de “Olha como essa vida é gostosa, embora caprichosa pra acontecer”.

E as vezes em que meti o pé pelas mãos? Ah, essas vezes.
Mensagens que talvez eu não deveria ter mandado, bem como ligações que eu não precisava ter feito ou demonstrações que eu não precisava ter desperdiçado. Por um lado me convence pensar que são erros passados nos quais não devo cometer outra vez, por outro lado, entretanto, eu quero mesmo é que vá a merda quem não soube valorizar cada um dos meus valiosos esforços e todo dia faço questão de exibir o melhor dos meus sorrisos pra quem eu posso confiar: eu mesmo. E quando me for necessário decido o jeito que eu vou ser, sendo eu mesmo do jeito que cada um merece que eu seja.

É no espelho de toda a manhã que eu vejo quem sou, quem já fui e quem gostaria de ser. É neste mesmo espelho que vejo cada vez que chorei e cada sorriso que já dei, e então, ao me arrumar pra ir viver mais um dia nessa cidade, procuro mentalizar coisas boas e novidades do bem para o meu dia, que seja mais semáforos verdes que vermelhos ou mais e-mails respondidos que ignorados.
Saio de casa carregando bem mais que a chave do portão e um celular cheio de saudade e flertes de fim de semana; saio de casa carregando um coração recheado de vontade de viver coisas pra me orgulhar e contar para os meus filhos um dia. Pode ser coisas tipo o dia em que consegui relevar o aperto no transporte público e apreciei melhor as minhas músicas favoritas, ou o dia em que salvei alguém na faixa de pedestre. Eu não sei. O que sei é que cada dia pra mim não é apenas um dia a menos para um novo fim de semana, cada dia pra mim se trata de mais um monte de oportunidades de me sentir melhor com as coisas que sinto e quero viver. Sou quem planta o que quero colher.

Sou eu que devo arregaçar as mangas e fazer jus ao salário que me traz comida no prato, sou que devo semear mais vontades de dar risadas do que motivos pra reclamar, sou eu que devo oferecer meus ombros pra quem eu gosto quando precisam de um canto pra desabafar. Também sou eu que devo ser o amor que eu tanto valorizo, sou eu que devo colocar efeito nas frases de efeito que leio, sou eu que devo aumentar a duração dos abraços, sou eu que devo convencer que gostei do beijo, sou eu que devo deixar claro o quão o sexo é especial pra mim apesar de eventualmente casual. Sou uma coleção, sou um álbum de fotos, sou verso e refrão, sou dias de sol e chuva, sou frio e calor, sou praia e campo, eu sou.
Se não sou tudo que eu gostaria que fossem pra mim, eu deveria ser. E serei.

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9 respostas em “Eu sou tudo o que eu gostaria que fossem

  1. Textos maravilhosos…
    Eu todo dia do uma passadinha aqui pra ler.
    Você simplesmente conta meus momentos o que sinto e o que já vivi.
    PARABÉNS

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