Sou Eu, Não Repare a Bagunça

Eu já quis as coisas rápido demais.
Já quis ser indubitável, já quis os fins de semana sem aproveitar a minha semana.
Hoje eu só quero a paz de poder dormir sem dor.
Se a gente parar pra pensar, embora não tenhamos ainda todas as coisas que sonhamos, já é vantagem não termos motivos pra reclamar, e mais, já é muita vantagem não aumentarmos os motivos se caso tenhamos.

Não dá pra gente ignorar fatos, mas dá pra gente viver tudo de um jeito diferente, afinal a mudança começa por dentro da gente.

Toda a pressa que eu já tive de viver um monte de coisa nunca me fez viver mais rápido.
Tudo que a nossa vontade menos precisa é de ansiedade.
Pode acreditar quando te dizerem que você é o seu pior inimigo.
De todas as coisas que a gente tem pra acreditar nessa vida, a melhor escolha é sempre nas coisas boas.

Hoje eu quero deixar a saudade no lugar dela: no passado.
Mas assumo ter a fraqueza em não resistir a um sorriso gratuito ou uma palavra inteligente soando como música ao meu ouvido.
Não que eu não tento ser forte, mas a vontade de ter um motivo pra me render é maior que a vontade de policiar.
A gente dificulta e facilita sem saber. O que a gente fez ontem pra facilitar pode ser hoje um motivo pra dificultar, e vice-versa. Isso justifica o que dizem sobre não existir regras pra viver.

É claro que eu queria uma mensagem gentil antes de dormir, mas já está de bom tamanho ter a certeza de que vou conseguir dormir.
Os olhos veem o que o nosso coração deixa ser visto.
Eu voltaria atrás e pediria uma porção de desculpas a mais; também voltaria pra dizer mais vezes o quanto eu gosto; voltaria pra ter mais atitude em situações em que não tive nenhuma. Mas nada voltaria como eu gostaria.

É bom deixar o calendário correr sem querer rasgar as folhas.

Eu também já fui devagar demais.
Eu nunca fui bom em entender sinais e talvez por isso eu acho que perdi algumas oportunidades nessa vida. Quando não foi pior: quando pensei ter entendido um sinal mas na verdade não passava de algo que não precisava ser compreendido. E então a confusão se fez.

A vida é um motor sem freio e sem acelerador,
é bobagem tentar controlar, tentar se apressar ou se forçar viver mais devagar.
Damos a partida a cada piscar de olhos e aí só vamos escolhendo as curvas pela frente.

Acho que eu já fiz gente sofrer demais.
E sem querer.
Nunca cultivei rancor em mim, nunca usei da vingança pra me aliviar.

Tem vezes que é com a melhor das nossas intenções que a gente machuca mais.

Pensando bem, eu também já cobrei demais!
Já exigi umas coisas que eu nem podia oferecer. E é loucura lembrar que eu já discuti por motivos que eu nem fazia questão de entender.

O tempo existe pra gente acompanhar, mas a gente insiste mesmo em comandar.
“Que passe logo!”, “que passa devagar”, mas nunca o “que apenas passe”.
Lá no fundo, no entanto, eu sei que não sou uma má pessoa.
Apesar de já ter feito muita coisa errada sendo que algumas delas sem querer, aqui dentro mora e sempre vai morar um coração.

Gosto de dizer que a saudade me faz companhia.
Gosto de ouvir que a minha companhia se faz saudade.
Gosto de abir a geladeira achando que não tem mais, e lá no fundo encontrar cheio um potinho de manteiga. Gosto de pegar a pasta de dente e ver que me deixaram um finzinho de presente. Gosto de enroscar meus braços em um abraço apertado quase sufocado.

Por isso que eu faço a minha parte sobre a dor.
Deixo de querer que passe rápido demais,
Deixo de querer que permaneça pra eu me vitimar,
Deixo só que ela visite de passagem, o bastante para eu colecionar mais uma lição pra aprender.
Tudo pode parecer confuso demais, mas sou eu, não repare a bagunça.

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E Se Eu Repetir Isso Todos os Dias?

Pode até não ser com você que eu vou dividir o resto dos dias da minha vida,
mas só de saber que por enquanto eu tenho você aqui pertinho já um motivo pra eu me tranquilizar.
Sabe, caminhei com o tempo até te encontrar naquele dia pela primeira vez.
Eu vivia uma fase só minha, que coisa, uma fase particular onde eu não via espaço para dois no meu edredom. E aí veio a minha primeira lição: quanto mais a gente acha que está certo, mais chances existem da gente estar errado.

A vida mudou quando eu mudei e comecei a ver beleza até na rotina de todos os dias.
Mais do que a preguiça ao acordar, comecei a agradecer por mais um dia indo trabalhar. Sem receber um salário que eu gostaria – é bem verdade, mas recebendo um salário que no momento eu merecia. Pouco a pouco eu fui mudando o jeito de ver a minha própria vida como se eu esperasse você chegar pra compartilhar comigo, com se eu me preparasse pra dar o meu melhor quando você chegasse.

E agora a gente dança até sem música.
A gente dança com a trilha do comercial na TV, a gente dança enquanto esperamos o microondas aquecer.

Agora estou conhecendo o meu melhor e devo isso à você.

Vi devagarzinho que gosto mesmo é do beijo mordido.
Nunca pensei que ia me arrepiar ao te ver pronta pra gente sair. E também nunca pensei que sentiria uma felicidade inédita ao te apresentar de boca cheia para os meus amigos, e quando voltar pra casa receber algumas mensagens no celular de alguns deles falando: “Vocês se combinam” me tirando um sorriso besta no canto da boca.

Quando a saudade vem me visitar,
dou um jeito de voltar na lembrança de você prendendo o cabelo ou do seu jeito preguiçosa de dizer que é cedo pra levantar.

A felicidade também é transformar as pequenas coisas em soluções contra a saudade.

Saudade que aperta e até me tira o ar,
pois é difícil ter que esperar a semana acabar pra te encontrar.
Mas a gente também tem aprendido juntos que a distância nem sempre fragiliza, ela só tende a fortalecer ainda mais e a nos tornar mais sinceros, pois as confissões de “quero que o tempo voe!”, “que semana longa!”, são de verdade e não são só efeitos de resposta obrigatória.

E quando você chega?
A gente se abraça devagar e nem passa pela cabeça se largar.
Coloco minha mão na sua nuca enquanto você passeia com os dedos pelo meu rosto. É a gente se reconhecendo e fazendo o nosso corpo conversar.
Encostamos nossas testas e mal consigo ver um sorriso abrindo em você. Tocamos o nariz e fazemos círculos de mimo que como se brincássemos com o nosso rosto. Te roubo um beijo pra te provocar vir atrás de mais um. Volto pra tentar outro e você me segura mordendo minha boca devagar – e o quanto isso é bom. A gente fica perto a ponto de ouvirmos nossa respiração acelerar. E como isso é surreal.

Já teve vezes que enquanto te via dormir pensei em quem passeou pelo seu corpo antes de mim.
Te ver deitada é te ver por inteira, te ver verdadeira, te ver na real beleza.
Pensei nessas pessoas por gratidão ao te deixarem me encontrar, pela gratidão de pelo terem terem te feito sorrir além de chorar e pela gratidão de terem sumido pra eu me aproximar.

Não tem espaço pra lágrima no seu rosto tão acostumado em ter sua boca sorrindo.

É bobagem, mas eu gosto de planejar.
É bom imaginar que você estará comigo nos próximos momentos da minha vida; é bom saber que posso contar com a sua companhia; é bom reservar um cantinho pra você dentro de cada um dos meus sonhos. E nem precisa dar tudo tão certo assim no final, valorizo o jeito que a vida muda de lugar. Mas tem um gosto especial ver a vida passando e te ligar pra falar que os bons momentos estão chegando.
E na sua vida eu também quero participar ainda mais.
Quero entender do que você tem medo e o que te coloca na parte baixa da gangorra que é viver.

Torço para eu ter também um cantinho pra chamar de meu na sua vida e poder te assistir sendo feliz.

Pode dizer sem se preocupar com o tempo,
dizer daquele jeito que é tão seu, pausadamente, fazendo de cada palavrinha uma nota musical ao meu ouvido. Pode dizer quando não tiver tantos motivos pra dar risada que eu prometo me virar pra te arranjar algum novo pra você. Pode confessar que gosta mesmo é de quando eu viro pra montar a conchinha e que gosta tanto também quando durmo depois só pra te massagear. Diz as coisas que você gosta que eu faço pra você, diz pra eu poder melhorar, pra eu poder caprichar.

Sempre dá pra fazer bem melhor depois que a gente sabe que o nosso melhor faz bem.

Diz também que eu continuo sendo alguém que tira um sorriso seu, sem julgar de ser o melhor, mas valorizando que pelo menos eu tento fazer com que seja um especial.

Igual eu te digo.

Pode até não ser com você que eu vou dividir o resto dos dias da minha vida, mas eu posso dizer que a minha vida já é divida em antes e depois de você.

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Falar Demais Pode Ser Algo Bom Demais

A gente nunca sabe das coisas como imaginamos.
Tem coisa que está na nossa cara e a gente vai e: ignora.
Mas essas imperfeições é o que fazem da gente pessoas melhores, pois depois de cada vez que a gente se engana nasce uma oportunidade pra gente ver diferente, parar, pensar e concluir que é hora de mudar.

Eu já me evitei demais.
Eu já pensei muitas vezes antes de fazer as coisas que eu sentia.

Mas aí eu resolvi mudar o jeito de ver.
É que eu sempre me preocupei por não ter certeza de que meus esforços por alguém seriam reconhecidos ou se seriam motivos de cansaço. Sabe aquela coisa da gente se sentir grude e tal? E pior, sabe quando dizem que a gente está sendo grude? Então, eu sempre tive medo de ser. E por isso acabava pisando no freio das minhas vontades.

O tempo me fez ver que eu posso ser tudo que eu quero ser.

E coisas como uma mudança de pensamento e uma ousadia a mais, fazem com que eu me sinta alguém menos limitado e menos fraco.
Por isso estou aqui pra te falar essas coisas, que até podem não fazer tanto sentido pra você, mas que demorei muito tempo pra ter certeza de que você seria alguém pra eu tentar ser de novo quem eu sempre gostei de ser.

É que agora eu penso menos e vivo mais.

É bem estranho ter que explicar uma mudança da gente, sabe? Até porquê pode parecer algo superficial demais pra quem vê de fora ou pode parecer algo forçado demais para essas mesmas pessoas, mas a verdade é que eu mudei e não foi por ninguém, foi por mim mesmo.

As coisas só mudam pra melhor quando a gente toma alguma atitude para isso, do contrário, elas só mudam, e muitas vezes para pior.

Eu gosto de estar por perto e dizer que sinto saudade.
Em pensar que já me preocupei em saber se a minha confissão de saudade seria interpretada como algo real ou como alguma forma de apelo, alguma forma de só “querer ver de novo”. Pode parecer que tenho mania de filosofar demais sobre os sentimentos, e na verdade, parece não, eu faço isso mesmo. É que eu gosto de ver com olhos diferentes as mesmas formas de sentir. E falando nisso, pra mim é fácil lembrar de alguns “eu amo você” que cantaram nos meus ouvidos, sendo que dias depois eu sequer ouvia mais a voz da pessoa. Então, esse meu tipo de raciocínio sobre o que eu sinto faz sentido para eu não me machucar.

Pensar no que a gente sente não evita sofrimento mas conforta o sentimento.

Isso significa que pensar em tudo que eu já senti e tudo o que já disseram sentir por mim, faz com que eu saiba lidar uma pouco mais com essa mudança de sensações que a gente vive a cada novo começo, a cada novo sim, a cada novo beijo.

Hoje eu só quero a paz de poder dizer que o que sinto é verdade sem ser julgado por isso.

Por isso, agora eu gosto de te falar sobre como é bom te ver bem, sobre como me faz bem te ver contente por me ver, sobre como eu faço questão de te deixar claro o quanto você me deixa bem por valorizar o jeito que eu sou.

Teve gente que não entendeu quando eu dizia sentir amor.
Engraçado que isso eu também nunca entendi e nem por isso comecei a falar menos.
Mas essas pessoas me fizeram sentir medo até do sentimento mais bonito que eu já senti na vida. Que coisa louca, né?

O que mais tem é gente pra dizer que o que sentimos é exagero, como se elas soubessem o que é sentir algo exageradamente verdadeiro.
Eis aqui a mudança de ponto de vista.

Se para outras bocas que já passaram por você a meta era te despir e te fazer instrumento de prazer, pra mim é ver o branco do seu sorriso e o meu próprio reflexo no teu olhar. Se sentir bem com alguém é brega mesmo e não tenho vergonha disso.

É que hoje eu não me evito mais e assim vivo mais.
Embora em outras ocasiões eu tenha mesmo me precipitado pensando que existia algo quando na verdade só eu achava isso, hoje minha vida até pode continuar da mesma maneira, mas o que muda é a forma com que eu sinto prazer por isso. Se o que me trazia angústia era a falta do ♥ no fim da SMS, hoje eu mando menos SMS e vejo mais pessoalmente.

Vai ver a nossa vida nunca muda nada, é só a gente que começa a viver a mesma vida de um jeito diferente.

Então, no fim das contas eu continuo com os mesmos medos, inclusive aquele de me expor demais e falar demais o que eu sinto, só que agora eu penso que falar o que eu sinto pode ser algo bom demais pra alguém.

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Vamos Fingir que Nunca Aconteceu Nada

Por que você não facilita?
Sabe, porque você não deixa as coisas como exatamente estavam?
É um negócio meio louco, sei lá, mas quando pareço que vou melhorar vem você se aproximando de mim como se não soubesse que isso vai me fazer mal depois.
Vou te explicar uma coisa. Quando a gente se encontra por algum motivo e depois nos despedimos eu demoro e muito pra parar de pensar em você, eu fico remoendo cada lembrança e querendo cada segundo de volta. A merda é que tenho certeza que você não dá a mínima pra isso e pra qualquer coisa que envolva a gente, a não ser, claro, para o que você mais gosta de fazer comigo: me usar.

Não precisa fazer muita coisa, só a sua parte.

Pra mim é um saco a gente se encontrar.
Primeiro porque me volta uma felicidade desgraçada que eu não consigo explicar, aí eu começo a te contar todas as milhões de novidades, te mostro fotos no celular, mostro vídeos engraçados na internet, e você participa de tudo demonstrando uma empolgação super convincente. É exatamente aí que mora o problema. Você demonstra uma mentira, sabe-se lá porque raios.

Mais fácil do que convencer que estamos gostando de alguém é convencer que não gostamos mais.
Você deveria tentar.

Isso tudo já tem me feito mal porque é sempre igual. A gente se vê, rola aquela sintonia escandalosa, os dois ficam falando coisas ao mesmo tempo, contando a mesma novidade mil vezes, e quando não é pior, quando vez ou outra sobra um carinho a mais aqui ou ali.
Eu não preciso disso, de verdade.
Eu não preciso dos teus encantos me vendendo uma mentira, pois é isso que você se tornou: uma impiedosa mentira.
Saco! Só eu sei como eu fico depois que a gente se vê mesmo sem ter acontecido nada. Esse tal de “nada”, muitas vezes, é exatamente o maior problema. É que na minha cabeça o pouco que você faz já significa muito; na minha cabeça, o fato de conseguir te fazer dar risada já me parece um sinal de que as coisas vão voltar para os eixos. Mas que eixos? Afinal, não temos mais droga nenhuma um com o outro e isso é o que eu menos deveria pensar nessa vida! O que me deixa mais louco depois que a gente se vê e eu fico pensando nesse monte de coisa, é ter a certeza de que pra você tanto faz, que você pra você “não aconteceu nada demais”, que pra você “eu exagero demais”, mesmo sem você ter falado isso uma vez sequer.

Uma troca de olhares explica coisas que palavra nenhuma consegue.

Outro problema é que você não faz ideia do quanto eu me preparo quando sei que vou te ver, sei lá quando sei que vou a um lugar onde você estará. Penso na roupa, penso no perfume e já penso até em alguns assuntos caso a gente converse, mas que fique claro, não faço isso com alguma intenção de te seduzir ou sei lá, te impressionar. Confesso que faz um bem estranho deixar um gostinho de “olha aqui o que você não tem mais!”. Pelo menos deveria, pois o que acontece na maioria das vezes é você vir perto com esse teu jeito, falando alguma coisa ou agindo de alguma maneira que me faça lembrar do que a gente já teve um dia, aí claro, eu fico sensível, eu me desestabilizo e renasce um pensamento de que “será que agora vai?” sendo que a verdade é que não “vai” de jeito nenhum.
Está difícil ou dá pra perceber como estou falando da mesma coisa de formas diferentes?

E tudo isso é culpa sua.
É culpa sua porque você não me facilita e não me deixa em paz.
Você mal sabe o esforço que eu faço pra não pensar em você, pra focar em outras coisas, descobrir outras vontades e conhecer outras pessoas, então, não é justo que você lide comigo como se eu fosse descartável. Não é justo que você use de artifícios pra me sensibilizar, pra me fazer criar uma ideia de algo que nunca vai acontecer.
Você não tem me deixado viver! Acho que também é sua a responsabilidade por eu nunca mais ter me envolvido com alguém do jeito que eu gostaria, porque olha, não é possível, sei lá o que acontece, você deve ter feito alguma simpatia, só pode.

Aconteceu que eu não posso mais ser refém de você.
Eu não posso te ver e ficar mal, muito menos posso deixar que você faça o que tem feito quando a gente se encontra. Por isso não me entra na cabeça o fato de você não facilitar! Que saco! Vá viver sua vida também, se comporte comigo de um jeito como você realmente quer e pare de me usar, pare de brincar com o que eu sinto.

Se não existe mais nada, faça com que não exista mais nada.
E eu nem quero cogitar a possibilidade de existir algo, apesar de você demonstrar exatamente isso quando a gente está perto um do outro. Sério, nem quero cogitar.

Eu só quero pode viver.
Sabe?

Isso Não Passa de Uma Vontade

Já não sei bem o que é.
Um dia aprendi num filme que se chamava solidão, hoje eu não sei bem que nome dar.
Já me disseram que era carência, já me disseram que era só falta do que pensar.
De todas as coisas que eu ouvi, em nenhuma acreditei. E não foi por falta de vontade, pois bem que eu queria que fosse algo fácil de rotular e assim eu poderia dormir em paz. Só que as coisas, como sabemos, raramente são como queremos.

Se a gente ainda lembra é porque ainda faz diferença.

Outro dia lembrei de alguns sorrisos que ganhei de você.
Lembrei de quando você corria pra me abraçar depois de uma semana sem a gente se ver. Lembrei das horas que passei pelas lojas dessa cidade na dúvida sobre o que te comprar de presente.
Também teve o dia que lembrei de quando a gente chorou juntos pela primeira vez. E com isso, lembrei de novo de tudo que a gente fez pela primeira vez.
E ainda querem me dizer que é falta do que pensar?

Eu não comando um botão no peito que traz e leva as lembranças a hora que eu quero, eu só sinto e do mesmo jeito que elas vão, elas voltam.

Seu sorriso me iluminou mais que o maior sol que já vi no verão.

Aceitar que passou não é lutar contra a nossa vontade, é ser a favor do nosso coração.

Da mesma forma que faz chorar, faz bem aceitar algumas mudanças da vida. É normal doer por a gente não saber o que fazer, afinal, seria tão melhor se o calendário funcionasse como um controle remoto e então a gente pudesse escolher qual dia passaria mais rápido, qual mais devagar e qual a gente viveria outra vez. Só que é bom ver novos filmes na TV, a gente só esquece disso. Os preferidos, no entanto, nós nunca vamos esquecer.

Tipo você.
Não consigo imaginar o que você está fazendo agora e quem está te vendo dormir, quem está te ouvindo por horas no telefone, quem está te mostrando vídeos engraçados na internet, quem está te ajudando a ser mais feliz. E a verdade é que nem gostaria de saber.
Esse tempo longe me fez ter certeza de quem eu sou. E que pior que eu não goste de muitas coisas em mim, eu jamais deixaria de ser exatamente como eu sou.

Se eu não mudei ao te ver partir, não mudaria agora que entendi.

Talvez as coisas que eu sinto aqui dentro tenham valor demais e por isso o tempo tem sido assim tão cruel comigo. Quem sabe, não dá pra afirmar, mas quem sabe não era pra ser como realmente foi? A gente prefere buscar respostas pra tudo a ter que simplesmente aceitar que algumas coisas não precisam de respostas. Exatamente como fiz ao ouvir que você não sentia mais o bastante. Tive que me levantar no outro dia, pegar o mesmo transporte público lotado, chegar no trabalho, ter um dia estressante, e tudo, tudo pra poder pagar minhas contas no fim do mês ou comprar novas roupas pra usar no fim de semana. Aliás, as mesmas roupas que comprávamos nós dois.

Sério, não foi nada fácil ter que acompanhar a lentidão dos dias até aqui, mas se eu não desisti antes, não vai ser agora que vou fraquejar.

Isso são só reações que a saudade através do frio desse outono me faz sentir.

Guardo minhas esperanças em te ter de novo no mesmo lugar onde guardo os sonhos ainda não realizados.

Na falta de um abraço de consolo, nos clichês nós podemos confiar. “Tudo passa!”, “Amanhã vai ser melhor!” e coisas do tipo são só verdades batidas, mas ainda assim, verdades.
Por isso, pouco a pouco, sem ninguém nas últimas sextas-feiras, coloquei na minha cabeça que basicamente tinha que ser assim: você aí e eu aqui, sendo dois sós e não mais dois a sós. Essa mudança na forma de ver a vida me fez repensar meus sonhos, por isso eu digo que te guardei lá perto dos que eu ainda não realizei. É que eu comecei a ver que talvez todos os sonhos que eu quero realizar não sejam sonhos realizáveis, que talvez sejam só grandes vontades, mas nada a ponto de serem grandes sonhos.

Pra mim, hoje você é só uma vontade de voltar no passado. E tenho a impressão que eu tenho muito futuro pra viver, logo, prefiro te deixar sendo só vontade.

Posso não ter certeza do que é hoje,
mas sei exatamente tudo o que já foi um dia.

Me parece que aqui dentro é só um frio que um agasalho sozinho não consegue aquecer,
mas amanhã pode fazer sol, vai saber.
Vou torcer.

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Gente, uma dica.
Essa trilha sonora de hoje faz parte do disco novo do meu grande amigo ERIC MATERN.
Um grande e talentoso artista que merece a atenção de vocês!
Para ouvir todas as músicas e comprar o disco, acessem: http://www.ericmatern.com

 

Esse Negócio de Felicidade Não Está Com Nada

E sério que você ainda cai nessa?
Fico até pensando que estou fazendo maldade de verdade quando você não entende minhas brincadeiras. Fica tranquila que quando eu digo que não estou com saudades é quando eu mais estou; quando eu digo que quero um tempo pra mim é quando eu mais quero um tempo pra nós dois.

A gente teve que aprender com a distância que o melhor pra nós dois seria mesmo tentar até que nossos corações parassem de bater. E é assim que temos seguido desde então.
Não foi fácil ter que fazer sozinho as mesmas coisas que a gente fazia juntos. Procurei focar nas minhas coisas e na minha vida, só que eu percebi a influência que você tem nela e em como eu consigo ser uma pessoa um pouco mais, digamos, responsável, com você ao meu lado. Tipo, pra me lembrar que estou gastando um dinheiro que não posso. Brincadeira, eu pensei em muitas outras coisas.

Só não te dou mais amor porque eu não tenho mais pra dar.

Então eu te faço cócegas, o que na prática significa a mesma coisa.

Porque é quando a gente está pertinho, numa noite de frio, sob o edredom quentinho, com um filme na TV é quando eu agradeço à vida pode me dar a oportunidade de viver uma história como a nossa.
Comecei a ver nos seus defeitos as respostas para muitos dos meus. Por exemplo, entendi que até que sou uma pessoa paciente, só não tanto pra te esperar trocar de roupas 300x quando a gente marca de sair; sou uma pessoa muito sensível, só não entendo quando você insiste tanto pra eu falar no diminutivo igual você, quando vê bebês nas ruas. Sei lá, eu gosto de fazer o mesmo, só que com filhotes de cachorros.
Tudo bem que eu não gosto tanto de dobrar as cobertas quando a gente acorda, ou de ter que sorrir para as 9878941 pessoas da sua família nos almoços de domingo, mas acho que são coisas absolutamente toleráveis. Não é algo assim tãããão grande, pra você chamar de defeito e tal, né? Hihi

É na falta que um faz ao outro que a gente vê se estamos fazendo a coisa certa.

Somos deliciosamente diferentes.
Apesar de aparentemente bem parecidos.
Eu que não sou louco de tentar fazer as contas das vezes que já perguntaram se éramos irmãos.
Até entendo as pessoas fazerem essas perguntas, pois não é comum ver um casal que não fica se esfregando na frente de todo mundo, que não fica mostrando a língua para o shopping inteiro e que não fica de mimimi nas escadas rolantes. A gente faz as mesmas coisas, só que do nosso jeito.

A gente prefere ir vivendo de uma forma que nos traga mais sorrisos do que uma vida falsa de felicidade passageira.

A felicidade não é uma conquista, é um estilo de vida.
Tem gente que tem pouquíssimos motivos pra comemorar mas ainda assim tem força pra exibir o melhor dos sorrisos.

E dentro do nosso estilo de vida, cheio de risadas de doer a barriga e comidas gostosas em lugares novos, que a gente vai construindo a nossa história, totalmente passível de ajustes e correções.
Vejo as pessoas falando por aí que o que mais sonham é “encontrar alguém e ser feliz”, como se essa tal de felicidade fosse um objetivo a ser alcançado, e que depois disso, é só relaxar e curtir os privilégios de uma vida feliz. Sei lá, eu pelo menos não concordo muito com isso.

Tento fazer a minha parte pra gente manter uma regularidade de boas fases em nossa relação. Não tem por quê eu não tolerar que a gente discuta sendo que isso é uma coisa normal, mas do contrário, eu não gosto que a gente estenda muito os efeitos das discussões. E nisso, nós concordamos.

Nos momentos de fraqueza em que criei alguma dúvida sobre o nosso futuro, me apeguei em todos os bons momentos que a gente viveu e com base nisso, todos os melhores ainda que a gente pode viver. Daí, usei um pouco desse meu cérebro e percebi que seria bobagem fazer a loucura de abrir mão do seu sorriso de saudade e da sua mensagem de “chega logo”.

Não que você seja uma pessoa perfeita, mas você tem pra mim os mais perfeitos pontos positivos capazes de me fazer uma pessoa melhor.
Por isso eu não me preocupo muito em sair por aí falando que sei o que é felicidade, especialmente que para pode dizer algo do tipo, preciso estar com a vida 100% e assim nunca estamos. Prefiro me esforçar em ser uma pessoa feliz e com isso te fazer uma pessoa mais feliz.
Esse negócio de felicidade existe só pra vender presentes caros.
Não que eu não goste deles, mas isso é outra história.
Felicidade é uma coisa, ser feliz é outra.

Uma Vida Baseada na Importância da Capinha do Celular

Pra que vou gostar do que eu gosto,
se posso fingir gostar de outra coisa só pra ser uma pessoa aceita?
E assim a vida vai escorrendo pelas mãos de muitas pessoas.
Os seus motivos para gostar do que gosta são todos motivos de chacota,
porque o que vale mesmo é aparentar uma vida que não é a sua, uma vida atualmente sem verdade ou uma verdade sem uma vida.
Pra ser mais claro, hoje não faz tanta diferença o seu destino, contanto que antes você poste uma foto na internet mostrando a sua roupa, contabilizando elogios-prontos e preenchimento nulo na sua vida.

É mais legal aparentar algo do que ser algo de fato.

O que dá pra gente ver de longe em pessoas que se escondem em celulares de última geração, noitadas desenfreadas com goles de coragem em um bar qualquer, é uma fraqueza sem limites. “Como então ser uma pessoa que não aparenta fraqueza sem limites?” De repente, começando a ser quem você de fato é, assumindo todos os seus sentimentos, sem ter vergonha dos seus gostos.

Não há a vida correta, há a vida que você julga ser correta pra você.

Mas há um senso comum nessa sociedade do que é ter uma vida interessante, e caso você escolha por nadar contra a maré, já pode prever uma reação absolutamente insignificante. A roupa que você usa é capaz de dizer o quão legal e interessante você pode ser. Pelo menos é o que tem parecido por aí.

Se esses são alguns pontos de vista sobre os valores das pessoas hoje em dia, imagina então os valores dados aos sentimentos das pessoas?

Pra que escolher ter uma boca para beijar se é possível ter tantas outras em um mês?

Todos que viram a noite em busca de alegria descartável, querem mesmo é uma noite virada assistindo a filmes e seriados com alguém interessante. Mas isso é outra história.

O jeito que somos e a fase que vivemos não nos torna pior que ninguém, nos torna real.

“Isso se eu casar um dia!”
É o tipo de frase que não é difícil de se ouvir em uma conversa ou outra. As esperanças de dias melhores são nulas, e nesse sentido, faz sentido aparentar uma vida que não é real, porque lá nesse mundo irreal as coisas dão certo, as baladas são as melhores, as marcas aquecem mais que o tecido vestido, a capinha do celular tem mais importância do que uma ligação para alguém especial.

E que diferença faz sentir amor?
Os mais famosos refrões atuais falam sobre como a vida desenfreada é mais interessante que uma vida real e sólida; falam sobre rápidas e indolores formas de superar um amor; falam sobre a relação em ter um carro potente e a quantidade de bocas para beijar.
Só que quem canta tudo isso a uma só voz, na verdade só quer outra coisa.
Sem julgamento de qualidade, não vale entrar nesse mérito, a proposta aqui é gerar uma reflexão sobre como os amores eram vividos antigamente e em como eles tem sido atualmente. Sobre a troca de valores, sobre a urgência que existe em virar uma página que ainda não pode ser virada.

Quanto mais rápido se tenta acelerar o tempo, mais sequelas ele enterra no coração.

E aí, não adianta se espantar ao ver que ainda não superou, ao ver que apesar de “já fazer tanto tempo” ainda dói como nunca imaginou ver alguém que um dia jurou amor. É normal e é algo que pode ser previsto, especialmente se você for das pessoas que prezam mais pela quantidade de “curtidas” do que por quem curtiu de verdade. E nós sabemos quem são essas pessoas.

A gente pode ser melhor, as coisas podem dar mais certo,
só não podemos perder a única coisa que temos grátis nessa vida: nossos sentimentos. E dentro deles, nossos sonhos.

Você tem dado valor ao que realmente merece?

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