Sobre os Motivos Para Reclamar

Você foi mesmo.
Quando eu menos esperava, tive que me conformar com o fato de te ver indo embora.
Nessa vida tem as coisas que a gente quer viver e as que a gente precisa. Só me coube aceitar.
É ruim de te ver de longe e não poder mais sentir o seu cheiro.
Também é muito complicado pra mim fazer algumas coisas que a gente fazia juntos. Ainda não superei e não adianta fingir o contrário. Pelo menos comecei a entender que eu só ia começar a viver melhor com a sua ausência, no momento que eu me permitisse ser alguém melhor, no momento que eu lembrasse que eu dei melhor, no momento que eu aceitasse que durante o nosso tempo você foi o melhor pra mim.

A gente não pode fugir de nós mesmos.

Ainda bem que eu nunca tentei isso.
Mas ouvi muita coisa de algumas pessoas. Ouvi receitas de como passar por essa sem sofrer demais, dicas de como esquecer algo rapidamente, e etc. Não fiz nada do que me indicaram, porque percebi que em todas essas coisas eu não seria eu mesmo, em todas essas coisas que eu seria o que gostariam que eu fosse. E isso não ia me trazer os sorrisos que me fazem melhor.

É difícil lidar com a saudade quando chove nessa cidade.
Não é tarefa fácil manter o equilíbrio quando o que a gente vê ao redor são centenas de casais felizes com motivos para celebrar os dias de chuva. E aí a gente tem que voltar para casa lidando com o metrô de sempre, com os fones e os refrões de sempre e com a nossa imagem de sempre refletida na janela. Sem ninguém pra conversar.

Só sabe o valor da dor aquele que se permitem senti-la.
Pois fugir dos maus momentos não vai fazer com que os bons cheguem mais rápido.

Eu sei de tudo isso, só estou dizendo que não é fácil.
A gente começa a se perguntar um monte de coisa, né?
É normal a gente começar a falar que ninguém presta, que a vida não é justa e que não nascemos para a felicidade mesmo. Isso são só tentativas de defesa; tentativas de amenizar os efeitos da dor procurando em outro motivo a resposta pelos nossos dias “mais ou menos”.
Só que o problema vai além de uma fase ruim.

Pior do que não ter alguém para fazer feliz é não sermos felizes com nós mesmos.

Eu sei disso também.
Só que é complicado ver o sol quando a gente está no fundo do poço. E cada um tem o seu próprio poço, com a sua própria profundidade. Não cabe espaço para julgamentos.
A luta é contra a saudade.
A saudade é uma lombada que existe na estrada da vida. Não adianta querer passar de pressa, acelerando ainda mais. O negócio é aceitar que é preciso reduzir a velocidade e passar devagar, pois do contrário, os danos serão ainda maiores.
Parece que tem horas que essa merda de saudade não vai me deixar viver nunca mais.

Se eu te visse de novo talvez eu nem ia conseguir falar nada, porque ultimamente tenho me afogado em tudo que eu teria pra te contar; dentro de mim transborda sentimentos demais.

É fácil dizer que as coisas não andam bem, difícil mesmo é reconhecer que já foram piores.

Já tive dias que pensei que não resistiria até a noite.
E isso, por si só, já é um motivo para comemorar, visto que hoje eu já consigo tomar café sem a companhia da sua voz no meu ouvido. E tenho conseguido mais coisas. Já me afeta menos ouvir o nome das bandas que você gostava.

Tenho lido coisas sobre pessoas que se encontram de novo.
São valiosos pontos de vista que não me influenciam, mas me lembram que eu nunca estou com 100% de razão e que sempre existe tempo para aprender um pouco mais.
Acho que eu gostaria de te ver de novo só pra saber se continua a mesma pessoa.
Queria saber se ainda tem as mesmas manias; se ainda dorme com a TV ligada e se ainda deixa a toalha molhada jogada no sofá.

Só que hoje eu não posso fazer nada.
Não fui eu que quis assim.

Lembro da gente conversando sobre o futuro.
A gente falava de como seria legal ter uma casa pra morar, mas que se isso fosse difícil demais de conquistar, já ia nos bastar ter uma nuvem lá no céu.
Pena que não mais nesse mundo, só que mais pessoas ainda precisam conhecer o jeito que você dá risada, agora, aí em cima na nossa futura casinha.
Eu fiquei por aqui com os nossos sonhos e a nossa vontade de fazer alguma coisa pra esse mundo ser melhor, já você, você foi mesmo.

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Esse Dia Pode Ser Amanhã

Eu ia ser mais feliz se tivesse um botão no meu corpo que funcionasse como “Gostar”, “Não gostar”, sabe? Se eu fosse de fluído, ferro e graxa acho que as coisas dariam menos errado do que sendo de carne, osso e sentimento. Em tese, claro.

Pouco a pouco a gente aprende a lidar com o que somos ao invés do que com o que gostaríamos de ser.

A fase não é boa e ainda me peguei pensando nas histórias que vivi até hoje.
Em cada uma delas eu vi um lado diferente de mim. Vi também como as pessoas são diferentes diante das mesmas situações e como isso é interessante! Afinal, é bom saber que nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de ciúmes, que nem todas traem e por aí vai. Tem gente também que não vê graça em iniciais nas nuvens, já eu…

A verdade é que hoje eu não estou sabendo muito bem o que fazer com uma situação que eu vivia com mais frequência quando era mais jovem, criança mesmo, lá na escola. Foram inúmeras vezes que eu sonhei com uma história perfeita e a pessoa nem ficava sabendo desse sonho, outras milhares – as ocasiões mais difíceis -, quando eu conseguia romper a barreira da minha timidez, revelava tudo o que eu sentia, mas no fim, eu gostava por nós dois.

Voltei pra essa fase.
Hoje me vejo gostando por dois. Tanto, mas tanto, que chega a doer. É tão difícil ter que guardar pra si todo um sentimento bom quando a gente quer dividir com alguém, com alguém especial.
Nessa fase lembrei de outras dificuldades que já passei com esse negócio de gostar de alguém.
Sem saber muito bem o por quê, comecei a gostar muito de alguém que eu nunca tinha visto na vida. Sei lá, foi aos poucos, a gente conversava pra caramba, eu fazia as coisas rapidinho em casa pra gente poder ter o “nosso tempo” na internet. Meus amigos reclamavam que eu demorava pra responder mas não faziam ideia do quanto eu estava gostando do motivo pra essa demora.

Lembro que construímos algo que só nós dois acreditávamos. A gente se bastava. Ter como falar pela internet ou pelo celular já era o bastante, já que a realidade era a que morávamos a quilômetros de distância um do outro. Que situação complicada.

Dias novos trazem novos sabores dos velhos sentimentos.

Ali eu descobri que existe a saudade pelo que eu nem tinha. Que coisa louca! Me fazia falta quando não dava pra gente se falar; me enfurecia quando a conexão da internet caía ou quando eu ficava sem dinheiro pra colocar crédito no celular pra gente poder conversar outras horas durante o dia.

Já não bastasse tantas, tem também a dificuldade de controlar a vontade e a saudade por algo que nem temos.

Mas pra mim, no meu mundo, era tudo muito real, eu conseguia sentir tudo! Todas as minhas risadas eram reais, as minha preocupações também. Comecei a enlouquecer! Via pela cidade pessoas com o rosto parecido, via nas vitrines presentes que eu gostaria de comprar. Eu via um mundo onde eu não podia viver!

Ter que aceitar que faz parte é pior que aceitar o fim.

Porque o fim a gente sabe: uma hora ou outra, cedo ou tarde, vai chegar. Que seja daqui a 10 meses ou 100 anos. Agora, colocar na cabeça que as dificuldades que impedem as coisas de darem certo “fazem parte da vida” é algo que machuca e a gente se questiona se essa vida é realmente justa.

Ainda nessa mesma história, o fim chegou. Da mesma forma que “começou”, terminou, assim, inesperadamente. Só que eu levei mais tempo para superar. Sou dessas pessoas que não brinca com o que sente e mergulho de cabeça em coisas que nem tenho certeza.
Aí eu demorei pra deixar partir, demorei pra aceitar que não dava mais, que estava começando a fazer mal pra gente.

Só me convenço de que acabou quando eu coloco o ponto final. O meu ponto final particular, tendo em vista que falo das minhas histórias. E isso leva tempo, até acontecer eu fico pensando em alternativas pra dar certo, possibilidades, planejando fantasias. Eu sou assim, não tem jeito.

Como eu gostaria de não ter que viver de novo essa página da minha vida, essa busca enlouquecedora pela valiosa e simples reciprocidade. Inclusive isso me faz lembrar de uma outra história que vivi onde tudo corria muito bem. A gente já estava junto a um tempo, planejávamos coisas, mas a pessoa que estava comigo tinha medo, o mais puro medo de tentar a felicidade.

Só descobrimos atalhos quando mudamos o caminho.

É estranho pensar que tem gente que tem medo de mudanças, que aliás, vê essas mudanças como algo ruim ao invés de pensar em algo que pode ser melhor, que pode fazer tudo dar certo mais rápido. Isso nunca entrou na minha cabeça e eu me esforcei pra acreditar que aquela história não ia me fazer bem sem questionar se era um motivo genuíno ou não. Eu só desisti pra não ter que sofrer por algo que eu considero saudável. Não consigo viver uma história, que pode ser maravilhosa, com alguém que tem medo de tentar. Essa é a vida se provando surpreendente sempre.

Só que hoje…
Hoje é tão difícil viver essa minha fase. Eu sou uma enchente! Estou transbordando sentimento, o melhor deles, por alguém que não sente o mesmo.
É inevitável, me pergunto: Por quê eu fui gostar justo dessa pessoa? Tem tanta gente querendo ganhar tudo que eu tenho pra dar, mas não, lá vou eu e gosto de quem só sabe que eu existo.

O nosso maior problemas somos nós mesmos, logo, a nossa maior solução somos nós mesmos.

Eu gostaria que tudo isso tivesse sido diferente, gostaria que o que estou vivendo fosse diferente, gostaria de ter fotografias pra recordar, gostaria de entregar os presentes que pensei em comprar, gostaria que as datas comemorativas também fizessem sentido pra mim, gostaria de um monte de coisa boa. Mas tudo bem.

É um “tudo bem” de respeito e não de omissão.

Talvez não hoje, mas eu sei bem que um dia desses que estão pra nascer eu vou acordar achando que vai ser só mais um dia qualquer e aí vou chegar em casa a noite, e antes de dormir, vou deitar e pensar: valeu vida!

Na fraqueza posso não acreditar mais em mim, mas sempre acredito na última coisa que morre nessa vida.

#Este é um texto interativo especial. Foi escrito baseado em sugestões de temas/sentimentos de leitoras da página no Facebook.

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