Se eu nem lembro do jantar, quanto menos de você

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Leia ouvindo:

Que fase boa é essa a minha.
Já vivi tanta angústia que nem lembrava mais do gosto da comida.
Pois você sabe né, tem aquelas dias que a gente briga que nem dá vontade de comer, quando alguém termina com a gente então, nem se fala, é normal ver uns quilos indo embora com a pessoa que deixou a nossa vida. Tá vendo como nem o fim é de todo um mal? Mas passou, ainda bem que passou.

Hoje eu nem reclamo mais, parei, da vida mais do que querer alguém eu quero paz.
Se eu tiver um beijo pra animar meu fim de semana ou algum flerte pra me tirar o riso no meio da rotina, eu já vou gostar.

Meu horóscopo só me diz que “mês tal vai estar retrógrado”, mas dizer que uma pessoa especial vai chegar além das minhas contas pra pagar que já chegam, ele não me diz, né? Então eu passei a ignorar.
Sei que até pode parecer um certo desapego, um desprendimento e até um ceticismo sobre ter alguém comigo, mas é aí que qualquer um se engana.
É claro que ainda solto um choro com uma cena que me amolece o peito nos filmes, bem como solto um riso sincero quando vejo um casal aqui ou acolá, o que mudou é que ao invés de eu desejar me tornar um casal assim também, algo tipo  “que bonito os dois, queria poder andar de mãos dadas também ♥”, passei a pensar: “que coisa bonita é o amor!”. Sabe? Eu mudei a forma de viver o que sempre vivi.

“Ah, então assim você pode se considerar ileso de qualquer decepção?” Não, claro que não. Até porque, como eu disse, ainda me permito ter uma queda por um sorriso que ilumina ou meia dúzia de palavras sobre o que é bom dessa vida, mas posso assumir que isso é uma maneira que encontrei pra me proteger de caprichos.
É, caprichos! Aquela negócio de gente brincar com o que a gente sente ou aquilo que chamam de gente que tá “tocando o puteiro”. Vou te falar, sei lá qual é o meu problema mas eu só me meti em furada enquanto eu queria mesmo era meter viver outra coisa. Mas também não tem como fugir, né? Do nada a gente se vê ali derretendo por alguém que enxergou um ponto fraco na gente e pronto: ja saímos cantando os refrões cafonas e achando graça nas crianças pelas ruas com o pensamento de “imagina ter um filho um dia” e aquelas coisas que a gente planeja sem nada ter acontecido.

Já fui vítima daquele tal do “é que acho que você está gostando mais de mim do que eu de você”. Teve também aquela do “o problema sou eu e não você”, isso sem contar uma das minhas preferidas: “eu gostaria que a gente continuasse amigo, gostaria de continuar falando com você etc”. Já quis matar mas hoje da vontade de rir quando lembro disso, porque cada uma dessas pessoas que me falaram isso um dia vão procurar em outra pessoa o que só encontravam em mim. Não é um desejo, é uma verdade.

Não me tornei menos sentimental, tampouco menos confiante no amor sincero, só me tornei mais pé no chão. E também não dá pra garantir até quando isso vai funcionar, mas já tá me fazendo bem como tem funcionado.

Passei pela fase também de rejeitar todos os convites pra sair.
Hoje eu comemoro quando desejam a minha companhia, até porque o jeito que a noite vai terminar não depende só da pessoa, mas de mim também. Eu também estou no controle!

Acontece que nós só queremos viver a vida mas nunca paramos para organizá-la. A luta é sempre contra nós mesmos e contra o que pensamos. É mais fácil ouvir o refrão depressivo quando a saudade chega do que ouvir um refrão feliz pra sacodir a poeira. E o problema está bem por aí, o problema está na acomodação, no modo que consumimos a vida fazendo com que ela consuma a gente.
Ué, se eu sei que ouvir essa música quando me dá saudade me faz ainda pior, pra quê vou ouvir? Foi pensando nisso que troquei o disco.
Não esqueço de nenhuma boca que beijei nem dos corpos que me entreguei, mas guardei todos num lugar valioso do meu coração e ficarão lá até que eu sinta vontade de relembrar pra compartilhar com alguém.

Que fase boa é essa a minha.
Mas é só uma fase, logo mais a vida me traz novidade sobre o coração capaz de me fazer ignorar isso tudo e cair na cilada de colocar “amor” na agenda do celular ou dos “me liga quando chegar” depois de partir. E não tem problema também, vai ser bom e serei diferente quando chegar, o fato é que pelo menos por enquanto estou sabendo lidar com quem mais vale a pena na minha vida: eu mesmo.

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6 respostas em “Se eu nem lembro do jantar, quanto menos de você

  1. Que texto maravilhoso!!!
    Simplesmente expressa como me sinto, e quem me tornei.
    Toda vez que a tristeza bater e eu esquecer de tudo o que eu sou hoje, lerei esse texto, tá nos meus favoritos, pra sempre lembrar de tudo que passei e do que hoje, já não faz parte da minha vida.
    Estou lendo seus textos e esse foi o que mais me tocou.
    Parabéns pela criatividade e por esse coração lindo ;*

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