A boca que xinga é a mesma que beija

Eu sou bem assim mesmo.
O meu jeito de gostar pode assustar, mas de jeito nenhum é um jeito ruim.
E algumas experiências que já tive me fizeram ver que não são todas as pessoas que estão prontas para merecer o que eu posso sentir por alguém.

Eu não brinco de gostar.
Não gosto pra impressionar.
Muito menos gosto pra me privilegiar.

Quando eu gosto, eu gosto pra me entregar.
Não consigo viver aquela história de pensar antes de sentir, de deixar de ser quem eu sou por medo de assustar. Entendo que a pressa atrapalha, mas gostaria também que fosse compreendido que não se trata de pressa, se trata de intensidade. E que por maior que seja, intensidade é sempre bem-vinda; os excessos é que nem sempre são. Os motivos muitas vezes são outros. Ninguém acaba uma história pela outra pessoa estar tentando ser feliz rápido demais. As fases é que não são as mesmas. É isso.
Que culpa tenho de gostar de fazer com que 1 segundo pareça 1 ano.

O que me tranquiliza é saber que eu não forço nada. Eu não sei fingir sentir algo que não sinto.
Já teve gente que machuquei com a minha sinceridade, mas não me arrependo e continuo preferindo falar o que sinto do que o que eu devo falar. É que quando estamos numa situação de tomar alguma decisão e essa decisão for alguma daquelas que vai afetar outra pessoa, nós colocamos muitas mãos nas palavras, às vezes tantas que até escondemos as necessárias. Eu nunca ofendi, mas nunca menti também.
Só que o alívio do fim não é o mesmo pra todos.

Assim como eu já quis morrer quando ouvi coisas que eu precisava ouvir.
Não eram as coisas que eu gostaria, eram as que eu precisava.
Mas o tempo me ajudou a respirar melhor e a entender que um dia sou quem termina, no outro sou eu com quem vão terminar.

No meio de tudo isso tem o valor de gostar de alguém.
A música diz que quando a gente gosta é claro que a gente cuida. E esta é uma verdade a se confiar.
Quem sou pra julgar, porém, não me entra na cabeça como existem pessoas que se machucam, se maltratam, se xingam, gritam, esperneiam e até se batem, e no fundo, dizem se gostar. Pra mim não faz sentido.

O problema é quando deixamos de gostar e nos vemos viciados em alguém.
Vício nenhum é bem-vindo, nem o vício em ser feliz, pois pode te cegar e não te deixar aprender o necessário. Agora, se viciar em outra pessoa é pedir pra morrer devagar.

Histórias são compartilhadas, não ameaçadas.
Não pode ser normal sentir tanta raiva a ponto de xingar a família toda da outra pessoa no meio de uma discussão qualquer. E eu sei bem que temos o direito de surtar e que tem vezes que a raiva parece esmagar a nossa cabeça, mas o argumento do “falei sem pensar” não pode ser uma desculpa pra se acostumar. Começa assim. Hoje falou sem pensar, amanhã escapou, depois de amanhã aconteceu de novo e foi a última vez, depois de novo, depois virou rotina, depois virou vício, virou doença. E vai piorando até matar o respeito, até matar tudo.

Já é tão difícil conviver com outra pessoa e não é justo piorar.
É difícil entender alguém que pensa diferente da gente; difícil se colocar no lugar, evitar brigar. É tudo muito difícil. O que pode facilitar com que isso seja feito é a lembrança do que está sendo vivido; é a lembrança de a mão que você usa pra apontar ou pra empurrar é a mesma que usa pra mimar e dar carinho. É burrice fazer de algo tão bom um motivo besta pra se desgastar. Ninguém vai sair ganhando com nada. É melhor ter paz do que ter razão.

Eu sou bem assim mesmo.
Eu gosto de gostar e sei que é preciso respeitar.
Tenho raiva quando só consigo assustar mais do que conquistar. Mas é algo que tenho tentado aprender a contornar. Eu nunca vou deixar de ser quem eu sou por medo de alguém não gostar ou de eu me acelerar, mas eu posso aprender a ser eu mesmo na hora que preciso ser. Posso ser eu mesmo de formas diferentes em vários momentos da minha vida.
Não tenho problema em admitir que sou carente por uma mensagem surpresa no celular. Por isso não entendo como posso ofender alguém que eu só quero cuidar.
Tento respeitar para que eu também seja, para que os dois sejam, para que história seja, pois tudo o que está sendo vivido não é algo só por mim, é por quem estou e pelo que estamos construindo. Não vejo motivos pra me desequilibrar e avançar para a pessoa que gosto para fazer qualquer outra coisa que não seja dar um beijo. E isso é o mínimo que ela merece.

Quando eu gosto, eu gosto pra me entregar.
Gosto do frio na barriga antes da gente se encontrar. Gosto dos planos do fim de semana, gosto da demora na fila do cinema, gosto até do trânsito da rotina. Eu gosto de me lembrar que tenho um motivo a mais para animar meus dias, nem que a presença seja só no meu pensamento ou na forma de uma troca de mensagens no celular.

Gosto de dormir com a consciência limpa de quem existe alguém que sabe que em mim poderá confiar, que eu sou quem vai proteger e tentar ajudar. E que por mais que um dia tudo acabe – como já acabou outras vezes -, por mais que um dia a gente deixe de se gostar, eu sempre vou ter motivos pra respeitar.

Sempre vou ser mais inteligente se eu usar minha boca mais pra beijar do que xingar.

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6 respostas em “A boca que xinga é a mesma que beija

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