Me Avisa se Eu Estiver Indo Rápido Demais?

Leia ouvindo:


Às vezes bate um medo.

É estranho, bate um medo de estar fazendo tudo errado de novo.
Nem que eu tente eu não vou conseguir explicar ao certo que sensação horrível, mas só de não ser boa já é algo que me preocupa.

E você não tem nada a ver com as minhas neuroses. Elas são só minhas.

Talvez seja o excesso de vontade em fazer as coisas finalmente darem certo que me deixa assim. E como sabemos, nenhum excesso é bem vindo, nem o excesso de amor.
E acho que é mais ou menos por aí.
Nas outras histórias que vivi, fui tachado de ser quem mais gosta, sempre fui aquele que está gostando mais dos dois, como se eu forçasse isso, como se eu tentasse impressionar alguém. E nunca foi bem assim. E pior que isso tudo, me falavam isso como se fosse algo ruim, com se fosse algo que atrapalhasse! Isso nunca fez sentido! É inacreditável existir reclamação por alguém se empenhar em fazer outro alguém feliz! Eu não entendo e nunca vou entender isso, a não ser pela justificativa disso ser apenas um motivo para camuflar outros reais motivos para a história não ir adiante.

Levei um tempo pra ver que não é qualquer pessoa que está pronta para a dedicação que eu tenho pra dar. O que dirá, todo o meu sentimento.

Nesse mundo onde os refrões exaltam uma vida sem saudade, me vejo com a solitária bandeira de sonhar com uma história sincera e com o melhor de duas pessoas.

Comecei a me rever e a pensar no que diabos está acontecendo. E são exatamente nesses momentos que aquela minha preocupação que eu falei volta à tona.
Isso não inclui você diretamente, é mais um peso em meus ombros, um trauma por em tese já ter errado mais de uma vez. É horrível o peso de ter que me limitar em ser alguém “na medida” enquanto quero ser alguém pra ser lembrado pra sempre. E repito, não que eu force isso, eu sou assim.

E desse vez, eu juro, dessa vez eu não quero errar, não quero errar com você.

Você que me apareceu numa fase em que eu não contava com isso, afinal, estava acostumado em ser carta fora de qualquer baralho, até por quê não é qualquer baralho que me interessa. Vivia uma fase mais reclusa, focando nas minhas coisas, minhas metas e objetivos. Já era normal ver o calendário correr tão de pressa. Aí veio você e como um freio de mão, me parou completamente me pedindo pra descer da nave em que eu flutuava, me fazendo voltar a ser quem sou e me fazendo ter vontade de querer ser melhor ainda.

Isso não é sobre a sua importância na minha vida, é sobre o meu medo de me tornar não importante na sua.

É sério, eu cansei.
Tive dedos apontados na minha cara com as conclusões mais surreais sobre o modo que eu me comportava diante das coisas que eu vivia, até que eu parei de me dividir tanto.

Tem horas que precisamos ser um só para deixarmos de ser só um.

E pouco a pouco eu fui me permitindo agir da forma que eu considerava interessante, da forma que embora me trouxesse mais chances de sofrer, era uma forma que mais me preenchia no aqui, no agora e no amanhã, dispensando o talvez e o futuro.

Ainda é cedo para pedir alguma coisa para você, mas eu te confesso que gostaria que essa fosse a última experiência na minha vida, queria que eu não precisasse mais ter ninguém para provar nada. Entenda que isso não significa que não quero viver coisas novas, conhecer lugares e experimentar sabores, claro que não, isso só significa que eu quero fazer isso tudo com uma só pessoa, quero fazer isso com você, até que durem meus dias nesse planeta. Não vivo para colecionar histórias de amor, tão menos acho vantagem perder a conta de quantas bocas já beijei quando na verdade eu quero ter uma única para beijar sempre que eu quiser.
Eu não quero mais me ver fingindo coisas que eu não sinto, postando frases na internet que não dizem nada pra mim, só para aparentar uma “vida tranquila”. Pode achar isso uma imbecilidade, mas eu fiz, e mais um monte de gente faz também.

Aprendi a desconfiar de qualquer aparência.

Você pode me avisar?
Por favor, você pode me avisar se as minhas SMS ou ligações surpresas de “bom dia” estiverem te incomodando?
É muito estranho pedir que eu seja avisado para parar de ser quem eu sou, mas eu não sei até que ponto ser quem eu sou nos fará bem, até que ponto estarei agradando.
A verdade é que eu nunca vou fazer algo que eu não queira de verdade, muito menos se isso tiver relação com demonstrar o que eu sinto. Nem pra você, nem pra qualquer pessoa. Só que mais do que qualquer outra vez e qualquer outra pessoa, estou me abrindo agora pra você e te pedindo que converse comigo se as coisas estiverem estranhas pra você.

Eu vou errar, eu sei que vou, muitas vezes, faz parte, é normal.
O meu grande problema até hoje foi acreditar que o meu maior erro sempre foi ser quem eu sou. Ou, as pessoas que me fizeram acreditar nisso.
Nunca me entrou na cabeça que demonstrar o que eu sinto fosse o meu principal ponto negativo.

Demorei pra encontrar alguém que eu finalmente me sentisse a vontade para me dedicar.

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Esse Dia Pode Ser Amanhã

Eu ia ser mais feliz se tivesse um botão no meu corpo que funcionasse como “Gostar”, “Não gostar”, sabe? Se eu fosse de fluído, ferro e graxa acho que as coisas dariam menos errado do que sendo de carne, osso e sentimento. Em tese, claro.

Pouco a pouco a gente aprende a lidar com o que somos ao invés do que com o que gostaríamos de ser.

A fase não é boa e ainda me peguei pensando nas histórias que vivi até hoje.
Em cada uma delas eu vi um lado diferente de mim. Vi também como as pessoas são diferentes diante das mesmas situações e como isso é interessante! Afinal, é bom saber que nem todas as pessoas sentem o mesmo tipo de ciúmes, que nem todas traem e por aí vai. Tem gente também que não vê graça em iniciais nas nuvens, já eu…

A verdade é que hoje eu não estou sabendo muito bem o que fazer com uma situação que eu vivia com mais frequência quando era mais jovem, criança mesmo, lá na escola. Foram inúmeras vezes que eu sonhei com uma história perfeita e a pessoa nem ficava sabendo desse sonho, outras milhares – as ocasiões mais difíceis -, quando eu conseguia romper a barreira da minha timidez, revelava tudo o que eu sentia, mas no fim, eu gostava por nós dois.

Voltei pra essa fase.
Hoje me vejo gostando por dois. Tanto, mas tanto, que chega a doer. É tão difícil ter que guardar pra si todo um sentimento bom quando a gente quer dividir com alguém, com alguém especial.
Nessa fase lembrei de outras dificuldades que já passei com esse negócio de gostar de alguém.
Sem saber muito bem o por quê, comecei a gostar muito de alguém que eu nunca tinha visto na vida. Sei lá, foi aos poucos, a gente conversava pra caramba, eu fazia as coisas rapidinho em casa pra gente poder ter o “nosso tempo” na internet. Meus amigos reclamavam que eu demorava pra responder mas não faziam ideia do quanto eu estava gostando do motivo pra essa demora.

Lembro que construímos algo que só nós dois acreditávamos. A gente se bastava. Ter como falar pela internet ou pelo celular já era o bastante, já que a realidade era a que morávamos a quilômetros de distância um do outro. Que situação complicada.

Dias novos trazem novos sabores dos velhos sentimentos.

Ali eu descobri que existe a saudade pelo que eu nem tinha. Que coisa louca! Me fazia falta quando não dava pra gente se falar; me enfurecia quando a conexão da internet caía ou quando eu ficava sem dinheiro pra colocar crédito no celular pra gente poder conversar outras horas durante o dia.

Já não bastasse tantas, tem também a dificuldade de controlar a vontade e a saudade por algo que nem temos.

Mas pra mim, no meu mundo, era tudo muito real, eu conseguia sentir tudo! Todas as minhas risadas eram reais, as minha preocupações também. Comecei a enlouquecer! Via pela cidade pessoas com o rosto parecido, via nas vitrines presentes que eu gostaria de comprar. Eu via um mundo onde eu não podia viver!

Ter que aceitar que faz parte é pior que aceitar o fim.

Porque o fim a gente sabe: uma hora ou outra, cedo ou tarde, vai chegar. Que seja daqui a 10 meses ou 100 anos. Agora, colocar na cabeça que as dificuldades que impedem as coisas de darem certo “fazem parte da vida” é algo que machuca e a gente se questiona se essa vida é realmente justa.

Ainda nessa mesma história, o fim chegou. Da mesma forma que “começou”, terminou, assim, inesperadamente. Só que eu levei mais tempo para superar. Sou dessas pessoas que não brinca com o que sente e mergulho de cabeça em coisas que nem tenho certeza.
Aí eu demorei pra deixar partir, demorei pra aceitar que não dava mais, que estava começando a fazer mal pra gente.

Só me convenço de que acabou quando eu coloco o ponto final. O meu ponto final particular, tendo em vista que falo das minhas histórias. E isso leva tempo, até acontecer eu fico pensando em alternativas pra dar certo, possibilidades, planejando fantasias. Eu sou assim, não tem jeito.

Como eu gostaria de não ter que viver de novo essa página da minha vida, essa busca enlouquecedora pela valiosa e simples reciprocidade. Inclusive isso me faz lembrar de uma outra história que vivi onde tudo corria muito bem. A gente já estava junto a um tempo, planejávamos coisas, mas a pessoa que estava comigo tinha medo, o mais puro medo de tentar a felicidade.

Só descobrimos atalhos quando mudamos o caminho.

É estranho pensar que tem gente que tem medo de mudanças, que aliás, vê essas mudanças como algo ruim ao invés de pensar em algo que pode ser melhor, que pode fazer tudo dar certo mais rápido. Isso nunca entrou na minha cabeça e eu me esforcei pra acreditar que aquela história não ia me fazer bem sem questionar se era um motivo genuíno ou não. Eu só desisti pra não ter que sofrer por algo que eu considero saudável. Não consigo viver uma história, que pode ser maravilhosa, com alguém que tem medo de tentar. Essa é a vida se provando surpreendente sempre.

Só que hoje…
Hoje é tão difícil viver essa minha fase. Eu sou uma enchente! Estou transbordando sentimento, o melhor deles, por alguém que não sente o mesmo.
É inevitável, me pergunto: Por quê eu fui gostar justo dessa pessoa? Tem tanta gente querendo ganhar tudo que eu tenho pra dar, mas não, lá vou eu e gosto de quem só sabe que eu existo.

O nosso maior problemas somos nós mesmos, logo, a nossa maior solução somos nós mesmos.

Eu gostaria que tudo isso tivesse sido diferente, gostaria que o que estou vivendo fosse diferente, gostaria de ter fotografias pra recordar, gostaria de entregar os presentes que pensei em comprar, gostaria que as datas comemorativas também fizessem sentido pra mim, gostaria de um monte de coisa boa. Mas tudo bem.

É um “tudo bem” de respeito e não de omissão.

Talvez não hoje, mas eu sei bem que um dia desses que estão pra nascer eu vou acordar achando que vai ser só mais um dia qualquer e aí vou chegar em casa a noite, e antes de dormir, vou deitar e pensar: valeu vida!

Na fraqueza posso não acreditar mais em mim, mas sempre acredito na última coisa que morre nessa vida.

#Este é um texto interativo especial. Foi escrito baseado em sugestões de temas/sentimentos de leitoras da página no Facebook.

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