Esse Dia Pode Ser Amanhã

Eu ia ser mais feliz se tivesse um botão no meu corpo que funcionasse como “Gostar”, “Não gostar”, sabe? Se eu fosse de fluído, ferro e graxa acho que as coisas dariam menos errado do que sendo de carne, osso e sentimento. Em tese, claro.

Pouco a pouco a gente aprende a lidar com o que somos ao invés do que com o que gostaríamos de ser.

A fase não é boa e ainda me peguei pensando nas histórias que vivi até hoje.
Em cada uma delas eu vi um lado diferente de mim. Vi também como as pessoas são diferentes diante das mesmas situações e como isso é interessante! Afinal, é bom saber que nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de ciúmes, que nem todas traem e por aí vai. Tem gente também que não vê graça em iniciais nas nuvens, já eu…

A verdade é que hoje eu não estou sabendo muito bem o que fazer com uma situação que eu vivia com mais frequência quando era mais jovem, criança mesmo, lá na escola. Foram inúmeras vezes que eu sonhei com uma história perfeita e a pessoa nem ficava sabendo desse sonho, outras milhares – as ocasiões mais difíceis -, quando eu conseguia romper a barreira da minha timidez, revelava tudo o que eu sentia, mas no fim, eu gostava por nós dois.

Voltei pra essa fase.
Hoje me vejo gostando por dois. Tanto, mas tanto, que chega a doer. É tão difícil ter que guardar pra si todo um sentimento bom quando a gente quer dividir com alguém, com alguém especial.
Nessa fase lembrei de outras dificuldades que já passei com esse negócio de gostar de alguém.
Sem saber muito bem o por quê, comecei a gostar muito de alguém que eu nunca tinha visto na vida. Sei lá, foi aos poucos, a gente conversava pra caramba, eu fazia as coisas rapidinho em casa pra gente poder ter o “nosso tempo” na internet. Meus amigos reclamavam que eu demorava pra responder mas não faziam ideia do quanto eu estava gostando do motivo pra essa demora.

Lembro que construímos algo que só nós dois acreditávamos. A gente se bastava. Ter como falar pela internet ou pelo celular já era o bastante, já que a realidade era a que morávamos a quilômetros de distância um do outro. Que situação complicada.

Dias novos trazem novos sabores dos velhos sentimentos.

Ali eu descobri que existe a saudade pelo que eu nem tinha. Que coisa louca! Me fazia falta quando não dava pra gente se falar; me enfurecia quando a conexão da internet caía ou quando eu ficava sem dinheiro pra colocar crédito no celular pra gente poder conversar outras horas durante o dia.

Já não bastasse tantas, tem também a dificuldade de controlar a vontade e a saudade por algo que nem temos.

Mas pra mim, no meu mundo, era tudo muito real, eu conseguia sentir tudo! Todas as minhas risadas eram reais, as minha preocupações também. Comecei a enlouquecer! Via pela cidade pessoas com o rosto parecido, via nas vitrines presentes que eu gostaria de comprar. Eu via um mundo onde eu não podia viver!

Ter que aceitar que faz parte é pior que aceitar o fim.

Porque o fim a gente sabe: uma hora ou outra, cedo ou tarde, vai chegar. Que seja daqui a 10 meses ou 100 anos. Agora, colocar na cabeça que as dificuldades que impedem as coisas de darem certo “fazem parte da vida” é algo que machuca e a gente se questiona se essa vida é realmente justa.

Ainda nessa mesma história, o fim chegou. Da mesma forma que “começou”, terminou, assim, inesperadamente. Só que eu levei mais tempo para superar. Sou dessas pessoas que não brinca com o que sente e mergulho de cabeça em coisas que nem tenho certeza.
Aí eu demorei pra deixar partir, demorei pra aceitar que não dava mais, que estava começando a fazer mal pra gente.

Só me convenço de que acabou quando eu coloco o ponto final. O meu ponto final particular, tendo em vista que falo das minhas histórias. E isso leva tempo, até acontecer eu fico pensando em alternativas pra dar certo, possibilidades, planejando fantasias. Eu sou assim, não tem jeito.

Como eu gostaria de não ter que viver de novo essa página da minha vida, essa busca enlouquecedora pela valiosa e simples reciprocidade. Inclusive isso me faz lembrar de uma outra história que vivi onde tudo corria muito bem. A gente já estava junto a um tempo, planejávamos coisas, mas a pessoa que estava comigo tinha medo, o mais puro medo de tentar a felicidade.

Só descobrimos atalhos quando mudamos o caminho.

É estranho pensar que tem gente que tem medo de mudanças, que aliás, vê essas mudanças como algo ruim ao invés de pensar em algo que pode ser melhor, que pode fazer tudo dar certo mais rápido. Isso nunca entrou na minha cabeça e eu me esforcei pra acreditar que aquela história não ia me fazer bem sem questionar se era um motivo genuíno ou não. Eu só desisti pra não ter que sofrer por algo que eu considero saudável. Não consigo viver uma história, que pode ser maravilhosa, com alguém que tem medo de tentar. Essa é a vida se provando surpreendente sempre.

Só que hoje…
Hoje é tão difícil viver essa minha fase. Eu sou uma enchente! Estou transbordando sentimento, o melhor deles, por alguém que não sente o mesmo.
É inevitável, me pergunto: Por quê eu fui gostar justo dessa pessoa? Tem tanta gente querendo ganhar tudo que eu tenho pra dar, mas não, lá vou eu e gosto de quem só sabe que eu existo.

O nosso maior problemas somos nós mesmos, logo, a nossa maior solução somos nós mesmos.

Eu gostaria que tudo isso tivesse sido diferente, gostaria que o que estou vivendo fosse diferente, gostaria de ter fotografias pra recordar, gostaria de entregar os presentes que pensei em comprar, gostaria que as datas comemorativas também fizessem sentido pra mim, gostaria de um monte de coisa boa. Mas tudo bem.

É um “tudo bem” de respeito e não de omissão.

Talvez não hoje, mas eu sei bem que um dia desses que estão pra nascer eu vou acordar achando que vai ser só mais um dia qualquer e aí vou chegar em casa a noite, e antes de dormir, vou deitar e pensar: valeu vida!

Na fraqueza posso não acreditar mais em mim, mas sempre acredito na última coisa que morre nessa vida.

#Este é um texto interativo especial. Foi escrito baseado em sugestões de temas/sentimentos de leitoras da página no Facebook.

#Curta: http://www.facebook.com/umtravesseiroparadois

Das Vezes Que Te Ouvir Bater, Coração

Leia ouvindo:

 

Entendo se você é do tipo de pessoa que quando está perto do mês acabar sempre pensa em tudo que pode acontecer no mês seguinte. Fica olhando o calendário, pintando o dia de receber o salário se programando para todas as coisas que eu quer fazer. E o mesmo, claro, funciona quando um ano novo está para começar, né?
É tão gostoso, a gente se deixa  levar pela atmosfera que toma conta do mundo e é legal quando conseguimos canalizar nossas energias em sentimentos bons, dos que eu queremos dividir com alguém especial, com nossos amigos e nossa família.

Fim de ano serve para dar fim à algumas coisas.

Acho válido o exercício de dar uma parada pra pensar em tudo que aconteceu ao longo dos últimos 12 meses. É claro que não é algo tão gostoso de se fazer, mas vale recordar das vezes que choramos, das pessoas que nos fizeram chorar, das vezes que sorrimos e dos motivos que nos fizeram sorrir. Também é legal lembrar das coisas que eu queríamos comprar e das que finalmente compramos – são nossas realizações!, das noites em que saímos de casa e das que ficamos em casa esperando um convite ou aproveitando um DVD diferente.

Se as coisas não saíram como gostaria, veja de um modo que te faça um efeito especial. Sempre dá pra ver diferente e tirar proveito de alguma maneira.

Lembra das vezes que teu coração acelerou? Sabe aquela vez nesse ano que você começou a pensar demais nessa pessoa que está vindo à sua mente agora, começou a pensar tanto que a via nos reflexos do vidro no ônibus ou no metrô, a via nos refrões que nem conhecia pois os que conhecia, é claro, essa pessoa passou a morar lá. Lembra dessa fase? Não do que aconteceu depois, mas desse encantinho… Faz bem.

Nossa vida é feita de tentativas. Uma vida que não se tenta, não se aproveita.

E vez ou outra, claro, as coisas não acontecem como prevemos. Talvez nesse seu ano teve alguém que te confessou amor e que de uma hora pra outra você viu confessando o mesmo à outra pessoa. Vai ver aconteceu com você de ouvir de alguém que você é uma pessoa perfeita demais, que ela não consegue te recompensar, que você é tudo que sempre sonharam… E mesmo assim a pessoa preferiu partir. Ou talvez você tenha vivido algo parecido em querer se confessar pra alguém e simplesmente não conseguir, simplesmente se bloquear diante de tanto sentimento bom que deseja compartilhar, você simplesmente não conseguiu falar uma palavra de todas que representariam teu sentimento e aí você se sentiu um lixo e esbravejou pelos cantos da casa: “Vida injusta!”, “Sou uma pessoa que mereço morrer sem ninguém!”, “Ninguém presta nesse mundo!”, “Amor é uma bosta!” até o coração acelerar de novo na hora que, teoricamente, você menos precisava, né?

É que como já falamos aqui outrora, a vida te dá o que você precisa e não o que você quer.

Faz parte da gente não aceitar as coisas ruins. Queremos arco-íris sempre e não o cinza, só que mal sabemos que também há romance nos dias cinzas. Lembra do inverno? Quando tudo o que queremos é que os dias fiquem cada vez mais frios só pra gente poder passar horas abraçados, pedindo pra escada rolante demorar pra acabar, pro ônibus nunca passar, pra estação do metrô nunca chegar, pro filme demorar, pra noite se eternizar. Ou seja, o romance está onde queremos que esteja, seja num dia de verão na praia brincando de frescobol e passando protetor solar um no outro, ou na fumaça do chocolate quente em uma noite de sábado no inverno.

Páginas que escrevemos, são páginas que viramos. As outras nós rasgamos.

Como foi o seu esforço que deve ser infinito pelos melhores dias? A busca pelas mais especiais experiências nem que seja a mesma coisa feita todos os dias de formas diferentes? Lembra que o romance está onde você quer que ele esteja e não no que aparentemente está? Você lembra, eu sei.

Essa também é uma época de aspirações. É claro que não temos como prever o que vai acontecer ano que vem, se nem sabemos o que vai acontecer amanhã, o que dirá no próximo ano. Só que acabe a nós pensarmos nas coisas boas, sejam elas quais forem, não é necessariamente pedir para que aconteçam, mas mentalizar energia, sabedoria pra lidar com as surpresas, força pra respirar fundo quando for preciso dizer algo, sensibilidade pra reconhecer que também erramos, enfim, tanto eu quanto você sabemos quais são as coisas que esperamos do próximo ano.

E que tenha amor.
Pensa no amor, acredite no amor, defenda o amor, suspire amor. Não existem pessoas iguais nesse mundo, existem pessoas que se completam, que preenchem aqui e ali tudo o que não temos, que nos fazem rir de coisas que não riríamos, que nos fazem pensar em coisas que não pensaríamos. E isso é amor. E ele está em todos os lugares e pode acontecer a qualquer momento em qualquer dia de todos do seu calendário e em qualquer lugar que seus pisem ou que suas palavras cheguem.

O amor está sempre pronto para nos recepcionar.

E muito acontece por culpa da gente.
Vai ver aquela lágrima que derramou esse ano não teria acontecido se você tivesse se valorizado mais, vai ver ao longo desse ano você tenha desejado demais alguém que te ofereça algo que você não pode oferecer, quem sabe naquela vez se você tivesse falado o que sentia as coisas não seriam diferentes hoje? Talvez se você tivesse se respeitado não passaria por algumas coisas que passou.

Tem gente que simplesmente não merece a gente.
E nisso você pode acreditar.
É claro que insistimos no murro em ponta de faca porque há sentimento e ele é inexplicável, mas tem horas que nosso coração pede ajuda pro cérebro e a gente ignora. Você sabe quando isso acontece. Entendo, cada pessoa vê as horas do jeito que quer, cada uma sabe dos limites, sabe a hora de parar, de tentar. Nisso não há regra, não há quem diga que estamos errados, afinal, a vida que estamos colocando em jogo é apenas a nossa e os sorrisos e lágrimas que virem com ela serão só nossos. Mas algumas vezes a gente pode usar os olhos também pra enxergar, né?

Amor no dicionário possui uma definição poética, mas aquele que você sente só você sente. E não possui definição.

Falo Normalmente Sobre os Motivos Que Eu Poderia Explodir

Leia ouvindo: www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

Nosso relacionamento não é uma prisão.
A verdade é que antes de começarmos nossa história e mesmo que um dia ela acabe, sempre teremos as nossas próprias vidas e isso é algo que não podemos esquecer. Só que assim, enquanto estamos juntos acho importante que a gente cuide um do outro, sei lá, que a gente se respeite, que por mais difícil que seja que a gente tente se colocar no lugar um do outro, sabe? Essas coisas.
Ok, já dei muita volta, vamos ao foco, a questão é que eu não tenho gostado de algumas coisas que você tem feito. E ok, eu assumo que isso nada mais é que ciúmes. Você pode achar infantil, desnecessário, o que for, mas o fato é que ele existe e eu sinto.

Não acho elegante você curtindo tantas fotos como tem feito. Também não me sinto confortável ao ver seu perfil cheio de mensagens de pessoas que eu até conheço, mas sobre assuntos que eu não conheço. E sim sim, eu sei que a depois você vai me explicar tudo, que são coisas simples e muito pequenas, mas é chato pra mim, eu fico com ciúmes, o que também pode ser chamado de uma curiosidade desenfreada em querer saber sobre o que estão falando.

Olha, entenda que não estou brigando, que não é uma reclamação sobre o seu comportamento – pior que parece que é né? hihi -, é que eu quero que você se coloque no meu lugar, já pensou como seria?
Imagina você vendo eu curtir um montão de fotos por aí, fazer comentários sobre assuntos que você não sabe do que se trata, essas coisas, sabe? Repito que eu entendo que é tudo bobagenzinha, mas uma monte de bobagenzinha se torna uma bobagenzona, um clima péssimo, uma briga, enfim, se torna algo que não precisa acontecer. E é por isso que eu estou vindo falar com você. Sabe por quê?

Porque eu gosto de você, porque eu me preocupo em falar todas as coisas que eu sinto, das boas as ruins. Gosto de compartilhar com você tudo que eu penso, afinal, compartilhamos de uma mesma história na qual cumplicidade é um dos pilares, por isso faço tanta questão da gente se entender.

Tem gente que diz que me preocupo demais. Até considero este ponto de vista, mas prefiro pensar que eu não consigo guardar algo que está me incomodando, sabe? Eu prefiro falar, resolver esse pepininho e depois aproveitar a gente.

Eu sinto ciúmes sim, você sabe, não é de hoje.
Pense pelo lado bom, pelo menos não é aquele ciúme doentio de não permitir que você fale com outras pessoas, ou aquele de te colocar na cruz por olhar as pessoas nas ruas, isso não faz sentido, como eu disse, isso é doença. E devo dizer que não me importo se te olham também. Você acha que eu não percebo? HA-HA, você que pensa! Eu percebo tudo nisso aí, sei muito bem quando estão te olhando, a diferença é no modo que eu lido com isso. Em geral, as pessoas torcem o nariz, olham feio, arrumam confusão, nossa, caem o nível, e pra mim isso é totalmente desnecessário. Penso assim, se estão te olhando é sinal que você é uma pessoal especial e chama atenção de alguma forma, mas o fato é que EU estou com você e não as pessoas que te olham, EU estou com a minha mão dada a sua e sou EU quem vai te ver acordar de manhã e não essas pessoas, por isso não vale entrar em climão por causa disso. E digo mais, concordo com tantas olhadas, afinal, você é realmente incrível, se não fosse eu não estaria com você hahaha.

Mas só pra retomar, você está me entendendo? Mais que isso, você está me levando a sério?
Estou falando numa boa, até fazendo brincadeiras, mas o assunto é sério. Poxa, é muito chato pra mim, não sei explicar muito bem por quê mas é. E tem aquele negócio, uma coisinha boba que eu vejo, não gosto e não te conto, acaba se tornando um ingrediente pra uma coisa grande que pode arruinar tudo um dia.

Problemas não resolvidos se tornam problemas irreversíveis.

Por favor, peço que entenda também que eu poderia esperar essa situação ficar insustentável, mas aí eu já não posso me garantir sobre o tom que eu falaria com você, e se tem uma coisa que eu não quero é que a gente se desrespeite.

Quanto mais raiva a gente tem, menos razão também temos e mais involuntários ficamos.

Além do mais, não faz sentido eu esperar uma coisa pequena se tornar algo maior a ponto de eu ter que me segurar pra não falar coisa que não preciso. Isso seria burrice.

Você consegue ver como é prático?
E pra esclarecer de uma vez por todas, não quero te pedir pra parar de fazer nada, só quero que imagine como seria se fosse você no meu lugar. O que hoje é grande pra mim e pequeno pra você, pode ser exatamente vice-versa amanhã. E eu quero evitar esse amanhã.

Eu só quero ficar bem. Tudo pra gente parar de perder tempo conversando sobre coisas chatas ao invés de aproveitarmos com tudo o que mais gostamos: um do outro.

É Tão Inacreditável Que Parece Brincadeira

É bom começar explicando uma coisa: o fato de vivermos no mesmo mundo não significa que temos controle um sobre o outro, ok? Então assim, antes de mais nada, é importante colocar na cabeça que o mundo é o mesmo, mas as pessoas são diferentes, que essas pessoas diferentes possuem os mesmos sentimentos mas demonstram e vivem de formas diferentes. Ficou claro até aqui? Espero que sim.

Agora sobre o que eu ia falar de fato, me diz uma coisa, o que aconteceu na sua vida? O que te fez ficar agir assim? Gostaria de saber, porque olha, pra uma mudança tão drástica assim do nada deve ter acontecido algo muito sério.
Entenda que não quero ser insensível, mas vamos refletir sobre o que está acontecendo.

Depois tanto tempo, tanto esforço, tanta coisa que eu fiz com você nunca se importando, sempre argumentando que as minhas tentativas eram em vão, que acabou, que a hora passou, que a página virou e mais aquele monte de merda, é isso mesmo, um monte de merda que você me falava com se fosse a pessoa mais certa do mundo, depois de tudo isso, você simplesmente tem a cara de pau de me procurar e pedir pra gente começar do zero?

Ah, por favor, presta atenção, como você não consegue ter vergonha disso? E é claro que não me entra na cabeça um negócio desse, não tem o menor cabimento e vou te explicar por quê. Como eu já disse, dediquei muito tempo da minha vida pra gente ficar bem, tentei de mil formas te convencer que a nossa história merecia uma chance pelas coisas que já tínhamos vivido, repito, dediquei MUITO tempo, e daí que simplesmente do nada, e pior, quando eu finalmente consigo andar por essa cidade com a cabeça livre, quando eu finalmente consigo virar essa merda de página como você adorava me pedir “ah, vira a página, já deu” você vem com esse discurso de “vamos tentar de novo?”. Sinceramente? A minha vontade é rir da sua cara, talvez por dó, talvez por raiva, talvez pelas duas coisas misturadas e multiplicadas.

Não, não vai ter nada de recomeço nenhum, não vai ter “tentar outra vez” e essa é a minha resposta pra você.
Olha, pare pra pensar e tente se lembrar das coisas que eu fiz, tente se lembrar para não dizer depois que eu não me esforcei, porque eu não consigo lembrar de uma pequena coisa que eu não tenha dito ou feito pra você e por você. Só que de nada valeu, nada te mudou, te tocou, não aconteceu nada e o que eu mais ouvia de você era pra eu parar com isso, que eu já estava me humilhando, que a nossa história tinha sido bonita, mas já era passado.

Que chame de rancor, que chame do que for, estou pouco me importando para o que você pode chamar isso ou pelo que pode achar de mim, acontece que diferente de você, eu não consigo levar a minha vida sem sinceridade, eu não consigo fingir que sinto alguma coisa, e mais, eu não consigo destratar as pessoas igual você fez comigo. Por isso – o que já é o bastante – e por mais um monte de coisa que eu te digo NÃO.

Você preferiu abrir mão de tudo a ter que considerar tudo.

Eu sou uma das pessoas que mais valorizo segundas chances nesse mundo, acho saudável e realmente pode dar certo. Penso que as pessoas podem sim mudar. Só que no nosso caso, ou melhor, no teu caso, você me fez muito mal, você me desrespeitou, você me ignorou, você não se importava comigo, você fugia, você mentia, você desaparecia. E essas coisas, pouco a pouco, foram criando uma casca dentro de mim, na verdade foram criando uma armadura contra você, algo que me blindasse ao tentar fazer algo por você.
Devo confessar, no entanto, que me bate a curiosidade de saber o que aconteceu com você, se alguém te falou algo, se te deram o maior fora da sua vida, queria saber o que fez você baixar a bola assim.

É claro que eu ainda gosto de você, só que agora eu gosto mais de mim.

Hoje eu sou mais eu, como nunca fui antes, hoje eu só quero perto de mim as pessoas que me querem por perto, hoje eu só quero ouvir a risada de quem realmente achou graça, hoje eu só quero uma mensagem no celular de quem realmente sentiu saudade, hoje eu só quero a vida de verdade. E dessa minha vida você não faz parte.

Parece grosseria da minha parte, né? Entendo você. É que vendo de fora assim né, você com toda a razão do mundo se fazendo de vítima, se fazendo da pessoa que mais errou nesse mundo comigo, se fazendo a pessoa que mais pode mudar, você desse jeito todo é claro que vai parecer grosseria ouvir meia dúzia de verdade.

Seria bom pra você se eu falasse o que quer ouvir, mas aí não seria eu.

Portanto, até aplaudo sua atitude e certa coragem, valorizo a tentativa, pena que vai ser em vão, porque das poucas certezas que tenho na minha vida, uma delas é que eu não quero que você faça parte dela de novo.

A gente vive no mesmo mundo, mas somos pessoas diferentes, vontades diferentes e absolutamente nada é como a gente quer que seja, elas são como devem ser.
Pega isso pra sua vida. Pensa pelo lado bom, algum bem ainda estou tentando te fazer.

Estou Me Lixando Para Os Seus Conselhos

“O segredo é não ir atrás das borboletas, é cuidar do jar…” AH, CALA A BOCA!
Estou de saco cheio com um monte de gente cheia da razão. É gente por todos os lados me falando o que fazer, o que pensar, o que falar, como se elas sempre soubessem o que fazer. Parece que as pessoas tem um “Manual de Como Lidar Com Isso” para todas as coisas que acontecem. A gente compartilha um acontecimento e lá vem a enxurrada de opiniões e modo de fazer. Ninguém tem certeza de nada! E eu já cansei de quebrar a minha cara ao fazer o que as pessoas me diziam ser o certo. E olha só, aqui eu falo das opiniões das pessoas que eu gosto, das pessoas que me querem o bem, porque as outras do contrário eu nem sei quem são.

Não que seja uma questão de ingratidão, mas sim de respeito com o que estou vivendo. Nem sempre quando eu digo algo, quero ouvir algo em troca. Tem horas que eu só quero um par de ouvidos emprestado. Veja, não é querer demais, não que eu queria as coisas do meu jeito, acontece que eu não aguento mais ser julgado pelas coisas que eu faço ou deixo de fazer. Faço um A e lá vem gente opinando, faço Z e vem gente com o dedo na cara, que merda! Isso sem contar esse monte de frase feita de efeito retardado, porque olha, se a vida fosse baseada em tudo que é frase que eu leio por aí, isso não seria vida, seria o céu. E entenda, não que eu não acredite e que eu não ache bonito e motivador, mas, a vida é bem mais que frases, a vida é cair, ralar o joelho e depois comemorar o joelho curado, é altos e baixos, é arriscar e quebrar a cara e depois comemorar uma vitória nova. Só que tem gente que vê a vida como se fosse um arco-íris, e eu prefiro ver da forma que ela se apresenta pra mim todos os dias. A vida real não é o que as séries americanas mostram. Depois de muito sangrar o rosto, o que desenvolvi foi um jeito de ver romance nos dias cinzas e não só naquele nascer do Sol que todo mundo acha bonito, aprendi a valorizar meu sono, meu despertar, minhas refeições, minha saúde, e por consequência, estarei respeitando minha vida e tudo que a envolve.

Eu só cansei das minhas coisas sempre parecerem fáceis de resolver. Veja bem – gosto muito de explicar tudo -, não estou dizendo também que as minhas coisas são as piores que existem, mas elas são as minhas piores coisas, sabe? A minha solidão é sim terrível, muito embora existam pessoas mais solitárias e com mais motivos pra reclamar do que eu, mas como estou falando da minha vida, é exclusivamente à ela que me refiro. Eu não aguento mais tanto moralismo barato, aprendido em livros de auto-ajuda ou em frases de para-choque de caminhão . Estou por aqui com o monte de sorriso ensaiado e expressões de amizades de conveniência do tipo: “Precisando, só me procurar!” Será que vou ser realmente atendido se eu procurar? Mas isso já é outra história.

E se quer saber, eu gosto de ajudar, mas não gosto de fazer o bolo pra pessoa, dou alguns ingredientes e ela que faça o bolo que quiser.

Por essas coisas que tenho evitado contar minhas coisas para as pessoas, mesmo para as mais próximas. Vou dar um tempo para a minha vida e para a cobrança que faço dela. E vou me permitir cegamente viver o que ela tiver para me oferecer, talvez seja na ousadia da incerteza que encontrarei a minha felicidade. A minha, não a das pessoas, estou falando da minha como indivíduo, sem essa de “pensar nos outros”, não AGORA, agora eu quero pensar em mim. Já errei muito nessa vida por me colocar no fim da lista de prioridade.

Já rezei muito para que algumas coisas pudessem acontecer, já fiz promessa e até simpatia, até que eu larguei mão e desistir de querer prever o futuro. Comecei a acreditar que as coisas que acontecem na minha vida foram escritas para acontecerem comigo e não com as outras pessoas. E aí, eu aprendo, caindo e levantando, a lidar com cada surpresa que acontece comigo.
Só não quero mais ser mal interpretado. Não posso postar uma música mais tristinha na internet que já vem gente perguntando se está tudo bem. Po, calma, é só uma música, eu não sou e nunca serei de esconder as coisas que eu sinto. Só não leve e vida tão a sério.

Não sei se está fazendo sentido tudo que estou falando, espero que sim. O resumo é que  eu quero espaço pra poder viver as coisas do meu jeito. É claro que vou continuar pedindo a opinião das pessoas e muitas vezes vou fazer o que sugeriram, mas eu nunca vou concordar que só existe um caminho à ser seguido, eu nunca vou acreditar no “Não liga, essa pessoa precisa correr atrás de você”, nunca vou acreditar em uma só verdade, eu vou ligar se me der na telha e sou totalmente consciente das consequências das minhas ações. As lágrimas serão só minhas, bem como os sorrisos. E por favor entenda, não é egoísmo, nem diria amor próprio, é liberdade sentimental. Deixa eu fazer a curva do meu jeito assumindo meus riscos.

Sobre aquilo lá das borboletas e do jardim, é bonito de se falar, mas outra história é praticar, né?

Vivo dias cinzas de inverno onde só corações abraçados podem aquecer.

Onde Ajusto o Relógio da Vida?

É uma droga porque eu não sei o que fazer. E pior do que fazer alguma coisa errada, é não saber o que fazer, como lidar, o que falar, ou não falar, sei lá! É exatamente assim como tenho me sentido ultimamente. Ou melhor, já faz muito mais tempo do que ultimamente.
Eu sinto saudade das fases em que coisas são mais claras: felizes ou tristes, fim, sem “meios termos”. Essa imprecisão toda me irrita e só me confunde cada vez mais!
Não que esteja querendo prever as coisas, pra sei lá, me precaver das situações boas ou ruins, só que eu não aguento mais levar a vida na porcentagem, preciso de coisas absolutas para os meus dias.

Estou vivendo um momento em que nada tem resposta. Tipo, nada mesmo, sabe? Estou numa fase “não sei”. Não sei se gosto ainda, não sei se devo voltar, não sei se devo terminar, não sei se devo confessar, não sei se devo ligar, não sei se devo responder, não sei de nada. Na verdade a única coisa que sei é que eu não sei nada. É um monte de “Se” na minha cabeça que congestiona todas as saídas que eu imagino para meus problemas, sendo que muitos desses meus problemas são causados exclusivamente por mim. Parece loucura, né? Pra variar, NÃO SEI, se é.

Embora eu não tenha certeza de algumas coisas, procuro imaginar o que pode estar acontecendo.
Acho que estou exigindo demais, talvez eu esteja esperando demais das pessoas, também posso estar considerando menos do que eu deveria outras pessoas, esta aí, pensando com calma consigo analisar e encontrar algumas coisas que eu não estou fazendo certo. E eu só posso esperar o certo da vida se eu fizer por onde. Ahh, isso eu sei!

O problema é esse troço de coração. Acho o cérebro tão mais justo, apesar de menos emocionante; tão mais certeiro, apesar de menos ousado… Está vendo? Estou em círculos! Tudo que eu queria era ter alguma resposta que ligasse às outras, e aí, com calma, poder entender o que de fato está acontecendo comigo e o que eu deveria fazer.
Seria lindo viver assim, né?

Eu queria entender, especialmente, o que eu deveria fazer com você.
Queria viver na prática esse negócio de “tudo tem a sua hora”. Como programo o despertador para as coisas acontecerem?

Estou nuns dias onde eu queria sumir do mapa! Queria viajar pra longe, sem ninguém, onde não tivesse ninguém que eu conheça também. Estou precisando de mim pra poder ter alguém. Preciso me aceitar para que me aceitem e para que eu possa aceitar alguém. Preciso de mais ponto final onde eu só tenho colado vírgula. A história da vida é feita de todas as pontuações. Não se escrevem romances só com exclamação.

É uma droga, que saco!
Não estou esperando a melhor pessoa pra minha vida, eu só quero algumas pequenas respostas ou dicas, algo que me faça dar o segundo passo. Se as coisas continuarem como estão, vou acabar me suicidando dentro de mim mesmo, dentro da minha covardia de não conseguir encarar os meus problemas e da minha competência de não conseguir pensar em soluções.

É que tudo é muito mais fácil quando estou longe de você. Faço desenhos na minha cabeça de como seria sua reação se eu te ligasse agora, se ficaria feliz ou não. Aí penso que não faz sentido eu te ligar. Pra falar o quê? Pra te ouvir jogar na minha cara como está feliz no trabalho, estudos e na família? Pra, em outras palavras, jogar na minha cara como está feliz sem a minha presença?
As respostas são sempre duplas e essa é a pior tortura. Tudo “pode ser que sim” ou “pode ser que não”, e quem sai ganhando com isso tudo? Ninguém!

Eu preciso descansar.
Pensar tanto em como resolver as coisas só me afasta ainda mais das soluções. Preciso sair pra tomar um ar, mudar a prioridade da minha vida, que aí quando for a hora, eu vou saber o que fazer. Ou não.

E você poderia me ajudar, né? Pra começar, você poderia ser uma pessoa mais clara e direta também.

É que pra algumas pessoas, é difícil facilitar as coisas.
Acho que eu sou assim.
Não sei.