A culpa é toda nossa

Funciona assim: as coisas às vezes dão certo. E às vezes não.
É coisa da nossa cabeça querer entender tudo, indo por esse lado seria justo que entendêssemos que tem coisas que nunca vamos entender. É confuso, mas a vida é confusa. Tentar explicar a vida pode levar a loucura.

Todo dia uma história termina, bem como um dia também.
E os motivos são variados: Histórias terminam por algum dos dois “estar gostando rápido demais”, por “não estou pronto para algo sério agora”, por “fiquei assustado como as coisas aconteceram rápido demais entre a gente” ou qualquer outro motivo. E é de se esperar que a frustração nasça junto com a vontade de socar as paredes.

Todo dia uma história começa, bem como um dia também.
E os motivos são variados: Histórias começam por algum dos dois “eu gostaria de te ter comigo mais vezes do que já tenho”, por “talvez eu esteja sendo precipitado, mas você precisa saber”, por “não quero te assustar, só quero que entenda que o que sinto por você é de verdade e não tenho mais força pra controlar” ou qualquer outro motivo.

Acontece que nós queremos mesmo é que a vida seja como nós pensamos que deve ser. Somos viciados em querer viver o que queremos.
É claro que isso não significa que não devemos ir atrás das coisas – ou das pessoas – que gostamos, pelo contrário, devemos fazer o máximo que podemos. Mas isso tem a ver com a decepção que mergulhamos quando as coisas não saem como o esperado, e os nossos olhos que tanto enxergam mudam o foco então só para uma parte das coisas: as ruins.

Nós gostamos mesmo é de uma fossa. Não adianta, faz parte do que somos.
“Ah que coisa horrível de se dizer! Eu gosto é de felicidade” Ora, quem não? Acontece que o esforço que fazemos para sair de uma fossa contradiz a nossa vontade de ser feliz, ou seja, fazemos mais esforço para não sair do lugar do que para sacodir a poeira. O negócio é colocar na cabeça para o que devemos direcionar nossos esforços: se para continuar do jeito que está ou se para mudar um pouco todo dia?

A vida não pode nos consumir, somos nós quem a consumimos.
As contas vão chegar como sempre chegaram, o trânsito não vai melhorar, o preço das coisas não vai abaixar, dor nenhuma muda a rotina. É bobagem deixar de viver por alguma boca que não se pode mais beijar.

Por quê lembramos mais das bocas que não podemos beijar do que das vezes em como foi bom beijá-las? Por quê nos importamos tanto com as mensagens que não queremos apagar do celular se podemos, a qualquer momento, mandar mensagens novas? É a nossa tendência em não mudar; é o eterno e desgraçado estado de “estou mal, me deixa aqui” que vegetamos quando as coisas não saem como o esperado.

Antes de qualquer coisa é preciso entender que a vida nos dá o que merecemos e não o que queremos.
E claro que dor está nesse meio. A nossa trajetória é cheia de tropeços. Desde o brinquedo quebrado na creche até a demissão ou ao flagrante de traição. Não é pior pra ninguém, é igual pra todos. Todos temos o mesmo coração e sentimos as mesmas coisas.

Tem saudade que é boa de ter, mas ter lembrança é melhor. Saudade é lembrar e sofrer, lembrança é lembrar e suspirar. Não dá pra escolhermos o que lembrar, mas dá pra escolhermos no que pensar. O nosso pensamento atrai o que ele quiser. Por isso os refrões de tristeza nos fazem lembrar só da parte ruim das coisas. Por quê não lembramos dos refrões de alegria? Daqueles dos fins de semana de sol ou dos sábado de inverno-pijama-moletom? Porque parece que somos amaldiçoados, parece que é só as coisas saírem fora do planejado que já saímos procurando o viaduto mais próximo para nos jogar.

O tempo que se gasta pensando no que passou, se ganha pensando no que ainda nem chegou. E faz bem inspirar e planejar. Nós precisamos de planos!

Tem tanta boca lá fora esperando por um beijo nosso.
Lá fora dessa nossa dor toda.

Tem tanta mensagem esperando pra ser respondida além de visualizada. Tem tanta coisa pra se ouvir do tipo “que bom te ver, estava com saudade” ou “não vejo a hora de te ver, cadê o fim de semana que não chega?”

Da pra ser didático sobre como funciona a vida.
Cada dia começa e termina e assim são as nossas histórias, talvez em velocidades diferentes, mas no mesmo raciocínio. Tem dias que acordamos felizes com o sol bonito, nos de chuva nem tanto felizes e a preguiça é maior. Tem pessoas que gostam de dividir um dia de sol bonito com a gente, tem outras que confessam desinteresse e aparente preguiça até em nos encontrar. A lógica pode ser pobre mas nem por isso menos certeira.

Por quê insistimos em lembrar de quem nos fez sentir como bosta? Por quê esbravejamos com os amigos: “ahh fulano fdp vai ter o que merece, não podia ter feito isso comigo”? Aonde vamos chegar com tudo isso?

Por quê fazemos tantos joguinhos se ninguém vai ganhar?

Cada dia vivido é um dia mais perto da morte. E pode soar tenebroso mas é real.
Isso quer dizer: será que vale a pena mesmo dedicar tanto tempo – que seja em pensamento – pra alguém que não está nem aí pra gente? Será que vale a pena correr tanto atrás assim de alguém que não demonstra querer saber se estamos vivos os mortos? Será mesmo que merecemos gastar todas as nossas energias, pensamentos e sentimentos em coisas que já existiram só pelo desejo em querer que exista de novo? Aqui a inteligência se faz necessária.

Nossa boca é tão gostosa pra ser beijada.
Nosso corpo é tão gostoso pra se transado.
Nossa voz é tão sincera pra dizer que ama.
Nossas mensagens são tão certeiras em demonstrar que gosta.

Será mesmo que vale a pena abrir mão de tudo de melhor que somos por pessoas que já passaram pela gente, pela saudade implacável, pelo desejo de volta ou por qualquer outra coisa com remota possibilidade de acontecer?

As coisas não dão certo, mas por quê precisamos lembrar mais dessas coisas do que de todas as outras?
Já basta a lição do fim, pra quê dar ainda mais força para o que não nos faz bem?
Por quê se vingar das noites sem sonhos nas noites de sono?

Quantas perguntas assustadoras.
Mas todas levam a um ponto: o que nós queremos da vida? Sofrer pelo que já vivemos ou vibrar pelo que nem conhecemos?
Nós somos responsáveis em dar fim às coisas que não fazem bem pra nós mesmos.

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7 respostas em “A culpa é toda nossa

  1. Não consigo descrever o ”alivio” que senti lendo esse texto. Estou numa fase horrível, e pode parecer bobagem, mas já mudou o sentido do meu dia. Obrigada!

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