Esse Dia Pode Ser Amanhã

Eu ia ser mais feliz se tivesse um botão no meu corpo que funcionasse como “Gostar”, “Não gostar”, sabe? Se eu fosse de fluído, ferro e graxa acho que as coisas dariam menos errado do que sendo de carne, osso e sentimento. Em tese, claro.

Pouco a pouco a gente aprende a lidar com o que somos ao invés do que com o que gostaríamos de ser.

A fase não é boa e ainda me peguei pensando nas histórias que vivi até hoje.
Em cada uma delas eu vi um lado diferente de mim. Vi também como as pessoas são diferentes diante das mesmas situações e como isso é interessante! Afinal, é bom saber que nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de ciúmes, que nem todas traem e por aí vai. Tem gente também que não vê graça em iniciais nas nuvens, já eu…

A verdade é que hoje eu não estou sabendo muito bem o que fazer com uma situação que eu vivia com mais frequência quando era mais jovem, criança mesmo, lá na escola. Foram inúmeras vezes que eu sonhei com uma história perfeita e a pessoa nem ficava sabendo desse sonho, outras milhares – as ocasiões mais difíceis -, quando eu conseguia romper a barreira da minha timidez, revelava tudo o que eu sentia, mas no fim, eu gostava por nós dois.

Voltei pra essa fase.
Hoje me vejo gostando por dois. Tanto, mas tanto, que chega a doer. É tão difícil ter que guardar pra si todo um sentimento bom quando a gente quer dividir com alguém, com alguém especial.
Nessa fase lembrei de outras dificuldades que já passei com esse negócio de gostar de alguém.
Sem saber muito bem o por quê, comecei a gostar muito de alguém que eu nunca tinha visto na vida. Sei lá, foi aos poucos, a gente conversava pra caramba, eu fazia as coisas rapidinho em casa pra gente poder ter o “nosso tempo” na internet. Meus amigos reclamavam que eu demorava pra responder mas não faziam ideia do quanto eu estava gostando do motivo pra essa demora.

Lembro que construímos algo que só nós dois acreditávamos. A gente se bastava. Ter como falar pela internet ou pelo celular já era o bastante, já que a realidade era a que morávamos a quilômetros de distância um do outro. Que situação complicada.

Dias novos trazem novos sabores dos velhos sentimentos.

Ali eu descobri que existe a saudade pelo que eu nem tinha. Que coisa louca! Me fazia falta quando não dava pra gente se falar; me enfurecia quando a conexão da internet caía ou quando eu ficava sem dinheiro pra colocar crédito no celular pra gente poder conversar outras horas durante o dia.

Já não bastasse tantas, tem também a dificuldade de controlar a vontade e a saudade por algo que nem temos.

Mas pra mim, no meu mundo, era tudo muito real, eu conseguia sentir tudo! Todas as minhas risadas eram reais, as minha preocupações também. Comecei a enlouquecer! Via pela cidade pessoas com o rosto parecido, via nas vitrines presentes que eu gostaria de comprar. Eu via um mundo onde eu não podia viver!

Ter que aceitar que faz parte é pior que aceitar o fim.

Porque o fim a gente sabe: uma hora ou outra, cedo ou tarde, vai chegar. Que seja daqui a 10 meses ou 100 anos. Agora, colocar na cabeça que as dificuldades que impedem as coisas de darem certo “fazem parte da vida” é algo que machuca e a gente se questiona se essa vida é realmente justa.

Ainda nessa mesma história, o fim chegou. Da mesma forma que “começou”, terminou, assim, inesperadamente. Só que eu levei mais tempo para superar. Sou dessas pessoas que não brinca com o que sente e mergulho de cabeça em coisas que nem tenho certeza.
Aí eu demorei pra deixar partir, demorei pra aceitar que não dava mais, que estava começando a fazer mal pra gente.

Só me convenço de que acabou quando eu coloco o ponto final. O meu ponto final particular, tendo em vista que falo das minhas histórias. E isso leva tempo, até acontecer eu fico pensando em alternativas pra dar certo, possibilidades, planejando fantasias. Eu sou assim, não tem jeito.

Como eu gostaria de não ter que viver de novo essa página da minha vida, essa busca enlouquecedora pela valiosa e simples reciprocidade. Inclusive isso me faz lembrar de uma outra história que vivi onde tudo corria muito bem. A gente já estava junto a um tempo, planejávamos coisas, mas a pessoa que estava comigo tinha medo, o mais puro medo de tentar a felicidade.

Só descobrimos atalhos quando mudamos o caminho.

É estranho pensar que tem gente que tem medo de mudanças, que aliás, vê essas mudanças como algo ruim ao invés de pensar em algo que pode ser melhor, que pode fazer tudo dar certo mais rápido. Isso nunca entrou na minha cabeça e eu me esforcei pra acreditar que aquela história não ia me fazer bem sem questionar se era um motivo genuíno ou não. Eu só desisti pra não ter que sofrer por algo que eu considero saudável. Não consigo viver uma história, que pode ser maravilhosa, com alguém que tem medo de tentar. Essa é a vida se provando surpreendente sempre.

Só que hoje…
Hoje é tão difícil viver essa minha fase. Eu sou uma enchente! Estou transbordando sentimento, o melhor deles, por alguém que não sente o mesmo.
É inevitável, me pergunto: Por quê eu fui gostar justo dessa pessoa? Tem tanta gente querendo ganhar tudo que eu tenho pra dar, mas não, lá vou eu e gosto de quem só sabe que eu existo.

O nosso maior problemas somos nós mesmos, logo, a nossa maior solução somos nós mesmos.

Eu gostaria que tudo isso tivesse sido diferente, gostaria que o que estou vivendo fosse diferente, gostaria de ter fotografias pra recordar, gostaria de entregar os presentes que pensei em comprar, gostaria que as datas comemorativas também fizessem sentido pra mim, gostaria de um monte de coisa boa. Mas tudo bem.

É um “tudo bem” de respeito e não de omissão.

Talvez não hoje, mas eu sei bem que um dia desses que estão pra nascer eu vou acordar achando que vai ser só mais um dia qualquer e aí vou chegar em casa a noite, e antes de dormir, vou deitar e pensar: valeu vida!

Na fraqueza posso não acreditar mais em mim, mas sempre acredito na última coisa que morre nessa vida.

#Este é um texto interativo especial. Foi escrito baseado em sugestões de temas/sentimentos de leitoras da página no Facebook.

#Curta: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

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Falo Normalmente Sobre os Motivos Que Eu Poderia Explodir

Leia ouvindo: www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

Nosso relacionamento não é uma prisão.
A verdade é que antes de começarmos nossa história e mesmo que um dia ela acabe, sempre teremos as nossas próprias vidas e isso é algo que não podemos esquecer. Só que assim, enquanto estamos juntos acho importante que a gente cuide um do outro, sei lá, que a gente se respeite, que por mais difícil que seja que a gente tente se colocar no lugar um do outro, sabe? Essas coisas.
Ok, já dei muita volta, vamos ao foco, a questão é que eu não tenho gostado de algumas coisas que você tem feito. E ok, eu assumo que isso nada mais é que ciúmes. Você pode achar infantil, desnecessário, o que for, mas o fato é que ele existe e eu sinto.

Não acho elegante você curtindo tantas fotos como tem feito. Também não me sinto confortável ao ver seu perfil cheio de mensagens de pessoas que eu até conheço, mas sobre assuntos que eu não conheço. E sim sim, eu sei que a depois você vai me explicar tudo, que são coisas simples e muito pequenas, mas é chato pra mim, eu fico com ciúmes, o que também pode ser chamado de uma curiosidade desenfreada em querer saber sobre o que estão falando.

Olha, entenda que não estou brigando, que não é uma reclamação sobre o seu comportamento – pior que parece que é né? hihi -, é que eu quero que você se coloque no meu lugar, já pensou como seria?
Imagina você vendo eu curtir um montão de fotos por aí, fazer comentários sobre assuntos que você não sabe do que se trata, essas coisas, sabe? Repito que eu entendo que é tudo bobagenzinha, mas uma monte de bobagenzinha se torna uma bobagenzona, um clima péssimo, uma briga, enfim, se torna algo que não precisa acontecer. E é por isso que eu estou vindo falar com você. Sabe por quê?

Porque eu gosto de você, porque eu me preocupo em falar todas as coisas que eu sinto, das boas as ruins. Gosto de compartilhar com você tudo que eu penso, afinal, compartilhamos de uma mesma história na qual cumplicidade é um dos pilares, por isso faço tanta questão da gente se entender.

Tem gente que diz que me preocupo demais. Até considero este ponto de vista, mas prefiro pensar que eu não consigo guardar algo que está me incomodando, sabe? Eu prefiro falar, resolver esse pepininho e depois aproveitar a gente.

Eu sinto ciúmes sim, você sabe, não é de hoje.
Pense pelo lado bom, pelo menos não é aquele ciúme doentio de não permitir que você fale com outras pessoas, ou aquele de te colocar na cruz por olhar as pessoas nas ruas, isso não faz sentido, como eu disse, isso é doença. E devo dizer que não me importo se te olham também. Você acha que eu não percebo? HA-HA, você que pensa! Eu percebo tudo nisso aí, sei muito bem quando estão te olhando, a diferença é no modo que eu lido com isso. Em geral, as pessoas torcem o nariz, olham feio, arrumam confusão, nossa, caem o nível, e pra mim isso é totalmente desnecessário. Penso assim, se estão te olhando é sinal que você é uma pessoal especial e chama atenção de alguma forma, mas o fato é que EU estou com você e não as pessoas que te olham, EU estou com a minha mão dada a sua e sou EU quem vai te ver acordar de manhã e não essas pessoas, por isso não vale entrar em climão por causa disso. E digo mais, concordo com tantas olhadas, afinal, você é realmente incrível, se não fosse eu não estaria com você hahaha.

Mas só pra retomar, você está me entendendo? Mais que isso, você está me levando a sério?
Estou falando numa boa, até fazendo brincadeiras, mas o assunto é sério. Poxa, é muito chato pra mim, não sei explicar muito bem por quê mas é. E tem aquele negócio, uma coisinha boba que eu vejo, não gosto e não te conto, acaba se tornando um ingrediente pra uma coisa grande que pode arruinar tudo um dia.

Problemas não resolvidos se tornam problemas irreversíveis.

Por favor, peço que entenda também que eu poderia esperar essa situação ficar insustentável, mas aí eu já não posso me garantir sobre o tom que eu falaria com você, e se tem uma coisa que eu não quero é que a gente se desrespeite.

Quanto mais raiva a gente tem, menos razão também temos e mais involuntários ficamos.

Além do mais, não faz sentido eu esperar uma coisa pequena se tornar algo maior a ponto de eu ter que me segurar pra não falar coisa que não preciso. Isso seria burrice.

Você consegue ver como é prático?
E pra esclarecer de uma vez por todas, não quero te pedir pra parar de fazer nada, só quero que imagine como seria se fosse você no meu lugar. O que hoje é grande pra mim e pequeno pra você, pode ser exatamente vice-versa amanhã. E eu quero evitar esse amanhã.

Eu só quero ficar bem. Tudo pra gente parar de perder tempo conversando sobre coisas chatas ao invés de aproveitarmos com tudo o que mais gostamos: um do outro.