Menos likes nas fotos, mais likes na vida

A gente não quer só dizer que está tudo bem; responder ao perguntar “tudo e você?”
A gente não quer essa coisa de “vamos marcar um dia” e perceber que na verdade esse dia nunca vai chegar. Ah, a gente não quer mesmo.
A gente ama marcar e realmente comparecer nas coisas marcadas.
A gente é o tipo de gente que gosta de ter gente por perto.
Gente de verdade, sabe?
Gente imperfeita, que erra, mas tenta acertar com vontade.

Bem que por um lado seria mais fácil exigir menos e só viver por aí beijando bocas.
E dia seguinte postar um “gente, o que eu fiz ontem?” igual as pessoas fazem, né?
Mas a gente não gosta muito disso não. “Então vocês são santos?” Pelo contrário.
A gente coleciona boas aventuras, lembramos de alguns beijos, de outros nem tanto, porém. É que funciona assim:

Se for pra gente ter qualquer coisa é melhor a gente nem ter nada.

Essa história de curtir a vida do jeito que se curte um pacote de salgadinho não é muito a nossa praia. Por isso a gente é meio exigente sobre o que queremos.
Mas evite confusões: a conotação do verbo “exigir” aqui configura em algo parecido com almejar, ou seja, é que a gente sabe bem o que quer e não aceitamos nada menos que isso.
“Nossa, mas o que tanto vocês querem então?”

A gente quer quem queira a gente. No fim, é só isso.

Esse alguém pode ser bem diferente da gente.
Pode gostar de refrões que não achamos graça e pode amar filmes que nunca vamos assistir, isso nem importa, desde que esse alguém goste da gente.
Dá pra ver como é bem simplista no fim, né? Não tem exagero nenhum não.

Com alguém que goste da gente fica mais fácil viver a vida de um jeito mais contente.
Pois sabe como é né, é bom demais ter uma risada pra acompanhar a nossa e ter uma mão pra aquecer tipo nessas noites de inverno. É bom demais dividir o edredom e dormir feito uma pessoa só. Isso é realmente bom demais.

Essas coisas acontecem quando a gente tem alguém que gosta da gente.

Também é por isso, no entanto, que a gente fica tão triste com algumas coisas.
Dói demais conhecer alguém que se parece bacana e depois ver que esse alguém não dava a mínima pra gente, sabe? É chato porque a gente gosta de se dedicar pra caramba. A gente é meio cafona. A gente gosta de pedir pra avisar quando chegar em casa, a gente termina as frases não com um =) mas com um <3.
Olha, pra gente isso se chama carinho, mas tem que não goste tanto assim.
Tipo aquelas pessoas que veem a forma da gente cuidar como uma forma da gente se apropriar. E aí dá um nó cabeça: ué, a gente não tem poder de se apropriar de ninguém, pra quê pensar assim? Essas pessoas são estranhas. A gente acha que elas tem medo de pessoas como a gente; de pessoas reais.

A gente sofre tanto, vocês nem fazem ideia do quanto.
Não entra na nossa cabeça como alguém pode ler a nossa mensagem e não responder. É claro que a gente sempre espera uma resposta boa, mas melhor que isso é ter pelo menos uma resposta, seja qual for. Mas tem umas pessoas que perdem tempo jogando ao invés de ganhar se divertindo. Esse negócio de “não vou ligar porque já liguei muitas vezes” não cola muito com a gente. E aliás, a gente gosta mesmo é de quem toma uma atitude, sabe? Nossa, como a gente gosta! É outra coisa boa da vida: alguém que diz pra gente o que sente; alguém que diz que tá com saudade da gente e como fazemos falta. Ou até mesmo alguém que diz pra gente quando erramos. No fim das contas as coisas são meio práticas, né? Pra gente é, mas tem gente que gosta de dar uma complicada, vai saber o por quê.

Sim, a gente imagina um mundo bem bonito.
É que pra gente funciona assim: fazemos com as pessoas o que gostaríamos que elas fizessem com a gente. É tipo o 2+2=4 do coração, sabe? Por isso que às vezes o mundo parece mais legal pra gente. A gente primeiro mergulha nas pessoas, depois a gente vê se vamos nos afogar ou nadar. E deve ser por isso que muita gente torce o nariz porque a gente gosta de postar frases e músicas bonitas. Ué, o que a gente mais gosta é de espalhar coisas boas. Pra que dar atenção para as coisas ruins? As pessoas parecem gostar de sofrer, enquanto a gente gosta de viver.

A gente não quer só dizer que está tudo bem; responder ao perguntar “tudo e você?”
A gente não quer só o “visto por último tal hora” (que aliás agora dá pra esconder, né?).
A gente não quer só esses likes nas nossas fotos, a gente quer like nas nossas vidas.
A gente não quer só puxar assunto, a gente quer ser puxado também.
A gente não quer só chamar pra sair, a gente quer convites também.
A gente quer a vida real; a gente quer quem queira a gente.
A gente quer você se você mostrar que quer a gente.
Provavelmente a gente seja eu e você.
Nós, todos uma coisa só.

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Compre o livro “Um Travesseiro Para Dois”:  http://bit.ly/1wRjIvt
Márcio Rodrigues. – http://www.bit.ly/TUKoPd
foto: tumblr.
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+ textos exclusivos na página do blog no Facebook:http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

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13 respostas em “Menos likes nas fotos, mais likes na vida

  1. Como sempre mais um texto fantástico … Adorei, acho que isto se encaixa para as pessoas sensíveis que olham para a vida com o coração. Eu quero estar sempre com pessoas reais.
    Abs.

  2. Bem vida real. Vida de redes sociais e relacionamentos superficiais. Bem mesmo o que gente como eu quer: TATO, GENTE, AFETO…de verdade.

  3. Tenho a mesma opinião que mostra o texto. Porém, é que as vezes mesmo tendo a pessoa que gosta da gente ao nosso lado e se não sentirmos nada, não vamos conseguir retribuir esse “gostar”. Ai você para e pensa: Poxa, faço tudo pela Fulana e a Fulana nem ai pra mim. E tem a Beltrana que pergunta como foi meu dia, realmente querendo saber como foi meu dia. Com isso, as vezes penso que as pessoas (não todas) gostam de relacionamentos conflitantes. Gostam de se sentirem inseguras. Gostam de ficar na dúvida se o Fulano gosta ou não dela. Porque quando deixamos as coisas simples e diretas, quando mostramos como vai ser se ela escolher ficar ao nosso lado e não ficamos com joguinhos, Elas simplesmente não querem. Acham que é muito mágico para ser verdade.
    Bom, mesmo as vezes tendo essas conclusões, continuo tentando e sendo quem realmente eu sou, fazendo o que tenho vontade, sendo direto e sem joguinhos. Uma hora dá certo…rsrsrsrs

  4. Olá Márcio, boa noite. Bom, primeiramente o que vou escrever aqui não tem nada a vê com o post (que está incrivel por sinal). Meu post é referente um texto que você postou que viu na fila do supermercado… Aquele “chata pra caralho”, lembra né? Então.
    Venho aqui desabafar, até porque, tem textos que você escreve parece que são feitos para mim.
    Bom, namoro a mais ou menos 3 anos, com idas e vindas e, aquele texto parecia comigo. Me senti igualzinha aquela mãe, que colocava as coisas na esteira do supermercado, sinto a mesma coisa que ela muitas vezes. Ser chamada de chata, as vezes é um jeito carinhoso, por exemplo “minha chatinha”. Mas esse “chata do caralho” magoa tanto, dói tanto…
    As vezes, acho que só amor não basta. É preciso respeito! Respeito em qualquer hora, não só na hora de não olhar pra bunda alheia, como também ter respeito em não xingar aquela pessoa que divide a cama, aquela pessoa que divide o copo de suco, aquela pessoa que divide o doritos no ônibus.
    Eu ouço direto esse “chata do caralho”, burra, insuportável, que eu só falo merda.. esses tipos de coisa. Ai vem o pensamento: só o amor, basta?
    A dificuldade de muitos casais hoje em dia é NÃO ouvir o outro. Ouvir quando eu digo, é prestar atenção no que foi dito, não apenas escultar, quando entra por um ouvido e sai pelo outro. Na verdade, a maioria das pessoas não sem ouvem. No meu caso, parei de ser ouvida faz um tempo…
    Ai vem a pergunta: TÁ COM ELE PORQUE AINDA? O QUE TE PRENDE, SE NEM FILHOS VOCÊS TEM? SE SÃO APENAS NAMORADOS?
    Porque existe uma coisa aqui dentro que é mais forte. Que dói só de pensar em me afastar, medo de perder aquela pessoa que construiu uma vida nesses 3 anos.
    Tenho medo, Márcio.
    Isso ficou confuso, mas precisava te dizer… Seus textos descrevem meus sentimentos e se você lembra daquela mulher, da reação dela, vai saber do que eu sinto.

    • Eu entendo você, de verdade.
      Eu só gostaria que refletisse sobre a sua vida e o tempo gasto. Se já entende que amor não é tudo, dá pra você enxergar como merece aproveitar mais o tempo vivendo do que se lamentando, sabe? Ninguém além de nós mesmos pode resolver nossos problemas.
      Por favor, quero só que reflita que o tempo que perde “empurrando com a barriga” não volta mais. É preciso se rever.

      Conta comigo,
      beijos.

  5. Incrivel como seus textos falam de algo que eu senti/sinto. Muitas vezes me pego pensando exatamente no que vc escreveu nesse texto, e diria mais: a gente quer mais desce to aqui em baixo em vez de apenas estou com saudades.

  6. Me identifiquei bastante com os textos e com os comentarios. Gosto de viver de uma forma simples e real, e com pessoas tambem simples e reais.
    Esse livro Travesseiro para Dois, deve ser ser muito bom e lerei em breve.
    Obrigada

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